

“A vida nos ensina que o meio mais prático de se alcançar os objetivos sonhados é fazer algo pelo próximo, é nisto que penso. Penso que preciso fazer valer a pena” conta Thaís Betini, a Bia, como é carinhosamente conhecida por todos, uma professora nota DEZ que encontramos em Cambará.
Foi com um sorriso tímido que ela nos recebeu, ela e seu grupo de alunos. Assim que adentramos a sala de aula, já era possível ver que todos nutriam ares ansiosos e as razões logo foram denunciadas. “Este é o pessoal do jornal da cidade de que lhes falei” comentou Bia. Nossa personagem já havia anunciado que estaríamos lá e, por conta disto, a expectativa era grande.
Havia um brilho diferente em cada olhar que nos acompanhava no papo com Bia.
A impressão que nos passou com aquela cena foi a de que eles estavam orgulhosos por ver a professora querida sendo entrevistada, talvez na ideia de colocá-la no patamar de uma estrela. Bia é uma estrela para seu grupo de alunos. Uma espécie de estrela-guia. É dela a tarefa de encorajar seus alunos a superar seus próprios limites. A tarefa de Bia, que é professora de educação física, é motivar os meninos e meninas da APAE de Cambará a navegarem nas ondas da emoção, a extraírem da alma a alegria que contagia. Uma espécie de ponto de equilibro entre o sonho e a realidade, o carinho e amizade, a vida em sociedade e o preconceito voraz. “Cada medalha conquistada por meus alunos, nas mais diferentes competições de que participamos, é uma conquista particular de cada um de nós daqui da escola, de cada pessoa que dedica sua vida em prol de um ideal” comenta Bia. “Não é fácil para cada uma de nós daqui da APAE, mesmo com anos de experiência na atividade, não é fácil compreender que alguns de nossos alunos terão suas vidas comprometidas por não haver avanços em seus movimentos, que seu estado é irreversível. Imagine você receber um bebezinho que nunca vai poder andar. Então, nossa tarefa é a de proporcionar o máximo de interatividade no objetivo de compensar, se é que existe jeito de como torná-los felizes e que aqui eles teem uma boa razão para se sentirem assim” comenta a professora.
De acordo com Bia, o principal objetivo de todos na APAE é o de incentivar, ao máximo, que os meninos e meninas não percam a motivação de estarem superando seus próprios limites físicos a cada dia e as aulas de educação física aliadas a sessões de fisioterapia, bem como, as competições, auxiliam neste processo.
“A medalha conquistada representa que temos um norte e é muito gratificante na verdade, mas nada é tão precioso, especialmente para mim, do que ver uma pessoinha frágil se superando dia após dia, ano após ano, na esperança de estar relacionada na lista dos competidores que participarão dos jogos. Esta garra e a dedicação que impressionam e me mostram que estamos no caminho certo” observa a professora. “Quando olho para estas crianças, vejo a minha própria história (neste momento Bia não contém as lagrimas e chora) “Acredito que Deus tenha um objetivo pra mim. Se não fosse por Ele, não estaria aqui. Minha mãe conta que, quando nasci, tive grandes problemas e, por milagre, sobrevivi. Quando entrei para dar aulas aqui na APAE vi um pouco de mim em cada carinha. Hoje, eles já são adolescentes, mas eu os vi crianças, eu os vi crescer. Tenho muito orgulho deles, por tudo que me ensinaram e ensinam todos os dias.
“A vida nos ensina que o meio mais prático de se alcançar os objetivos sonhados é fazer algo para o próximo, é nisto que penso. Penso que preciso fazer valer apena” finaliza.
Os próximos compromissos de Bia e seus alunos atletas, serão em Carlópolis dia 19 de maio e em Pato Branco no sul do Estado de 25 à 30 maio. Boa sorte