
O entrevistado da vez, da série de sabatina que o Circulandoaqui se propôs a realizar com os pré-candidatos a prefeito de Cambará, é João Mattar Olivato, (PSB). João escolheu o Restaurante Kojó em Bandeirantes para conceder a entrevista exclusiva.
Como bom cristão, João preferiu pedir peixe na grelha, tendo em vista que estamos em plena semana da paixão.
Visivelmente mais maduro e seguro com as palavras, João Mattar falou de sua vida, recordou momentos da infância, disse que trabalha desde os onzes anos e que ingressou na política por ideologia. “Nasci para servir, acho que posso ajudar muito se um dia tiver a oportunidade de mostrar que minhas ideias são boas” comentou.
| "Não pedi, mas Deus escolheu a melhor mãe que minhas filhas poderiam ter" Diz João Mattar |
Esta será a quarta vez, caso o partido lhe dê o aval, que João Mattar disputará a eleição para Prefeito.
João se lançou na política nas fileiras ideológicas do grupo político liderado por Mohamed Ali Hamzé – o Mamede.
“Rompi com o Mamede, por entender que sua visão política para Cambará se distorcia daquela que eu esperava, no entanto, Mamede foi um grande político, soube como poucos edificar uma história de vida pública” declarou.
Sobre o pleito deste ano, João foi categórico ao afirmar que a indicação do candidato a prefeito de Cambará sairá de forma democrática e que irá respeitar a decisão da aliança política liderada por Luis Dias, líder do PSDB na região e braço direito do Governador Beto Richa.
“Espero por este momento, quero muito esta oportunidade, no entanto, penso que a soberania da aliança deva ser respeitada” declarou.
Casado e pai de duas filhas, uma delas portadora de cuidados especiais, João informou que se renova a cada dia na presença da família.
| Foto: Roberto Francisquini |
![]() |
| João Mattar Olivato, (PSB) se confirmada, esta será a quarta eleição que o político irá disputar |
Acompanhe os principais trechos da entrevista
*
Circulandoaqui: Qual sua melhor lembrança da infância?
João Mattar: Minha infância foi tão boa quanto curta, pois aos onze anos já trabalhava. Meu primeiro ofício foi no cartório do senhor Lauro Leite, um grande homem, aprendi muito com ele. Aos trezes anos trabalhei no departamento do INCRA, que naquela época era anexo à prefeitura. Aos quinze anos trabalhei na Volkswagen que funcionava no prédio da família Massabik. Aos 16 anos ingressei no Bamerindus hoje, HSBC e atuei lá até os vinte anos. Depois disso, abri uma locadora de vídeo, tive uma loja de materiais de construção, e outros negócios. Hoje atuo na área agrícola. Tenho uma empresa que presta serviço no transporte de cana de açúcar e emprego dezenas de trabalhadores.
Circulandoaqui: Qual sua formação acadêmica?
João Mattar: Sou formado no magistério, Sou bacharel em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão de Negócios e Marketing e posso dizer que sou especialista em informática. A titulo de informação cursei três anos e meio de educação física.
Circulandoaqui: Quando iniciou na política?
João Mattar: Ingressei na política em 1996, época em que fui eleito vereador.
Circulandoaqui: Você foi eleito pelo PMDB, mesmo partido do então prefeito Mamede, que se tornaria mais tarde seu maior rival na política. Fale a respeito.
João Mattar: Você entra na política sem saber o que é política. Sempre admirei o prefeito Mamede, mas infelizmente tivemos alguns problemas, principalmente quando eu era presidente da Câmara. Ele tinha um jeito de pensar eu tinha o meu, vi que não haveria como conciliar as idéias, e decidi mudar de partido (naquela época não havia a lei que caracterizava a mudança de partido como infidelidade partidária. Se fosse nos dias de hoje, o político poderia perder o mandato). Desde então passei a fazer oposição e a enfrentá-lo nas urnas.
Circulandoaqui: Mas qual foi o epicentro da discórdia?
João Mattar: Na política ou você aceita o que lhe é proposto e se cala como tem feito muitos políticos por aí, certo, ou você tem a consciência de lutar pelos seus objetivos, foi o que fiz. E não estava errado.
Veja por exemplo o que está acontecendo hoje. Hoje temos vereadores pagando o preço por esta responsabilidade. (se refere aos vereadores que aprovaram um pedido feito pelo Mamede de reformar o prédio da Associação comercial – se for acatado, os vereadores envolvidos poderão ter seus direitos políticos suspensos pela lei da ficha limpa). Talvez eles tenham feito isto na inocência, ou até de boa fé, mas o veja o que deu. Eu sempre fui pelo lado correto e nunca vou abrir mão disto. É mais difícil ser correto, mas vale apena. Sempre valeu apena.
Circulandoaqui: Desde que você surgiu como candidato opositor ao grupo mamedista, você tem sido alvo de todo tipo de provocações, tendo sua mãe como alvo. O que você tem a nos dizer a respeito?
João Mattar: É difícil para um filho ouvir algo pejorativo sobre sua mãe. Só critica a mãe dos outros as pessoas que não respeitam a sua própria mãe. Quem ama sua mãe como eu amo a minha sabe como é difícil passar por momentos assim. Não fiz e jamais faria o que fazem comigo, mas não dou ouvidos mais. Construí minha vida pautada no trabalho honesto e aprendi desde cedo que Deus tem mais a dar aos perseverantes. Esta é a ferramenta que usaram e certamente vão usar contra mim. Falar de mim e de minha mãe é uma pegadinha que não cola mais. O povo acordou, não acredita mais nessas mentiras.
Circulandoaqui: Então você não se importa no que pensam a seu respeito?
João Mattar: O mais importante é o que minha consciência pensa de mim mesmo. Sou o que sou. Meus objetivos são bem definidos e não há espaço para malandragem.
Circulandoaqui: Porque quer ser prefeito?
João Mattar: Porque acredito que possa ser útil a minha cidade. Se abrir mão desta tarefa, abro mão para os oportunistas. E as novas gerações, que futuro terão?
Circulandoaqui: Como é seu relacionamento com Luis Dias líder do PSDB na região e um dos homens de confiança do Governador?
João Mattar: Não poderia ser melhor. Luis Dias é um grande empresário, homem de confiança da comunidade cambaraense, sério, ético e amigo. Partilhamos do mesmo ideal que é fazer de Cambará uma terra de ordem e de grandeza, dar condições para que as famílias cambaraenses possam prosperar. Partilhamos o sonho de ver o índice de violência e de pobreza reduzido a zero. Não é difícil alcançar este objetivo. Precisamos que outras pessoas partilhem o mesmo ideal. Ao que tudo indica, estamos no caminho.
Circulandoaqui: Por falar em drogas e violência, você tem alguma idéia economicamente viável para tentar barrar o avanço desta, que é a principal enfermidade dos cambaraenses?
João Mattar: Primeiro temos que urgentemente tentar gerar empregos e qualificar mão de obra. É sabido que o trabalho dignifica o homem. Uma família que tem um trabalho digno está mais propensa ao equilíbrio e isto é essencial.
Segundo, precisamos educar nossas crianças. Dar a elas motivos para que seus sonhos de infância se estendam até a adolescência e assim tenham uma juventude mais centrada, com seus direitos assegurados e, sobretudo, cobrando suas obrigações. Não é difícil, temos que fazer isto, caso contrário vamos continuar a assistir coisas ruins acontecerem.
Circulandoaqui: Mudando de assunto. E família. Como estão as meninas? Fale sobre a Edilaine.
João Mattar: As meninas estão ótimas. A Luiza está muito sapeca e preenche a casa com suas brincadeiras. A Laura, como todos sabem, precisa de atendimento especial. Torço para que um dia possamos encontrar um formula de cura para ela, não para nos aliviar, mas sim para que ela possa partilhar das boas coisas que a vida oferece.
Falar da Edilaine é falar de amor. Acabamos de falar da minha mãe. Mãe, este é um ser sagrado.
Não pedi, mas Deus escolheu a melhor mãe que minhas filhas poderiam ter. A Edilaine é generosamente especial, dedicada, sobretudo, amorosa. Esta mulher é guerreira, tem um amor gigante dentro dela. Sou grato à Deus por tê-la como minha companheira.
A cada dia me vejo ainda mais apaixonado por esta mulher.