
Cambará
Roberto Francisquini
O entrevistado do mês atende pelo nome de Waldyr Braga de Faria, natural de Mercês – MG, é casado e tem dois filhos (casal)
Filho mais velho de produtor rural, nos anos 70 deixou sua terra natal para buscar novos horizontes em São Paulo Capital.
Desembarcou na antiga rodoviária com uma mala e poucos pertences, dinheiro muito pouco e após 4 dias dormindo na rodoviária e passando por todos os tipos de privacidade até que ao ler um jornal encontrou seu primeiro emprego de Ajudante Geral na gigantesca Camargo Correia que na época esta construindo a primeira linha do metrô. Pouco tempo depois fui promovido a fiscal de uma turma, na indústria metalúrgica como DF Vasconcelos, VolksWagen, Cofap. Sindicalizado, participou do movimento sindical, pertencendo a mesma turma que se reunia no sindicato dos metalúrgicos onde ex-presidente Lula atuou.
Presenciou o nascimento do Partidos dos Trabalhos, participando das reuniões no estádio Euclides da Cunha em São Bernardo do Campo – SP, na chamada fase negra de opressão anti-sindical do Governo Militar e do Governador de Paulo Maluf. “Tenho orgulho de ter participado dos movimentos que culminou no nascimento do PT” comenta. Sempre na luta pelos direitos dos trabalhadores, foi participativo como representante de fabrica, CIPA, com o fim da CMTC. Nesta época foi convidado para uma nova empresa a Transdaotro.
Em 2003, já aposentado, resolveu mudar para o interior, a princípio o seu destino era o Estado de Minas Gerais. No entanto uma viagem em companhia com um amigo que faria uma visita a seus familiares em Cambará mudou os planos de sua vida. “Foi amor a primeira vista, comprei uma casa e fixei residência” diz Waldyr.
Pouco tempo depois ingressou, via concurso, no serviço público municipal com a função de motorista no transporte escolar. “Sou feliz e acredito na família em DEUS e como um bom devoto de Nossa Senhora das Mercês busco fazer meu trabalho com muito respeito a população que sirvo” afirma.
Atualmente é o motorista oficial que transporta os alunos da APAE.
Em 2010, Waldyr e um grupo de funcionários, se reuniram para reativar o sindicato para lutar pelos direitos dos servidores nas causas trabalhistas e previdenciárias.
Em uma assembléia, naquele ano, foi reativado o sindicato dos servidores municipais de Cambará. Nascia o Sindserv. “Não gosto de citar nomes, pois são muitos a agradecer, mas não posso deixar de relatar alguns deram a cara a tapa para o reconhecimento de nosso Sindicar: sito os companheiros Marcio F. Batista, Paulo Roberto Pereira, Dirce Ventura e o saudoso Roberto Carlos Granado o (Granado), agradeço a todos que participaram na ativação do Sindiserv” declarou.
Veja os principais trechos da entrevista.
O primeiro dia de maio é dedicado as comemorações do Dia do Trabalho. Há o que comemorar?
R - Há muito o que comemorar. Esta data foi o início das conquistas dos trabalhadores, no Brasil foi oficialmente comemorada a partir de 1925. Posteriormente, mas na mesma data, se deu a instituição do salário mínimo em 1940 e a criação da Justiça do Trabalho em 1941, ou seja, uma data puramente voltada a conquistas trabalhistas.
Qual a proposta do Sindicato para os trabalhadores do setor público local?
R - Reivindicar melhores salários e condições de trabalho, oferecendo amparo jurídico trabalhista e previdenciário, além de convênios com o comércio local, que irão ofertar descontos diferenciados aos filiados do SINDSERV. Temos planos de administrar uma associação de lazer para os filiados e familiares.
Como está a situação do Sindicato?
R - Tudo feito dentro dos tramites legais. O Diário Oficial fez a publicação, no dia 07 de novembro de 2011, informando que o sindicato já havia preenchido os requisitos legais. A pendência versa apenas quanto ao recebimento da carta sindical, mas há jurisprudência do STJ afirmando que nestas condições o sindicato pode, inclusive, receber suas contribuições sindicais.
Quanto tempo o senhor vem lutando para implantar o serviço no município?
R - Há mais de 2 anos
O servidor está aderindo?
R - Sim, os funcionários estavam se sentindo desamparados e o sindicato veio resgatar a dignidade do servidor municipal, cobrando efetivamente os direitos dos trabalhadores.
O que falta para tornar o sindicato mais forte?
R - A união de todos os servidores. Muitas vezes o trabalhador não sabe a força que a união tem e por vezes retaliações fazem com que o medo se instaure em nosso meio, mas devemos pensar no que podemos conquistar, mudando esse quadro de repressões.
Há resistência política em reconhecer o Sindicato?
R - Sim. A administração municipal vem mostrando cada vez mais que esta contra o reconhecimento do sindicato, por vezes ate chegando ao extremo de tentar impedir a entrada de seus dirigentes em reuniões marcadas para decidir o futuro de servidores.
O que é exigido dos mandatários?
R - Transparência, competência e honestidade.
Como o atual gestor tem se postado diante das reivindicações do sindicato?
R - No começo das negociações tudo fluía bem, ate que o sindicato começou a fazer cobranças que iam contra os interesses da administração, a partir daí houve uma serie de atitudes anti-sindicais e retaliações que culminaram na tentativa de barrar a entrada do sindicato em reuniões que diziam respeito aos direitos dos servidores.
O que o senhor e sua equipe estão fazendo para driblar os entraves?
R - O momento é de espera. Estamos aguardando o inicio das discussões sobre o plano de carreira.
O sindicato promoveu uma reunião no mês de abril com a participação da Federação dos sindicatos do Paraná, qual a pauta discutida?
Waldir: A FESMEPAR - Federação dos sindicatos de servidores públicos municipais e estaduais do Paraná e a Confederação vieram manifestar apoio ao sindicato e confirmar sua regularidade perante os órgãos oficiais. Tivemos uma reunião muito produtiva e o assunto principal foi o plano de carreira e a importância da filiação dos servidores ao SINDSERV. O presidente da FESMEPAR Luiz Carlos Silva de Oliveira e o advogado da Federação Dr. Aquile Anderle trouxeram informações importantes dos acontecimentos ocorridos nos Sindicatos de todo o estado.
Corte nas horas extras. Fale a respeito?
R - Durante a campanha eleitoral do atual prefeito, foi feita a promessa de que essas horas extras não seriam cortadas, a administração atual já sabia do pagamento dessas horas e sabiam também que esta era uma situação que preocupava muito os servidores, por isto prometeram que os salários continuariam sendo pagos no mesmo valor, que nada mudaria, o que não foi cumprido pelo prefeito e o vice, gerando, assim, a insatisfação da maioria dos servidores da ativa. Antes de efetuarem o drástico corte das horas extras, deveriam ter buscado uma solução que causasse menos impacto no bolso do trabalhador, impacto que também foi sentido pelo comercio local.
Os servidores protagonizaram no inicio do ano, uma manifestação pública para cobrar do atual gestor um posicionamento sobre o fim das horas extras. O Sindicato teve participação nesta passeada?
R - Não. A iniciativa partiu da insatisfação dos servidores com as respostas da administração para a resolução do problema. Um dia antes da manifestação o sindicato e os servidores estiveram reunidos com o prefeito, o vice-prefeito e sua equipe para tentarem um meio de solucionar a questão, mas estes disseram que não podiam dar uma solução breve. O sindicato foi chamado para acalmar os ânimos e tentar, outra vez, um acordo que satisfizesse as categorias mais afetadas, acordo que por enquanto está sendo cumprido pela administração.
O atual prefeito declarou que as horas extras eram pagas de forma ilegal. Qual o posicionamento do sindicato neste imbróglio?
R - Reconhecemos que há outras formas de pagar um salário mais justo aos servidores, mas o que não podemos aceitar é a imposição de salários tão defasados sem qualquer tipo de benefícios ou gratificações. Além do que, obtivemos informações de que todas as aposentadorias concedidas com base nas horas extras foram aprovadas pelo Tribunal de Contas.
O que o servidor público precisa saber sobre o seu Sindicato?
R - O sindicato está de portas abertas para receber as reivindicações dos servidores. Para fazermos cobranças é preciso ter conhecimento do nosso direito, participem das reuniões, opinem, discutam! O sindicato são todos os servidores, pois: UNIDOS SOMOS MAIS FORTES!