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PESQUISA DA UEM ANALISA NOVOS TRATAMENTOS PARA TOXOPLASMOSE

Não contagiosa, a infecção é adquirida pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo protozoário Toxoplasma gondii

03/05/2021 15h31 Atualizada há 3 meses
Por: Nathália Bonhole Fonte: AEN
 A pesquisa investiga quatro tipos desse parasita, a fim de comparar as cepas isoladas encontradas no Brasil com as linhagens de outros países.
A pesquisa investiga quatro tipos desse parasita, a fim de comparar as cepas isoladas encontradas no Brasil com as linhagens de outros países.

 

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) está desenvolvendo um estudo inédito sobre novos tratamentos para a toxoplasmose, popularmente conhecida como doença do gato. Não contagiosa, a infecção é adquirida pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo protozoário Toxoplasma gondii. A pesquisa investiga quatro tipos desse parasita, a fim de comparar as cepas isoladas encontradas no Brasil com as linhagens de outros países. Na primeira fase foi investigada a cepa ME-49.

Normalmente os pacientes não apresentam sintomas ou desenvolvem manifestações leves, semelhantes aos de uma gripe, porém a patologia pode causar dores musculares e alterações nas glândulas do sistema linfático. Pessoas com baixa imunidade podem apresentar sintomas mais graves, incluindo febre, dor de cabeça, confusão mental, falta de coordenação motora e até convulsões.

O projeto faz parte da pesquisa empreendida pela estudante de doutorado Fernanda Ferreira Evangelista, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde da UEM. Com orientação da professora Ana Lúcia Falavigna Guilherme, o estudo é realizado na área de doenças infecciosas e parasitárias, na linha de pesquisa de zoonoses e outras parasitoses de interesse médico.

A pesquisadora explica que, nessa etapa, o estudo analisou os efeitos do medicamento Rosuvastatina no comprometimento da memória e da ansiedade decorrente da infecção causada pela cepa ME-49. Os procedimentos experimentais foram desenvolvidos em camundongos cronicamente infectados com o protozoário Toxoplasma gondii, seguindo todas as diretrizes e recomendações do Comitê de Ética na Utilização de Animais da UEM.

“A infecção aumenta comportamentos que se assemelham à ansiedade e prejudica a memória de curto e longo prazo, porém o tratamento com  Rosuvastatina reverteu esses dois efeitos”, afirma Fernanda, destacando que o medicamento atenuou os sinais de inflamação cerebral, tais como proliferação microglial, que é uma reação comum a danos no sistema nervoso central, além de infiltração de células inflamatórias e danos aos tecidos.

Antes dessa fase de testes em animais, foram feitos experimentos in vitro.

“Os resultados indicam, pela primeira vez, a eficácia desse fármaco no tratamento da toxoplasmose crônica. Ademais, o comprometimento da memória e o efeito ansiogênico causados pela infecção podem ser mediados pela redução da carga do cisto, o que diminui a inflamação e os danos cerebrais”, sinaliza a pesquisadora, que também é enfermeira e mestre em Ciências da Saúde.

Sobre a causa desses cistos, estudos relatam que estão associados à esquizofrenia, dificuldade de aprendizado e memória prejudicada. Em crianças, principalmente recém-nascidos, pode causar microcefalia, cegueira e surdez.

A professora Ana Lúcia, que também coordena o Grupo de Pesquisa em Toxoplasmose da UEM, ressalta a importância desse estudo, considerando que ainda não há cura para a doença.

“Apesar de não haver tratamento para a toxoplasmose crônica, há medicamentos já comercializados no mercado com efeitos na fase aguda da enfermidade. Do ponto de vista do tratamento experimental, a pesquisa alcançou resultados promissores na fase crônica, com efeito na carga parasitária no interior de cistos cerebrais”, afirma.

Recentemente, Fernanda publicou artigo sobre a etapa atual da pesquisa na revista científica Plos One, periódico da Public Library of Science, classificado com conceito A1 de excelência internacional, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O trabalho científico pode ser lido AQUI.

A iniciativa conta ainda com apoio do Departamento de Fármacos e Medicamentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara.

GRUPO DE ESTUDOS – Com mais de 15 anos de atuação, o Grupo de Pesquisa em Toxoplasmose da UEM investiga diferentes genótipos de Toxoplasma gondii, principalmente cepas encontradas no Brasil. O intuito é associar o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores a outros estudos clínicos em humanos, vislumbrando um tratamento para a fase crônica da doença.

Em paralelo, o grupo de pesquisa vem apoiando o ambulatório do Hospital Universitário Regional de Maringá na realização de exames complementares para detecção e tratamento de pacientes.

DOENÇA – A toxoplasmose é uma zoonose transmitida pelo parasita Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes de gatos, que pode se hospedar em humanos e outros animais. O protozoário pode estar presente em vários lugares, principalmente alimentos, tais como carne crua ou mal passada, verduras mal lavadas (apenas o hipoclorito não mata), frutas, frescais consumidos crus, peixe cru e água não filtrada ou não fervida.

Além disso, o manuseio de terra sem luvas e o contato com os gatos também aumentam os riscos da infecção. O período de incubação ocorre de 10 a 23 dias, caso a fonte causadora seja a ingestão de alimentos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que doenças como a toxoplasmose são, muitas vezes, negligenciadas pelos países. Nos Estados Unidos, a incidência e prevalência da doença alcança a marca de 40%. No Brasil, a estimativa é que 80% da população já teve contato com o Toxoplasma gondii. Na América do Sul também há grande ocorrência de comprometimento ocular, incluindo recaídas de pessoas que já se encontram em fase crônica da infecção.

Os maiores surtos de toxoplasmose ocorreram entre os anos de 2001 e 2002, no município de Santa Izabel do Ivaí, no Noroeste do Paraná, e mais recentemente, em 2018, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em ambos os casos, as endemias surgiram a partir de contaminação na rede de abastecimento de água dos municípios, e ultrapassaram a marca de 1.300 pessoas doentes, conforme alertaram as autoridades sanitárias.

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