A Câmara de Vereadores de Cambará terá que decidir na noite desta segunda-feira (24) se aprova ou não o projeto de Lei Complementar que dispõe sobre a extinção de cargos da administração pública municipal.
O polêmico projeto visa terceirizar a contração de mão de obra para cargos na prefeitura sem que haja a necessidade da realização do concurso público. A questão divide opinião entre os moradores. Uma parte das pessoas ouvidas pela reportagem acredita que a terceirização irá desburocratizar o sistema. Por outro lado, há quem vê a manobra com um certo ceticismo e prefira o modelo tradicional.
O problema, é que nessa altura o prefeito não tem outra saída. José Salim Haggi Neto (MDB), está impedido de realizar concurso sob a força da Lei federal 173 conhecida como a Lei da Pandemia, baixada pelo Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que proíbe, entre outras coisas, a realização de concurso público. A Lei está em vigor para preservar que os recursos financeiros destinados aos Estados e Municípios pelo Governo Federal seja aplicado estritamente no combate a pandemia.
O último concurso público realizado em Cambará aconteceu na gestão do então prefeito João Mattar, em 2016, e expirou no final 2020.
Fontes ligadas ao poder informam que faltou planejamento ao atual gestor de Cambará que deveria ter previsto o problema durante o início da pandemia. Houve tempo para isto. Não resta outra alternativa ao prefeito a menos que ele convença a opinião pública e os vereadores a votarem a favor no projeto de lei.
O problema é que o prefeito ao invés de esclarecer a população com diálogo sério e equilibrado, usa o costumeiro discurso vitimísta para tentar atacar quem questiona suas ações.
Foi o que aconteceu hoje pela manhã. Convidado a falar sobre o assunto no Programa Circulando no Rádio, o Prefeito justificou estar numa reunião para evitar falar com a população, mas usou os mesmos microfones da 104,9FM, num outro programa, para dizer que está sendo vítima de pressão política. A população esclarecida esperava ouvir do mandatário os argumentos certos, com as justificativas ponderadas que pudessem tranquilizar o cidadão pagador de imposto de que nada há o que temer.
Nem a experiência de três mandatos permitiu que ele deixasse de lado o velho discurso corrosivo. Ao invés de usar a inteligência, preferiu partir para o ataque, se colocando na posição de vítima diante do imbróglio.
É uma pena que tenha gente que ainda caia nessa narrativa corrosiva, que não esclarece e não informa.
Afinal, Cambará ganhará ou perderá com a iniciativa de transferir para a iniciativa privada a contratação dos cargos públicos?
Com a palavra, o Alcaide...