
O Juízo da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba determinou a suspensão temporária da consulta à comunidade escolar para a escolha dos diretores da rede estadual de educação, que seria realizada nesta quarta-feira, 9 de dezembro, pela Secretaria Estadual de Educação. A liminar foi expedida na noite desta terça-feira, 8 de dezembro, e atende pedido do Ministério Público do Paraná, feito em ação civil pública ajuizada pela Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Curitiba. Em caso de descumprimento da medida judicial, foi definida a aplicação de multa diária de R$ 30 mil.
A ação do MPPR foi proposta considerando o atual estágio da pandemia de Covid-19 no estado, com aumento crescente de casos e de óbitos causados pela doença e capacidade de atendimento da rede de saúde próxima do limite, tanto na rede pública quanto na particular (mais de 90% em algumas regiões). Ao deferir o pedido, a Justiça destacou que a “a consulta deverá atingir 80% das escolas estaduais, com movimentação e aglomeração de mais de 800 mil pessoas”, o que afronta o próprio decreto editado pelo Governo do Estado (Decreto 6.294/2020) que proíbe eventos presenciais que reúnam mais de 10 pessoas. A liminar dispõe ainda que nova data para a consulta seja definida somente quando houver indicativos seguros de controle da pandemia no estado.
PSS – Na mesma ação, a Promotoria requereu ainda a suspensão da aplicação das provas do processo seletivo simplificado para contratação de professores em regime temporário para a rede pública de ensino, agendada para o dia 20 deste mês. O Juízo consignou que, neste caso, o pleito do MPPR segue em análise, uma vez que o quadro da pandemia é atualizado semanalmente determinando, por isso, a prévia oitiva da Secretaria de Estado da Educação a respeito.
João Antônio Tinelli, professor e atual diretor do Colégio Estadual Angelina Ricci Vezozzo, de Cambará, disse que, a rigor, o adiamento é positivo, tendo em vista o aumento de números de casos do coronavírus na cidade preocupa, mas também criticou a decisão. “Acho que o adiamento é até assertivo devido a pandemia que está aumentando, mas deveria ter mais respeito com a comunidade escolar e ter adiado a consulta pública bem antes”, comentou o professor, afirmando que houve uma mobilização entre os pais de alunos sobre a importância de votar. “Tem muita gente que se programou para este dia e que não foram avisadas a tempo sobre o cancelamento da consulta pública, essas pessoas sairão de suas rotinas, virão a escola e não vão voltar, acho isto uma falta de respeito”, sublinhou.