

Vênus desliza entre a Terra e o Sol nesta terça-feira, 5, um espetáculo extremamente raro, que poderá ser visto nas Américas Central e do Norte e que continuará rumo à Europa. Cientistas esperam que o chamado trânsito de Vênus ajude na compreensão do sistema solar e a refinar as percepções sobre planetas distantes.
O trânsito de Vênus foi registrado apenas seis vezes na história e não irá se repetir até 2117. Cada vez mais, os cientistas entendem melhor o movimento deste planeta e a curiosidade aumenta, mexendo com a imaginação. O trânsito de 1882 inspirou Edmond-Louis Dupain a pintar, no teto de um observatório em Paris, uma Vênus quase nua, deusa do amor, flutuando por todo o caminho do Sol.
Se você estiver em uma das regiões onde o fenômeno estará aparente e observar o céu nesta tarde – usando um filtro solar seguro ou por uma imagem projetada – você verá uma mancha escura atravessando o Sol, com diâmetro um trigésimo menor que o do Sol, e assim, deve parecer uma bala atravessando nossa estrela.
Quatro sondas da Nasa irão observar o fenômeno – incluindo duas que medem uma queda de um décimo na energia solar que atinge a Terra. Ao medir as variações desta redução de luz durante o trânsito, os cientistas esperam obter pistas sobre o que acontece quando todo planeta, incluindo os chamados exoplanetas, transita longe de sua estrela.
Estes objetivos não poderiam ter sido imaginados por Johannes Kepler, que observou que as órbitas planetárias eram elípticas e não circulares e previu o trânsito de 1631. Ninguém o registrou, mas em 1639, Horrocks previu outro trânsito e se tornou o primeiro a observá-lo. Horrocks também percebeu que o movimento acontece com mais de um século entre um e o seguinte, em pares de oito em oito anos. Mais de 100 expedições, de muitos países, foram enviadas para observar o trânsito seguinte, em 1761 e 1769, na esperança de que o tempo do movimento ajudaria a determinar o tamanho do sistema solar. O método foi idealizado por Edmund Halley.
No trânsito desta terça-feira, os cientistas esperam fazer observações ainda melhores de Vênus no caminho do Sol. Durante as seis horas em que o fenômeno será visível, a nave Kepler irá tentar detectar planetas semelhantes à Terra, com zona habitável, perto de estrelas distantes. Os cientistas também irão usar o telescópio espacial Hubble, que está orbitando a Terra, para tentar detectar como as moléculas na atmosfera de Vênus afetam a luz solar que atinge a Lua.