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| Campeonato de futebol de robôs, construídos por crianças de 5 a 11 anos, do Colégio Marista Paranaense |
Curitiba
Lucas Marins da Gazeta do Povo
Em vez de quadro-negro e carteiras, a sala de aula tem furadeira, martelos, parafusos, grampos e serra tico-tico. E como atividade principal: a construção de um robô. O nome da aula é robótica, uma “multidisciplina” que, apesar de parecer ficção científica, é um aparato pedagógico capaz de desenvolver raciocínio lógico, criatividade e relacionamento interpessoal.
O objetivo final não é construir um robô perfeito, mas superar as fases envolvidas no projeto. Para concluir uma máquina que ande em linha reta, por exemplo, o aluno precisa utilizar fórmulas matemáticas, conceitos da física, geometria, mecânica, raciocínio lógico e até noções de planejamento.
“Desenvolve-se a parte prática, sempre fortalecendo a teoria”, diz Leandro Augusto, diretor da escola de educação tecnológica LA Robótica Educacional, localizada em Curitiba.
Entre seus alunos de 5 a 11 anos está Pedro Achraf, 6 anos, do Colégio Marista Paranaense. “Quando ele sai das aulas normais, não se lembra de quase nada do que aprendeu. Agora, depois da aula de robótica, lembra-se de tudo. Isso porque ele toca nos aparelhos, experimenta, erra, acerta e socializa com os colegas”, diz o pai do menino, o engenheiro da computação Omar Achaf, 43 anos, que considera a experimentação algo fundamental na aprendizagem.
A construção de robôs em sala de aula não significa a panaceia para o modelo de educação brasileira, afirma o professor e mestrando em Ensino de Ciências, Ronnie Zanatta. “É só um recurso. O aprendizado do aluno vai depender mais de como o docente ensina”, comenta.
Nova metodologia
Segundo ele, o primeiro passo para utilizar robôs em sala de aula é entender que o modelo tradicional de ensino – associado a aulas expositivas e alunos enfileirados um atrás do outro – está mais do que saturado. Já o segundo passo é explorar o equipamento. “Não adianta usar algo que você não conhece. É ideal passar uns três meses estudando o material antes de apresentá-lo aos estudantes”, explica.
Enquanto algumas escolas usam madeira, peças antigas e até controles de videogames no processo de construção de robô, outras preferem os kits de montagem. Um dos mais conhecidos é o kit Lego, composto por peças, polias, engrenagens e bloco de programação – um “cérebro”, que deve ser programado por meio de softwares simples, como a Logo, um tipo de linguagem de programação para crianças desenvolvida na década de 60 nos Estados Unidos.
Para o Ph.D. em Engenheira Mecânica Robótica Alcy Rodolfo dos Santos Carrara, a inclusão da robótica na educação brasileira é uma forma de enriquecer o currículo escolar, que hoje é pobre em atividades práticas. “A criança e o jovem já começam a ter aquela ideia de que podem inventar, algo até então tolhido em sala de aula”, diz.