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APAE Cambará desenvolve projeto de incentivo ao primeiro emprego aos alunos da instituição

Usina Jacarezinho apoia projeto desenvolvido em Cambará

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
21/06/2013 às 14h27 Atualizada em 21/06/2013 às 14h40
APAE Cambará desenvolve projeto de incentivo ao primeiro emprego aos alunos da instituição
Alunos atendidos pelo projeto meu primeiro emprego. Parceria entre a Usina Jacarezinho e APAE Cambará, garante dignidade aos alunos da instituição

 

 

Cambará

C.Roberto Francisquini


 

Diz o velho dito popular, que o trabalho dignifica o ser humano, dá rumo à sua vida e lhe permite sonhar, sobretudo, ser o autor de sua própria história. 

Pensando nisto, a APAE Cambará, em parceria com a Cia. Agrícola Usina Jacarezinho, vem desenvolvendo um projeto revolucionário no objetivo de promover a integração de seus alunos ao mercado de trabalho.

O projeto é uma espécie de meu primeiro emprego e visa oportunizar aos alunos atendidos pela instituição a experiência de desenvolver atividades profissionais, com as mesmas regras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho, com remuneração de acordo com as horas trabalhadas, carteira assinada e benefícios como, cesta básica, décimo terceiro, entre outros.

De acordo com Elenice Lourenço, pedagoga da APAE, a ideia de implantar o projeto na escola, foi para que os alunos tivessem contato com a experiência de exercer algum tipo de atividade profissional e assim, saborear as conquistas que um emprego remunerado pode oferecer.

“Nossos alunos necessitam de atendimento especial, mas são pessoas como qualquer outra, tem sonhos e desejos como qualquer um” contou.

Elenice conta com entusiasmo, que o projeto apoiado pela Usina Jacarezinho proporcionou uma nova realidade para seus alunos.

Elenice Lourenço, Pedagoga explica que muitos alunos atendidos pela instituição estão fora do projeto porque alguns pais têm receios de que seus filhos percam o beneficio pago pelo governo.

 

 

“Eles recebem uma quantia em dinheiro que são depositadas em suas contas bancárias, com este salário eles fazem planos, compram roupas e acessórios, tudo com o suor deles” comentou, “para tanto, eles desenvolvem atividades profissionais como cultivar mudas de árvores de diversas espécies que serão transplantadas pelos técnicos da Companhia Usina Jacarezinho, que arca com os encargos dos alunos” acrescentou.

São oito alunos que participam do projeto, mas este número poderia ser maior, não fosse à resistência de alguns pais.

Elenice explica que muitos alunos atendidos pela instituição estão fora do projeto porque alguns pais têm receios de que seus filhos percam o beneficio pago pelo governo.

É que para ingressar no projeto, o aluno obrigatoriamente será registrado pela companhia e para tanto, o beneficio é interrompido enquanto o estudante estiver registrado e muitos pais são receosos que seus filhos percam o benefício definitivamente. Elenice explica que isto não acontece, pois esta verba é garantida por lei, assim como o projeto é protegido pelo governo.

Por outro lado, há quem não pensou duas vezes em abrir mão do benefício para ver a filha interagindo no ofício.

“É muito bom poder comprar minhas próprias roupas e ajudar mamãe nas despesas da casa”

Júlia Helena 


 

Rosangela Gomes de Oliveira é um bom exemplo a ser seguido. Quando soube do projeto, não pensou duas vezes e imediatamente inscreveu a filha, Júlia Helena Oliveira Martins, no programa.

A jovem é portadora de deficiência intelectual, descoberto quando ela tinha seis anos. Rosangela disse que tomou um susto quando soube da gravidade do problema da filha.

A menina havia concluído o pré-primário na escola pública e quando foi matriculá-la no ensino fundamental, soube da notícia. “Uma professora me disse que Júlia não havia aprendido nada. Ela era uma criança normal, falante e muito ativa, mas eu não havia percebido que ela tinha deficiência intelectual” falou a mãe. 

Rosangela contou ao Circulandoaqui que a primeira coisa que lhe veio à cabeça quando soube do caso da filha, foi sobre o futuro dela. “Me perguntei, o que será da Júlia?” disse.

Rosangela e Júlia encontraram na APAE o suporte para o tratamento da filha. “Aqui (na APAE) é o mundo da Júlia. Aqui ela está feliz e eu também” comentou.

Até o final do ano passado, Júlia recebia o beneficio  do Governo, mas quando Rosangela soube do projeto, não titubeou e inscreveu a filha.

“O dinheiro é importante, mas nada é melhor que ver minha filha na ativa. Quero que ela trabalhe, que seja independente. Nunca imaginei minha filha sentada na frente da televisão vegetando, sendo sustentada pelo governo.

Quero que ela progrida e que tenha senso de responsabilidade, até porque, não sei quanto tempo eu vou viver” falou.

Júlia tem desenvolvido bem a alfabetização, e evoluiu muito depois que iniciou sua atividade profissional na escola. “Ela está mais prendada, estou feliz” disse a mãe.

Marcia Costa Lima entre as pedagogas Leia Maria Marcusso e Elenice Lourenço


Marli dos Santos, também vive momento semelhante.  Ela tem três filhos atendidos pela APAE. Maria de Fátima 17, Bruno Augusto e 18 e Marcelo o caçula.

Ela também só tem elogios para o programa. “Maria, minha filha, é outra pessoa depois que ingressou no projeto. Ela até me comprou um tanquinho de lavar roupas e uma panela de fazer arroz” acrescentou.

Os dois filhos de dona Marli, recebem auxilio alimentação, plano de saúde e odontológico estendido para a família. Com esse projeto os alunos se sentem realizados por estarem inseridos ao mercado de trabalho exercendo atividade laboral e profissional, podendo realizar outros sonhos, sobretudo, se preparar para os desafios que a vida sempre nos proporciona.

O Projeto meu primeiro emprego foi criado e desenvolvido inicialmente na APAE Cambará, por Nadjesda Dal’Oglio e hoje conta com uma equipe de profissionais, altamente capacitadas envolvidos.

A Diretora Márcia Costa Lima, salientou que o projeto é um dos mais belos que já viu. “O trabalho dignifica o homem, a mulher, e nossas crianças” finalizou. 

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