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Projeto desenvolvido por cambaraense ganha prêmio nacional

Lucas Fernando Armstrong é estudante de Design de Produto da Universidade Federal do Paraná e projetou uma cadeira de rodas adaptada a carro elétrico

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
12/06/2012 às 14h27 Atualizada em 12/06/2012 às 17h29
Projeto desenvolvido por cambaraense ganha prêmio nacional

 

 

Um pequeno carro adaptado a uma cadeira de rodas, desenvolvido por dois estudantes de Design de Produto da Universidade Federal do Paraná, foi premiado com o terceiro lugar no Prêmio Alcoa de Inovação em Alumínio. Eles desenvolveram um carro elétrico que é adaptado a uma cadeira de rodas e, assim um deficiente poderia se locomover pelas ruas e chegando a locais fechados, desconectaria a cadeira do carro e prosseguiria normalmente. O alumínio deixa a cadeira de rodas leve e mais fácil de transportar.


Os estudantes Lucas Fernando Armstrong e Cesar Augusto Cândido Zardo estão no 4º ano do curso e foram orientados pelo professor Ken Flávio Ono Fonseca. A premiação foi realizada em São Paulo. Os estudantes receberam diplomas e R$3 mil em dinheiro. Explicam que a ideia do projeto surgiu quando concluíram a falta de um meio de locomoção bonito e adequado para cadeirantes. Depois fizeram uma pesquisa na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), e perceberam que a maior dificuldade encontrada por este grupo é a falta de mobilidade urbana, principalmente em vias públicas.

Mas o curioso é que os alunos experimentaram a cadeira de rodas por dois dias e depois de enfrentar as dificuldades vividas pelos deficientes para se locomover, resolveram dividir o trabalho em dois módulos, o alfa que susbstituiu a cadeira de rodas convencional e o beta que trata do transporte em vias públicas. Afirmam ainda que o uso do alumínio propiciou redução do peso final, maior resistência estrutural e durabilidade. E como a densidade do material é baixa, a potência dos motores é menor e a economia de energia maior.

O prêmio Alcoa é tradicional na área e reúne estudantes de todo País. A empresa é uma das maiores fabricantes mundiais de alumínio e incentiva o desenvolvimento de novos produtos.

Lucas esteve na redação do jornal na manhã desta sexta-feira, 08 e falou com exclusividade ao Circulandoaqui.

Acompanhe alguns trechos da entrevista.

 

Circulando: Lucas, nos fale um pouco sobre esse projeto seu que recebeu a terceira melhor colocação no país, sobre a Alcoa.

Lucas: Na verdade esse projeto começou como uma matéria do terceiro ano, uma disciplina do meu curso, o projeto 3, e tínhamos que desenvolver um produto com uma essência nobre, um produto feio mas com essa essência, “o feio e o belo” ou tínhamos outro tema “o defeito que vira efeito”. A partir daí, nós pesquisamos os produtos que tinham essa categoria nobre mas que ninguém quisesse ou gostaria de consumi-las e o produto com a maior característica era a cadeira de rodas. Daí, fizemos muitas pesquisas, fomos ao Centro de Recuperação em Curitiba, a ADFP (Associação dos Deficientes Físicos do Paraná), e acompanhamos a reabilitação de algumas pessoas, isso ajudou a catalogar todos os problemas que os cadeirantes enfrentam, pois não é fácil a pessoa se deslocar pelas ruas, até mesmo em suas casas. A vida de um cadeirante é muito complicada, nos foi muito edificante a convivência com essas pessoas, ouvindo suas histórias e percebemos que muitas delas passaram a ver a vida de um ângulo diferenciado e aprenderam a dar um valor diferente a vida, e isso foi muito gratificante para nós.

 

Experiência:

 

Para tentar entender a vida de um cadeirante só mesmo estando na condição deles, foi aí que eu e meu amigo César Augusto Candido Zardo resolvemos alugar duas cadeiras e as utilizamos por dois dias. Fizemos tudo utilizando a cadeira. Fomos de casa para universidade, pegamos ônibus, entre outros. Foi a partir daí que conseguimos focar nos principais problemas, que é a mobilidade nas ruas, nas calçadas. Mesmo estando em condições perfeitas, as cadeiras de rodas puxam para um lado ou para outro, o cadeirante é sempre dependente de alguma segunda pessoa, especialmente em subidas, rampas de acesso. É tudo muito complicado.

Outra queixa dos cadeirantes é que eles praticamente disputam espaços com os veículos nas ruas, mesmo porque as calçadas são muito intransitáveis, tem muito obstáculos e muitos buracos também, isso que fizemos o teste em Curitiba que é uma referência no que diz respeito a acessibilidade. Com essas informações em mãos, desenvolvemos varias alternativas de veículos e focamos em valores. Precisávamos de um veículo barato que a pessoa  pudesse entrar com uma cadeira de rodas dentro deste veículo. Foi então que passamos a desenvolver o projeto levando-se em consideração o espaço interno o conforto para o cadeirante e que ele pudesse parar na perpendicular na calçada, pois ele desce pela frente do veículo, isso irá facilitar bastante na hora de entrar e de sair do veículo.

 

Circulando: O projeto foi idealizado no objetivo de entrar na disputa do concurso nacional ou é um protótipo desenvolvido na universidade que pode vir a ser produzido em larga escala?

Lucas: Na verdade esse é um projeto de universidade, nós pensamos em aprimorar mais a engenharia desse projeto e, a partir daí, começar a negociar, a achar um empresário que patrocine a idéia ou que tivesse um apoio governamental para o projeto sair do papel. Quando nós ficamos sabendo da Alcoa, que é por sinal muito cobiçado pelas faculdades, pois ele não engloba apenas design, mas sim todas as disciplinas de cursos universitários inclusive muitos médicos e engenheiros mandam seus projetos para o Alcoa, buscando um incentivo a inovação. Se você tem um projeto que se possa ser aplicado o alumínio, você pode mandar para lá, tanto o profissional quanto o estudante. Em nosso projeto não foi diferente, tanto que o alumínio é mais barato que fibra de carbono, e adaptamos bem o material.

 


Os estudantes Lucas Fernando Armstrong e Cesar Augusto Cândido Zardo estão no 4º ano do curso 

de Design de Produto da Universidade Federal do Paraná


Circulando: Fale um pouco da Alcoa

Lucas: A Alcoa é a maior produtora de alumínio do mundo, com sede nos Estados Unidos e compõe mais de 150.000 funcionários pelo mundo e foi através da Alcoa que inventaram a Idrolis do alumínio, então todos os produtos que levam o alumínio, é graças a Alcoa.

Foi bem gratificante ter recebido esse premio como reconhecimento por parte deles.

 

Circulando: Quem estava nesta festiva?

Lucas: A equipe do nosso projeto, eu e meu parceiro Cesar Zardo e meu professor/orientador. Houve um evento no dia 31 de Maio em São Paulo e dos meus próximos que pode ir foi minha namorada Jéssica Trautwein, e fiquei feliz com a presença de uma equipe de Designers de São Paulo muito famosa, que os conhecia apenas através da internet, e eu mandei os convites para eles e felizmente eles apareceram por lá, a Equipe  CT, que recentemente lançaram um veiculo de R$ 2.000.000,00, foi um prazer muito grande recebê-los lá, pois eles são uma referencia para nós.

 

Circulando: Ainda falando desse projeto, o que esse prêmio vai significar para sua vida profissional?

Lucas: Para a vida profissional eu espero um grande reconhecimento, e agora, através do site da Alcoa, nosso projeto esta sendo bastante divulgado, já tenho até uma entrevista marcada com a Globo, a RPC, a Record e a Gazeta do Povo, isso serve para que divulguemos a idéia, mas o principal objetivo meu não é de alavancar minha carreira profissional, o que eu mais gostaria é de ver esse projeto saindo do papel porque ele se trata de um projeto social e eu conheço as dificuldades dos cadeirantes no Brasil, pois hoje, temos mais de 900 mil cadeirantes e a grande maioria, utiliza se de cadeiras ultrapassadas, e muitos desses tem sérios problemas de lesões na coluna e isso seria muito gratificante para nós.

 

Circulando: Você tem idéia de valor, por se tratar de um protótipo, quanto custaria uma cadeira dessas no mercado?

Lucas: Na verdade, ela não vai ser uma cadeira tão acessível quanto nós gostaríamos, por conta dos mecanismos elétricos, que é imprescindível para a cadeira, mas nós acreditamos em um valor abaixo de 15 ou 20 mil reais, comparando com uma boa cadeira de alumínio manual que hoje custa em torno de 10 a 12 mil reais, ou para se adaptar um veiculo que gasta ainda muito mais, nosso projeto visa melhorar a condição do usuário de cadeira de roda, melhorando sua qualidade de vida  Partindo desse pressuposto, nossa idéia é de que o governo nos apóie e ajude a fazer com que o custo dessas cadeiras abaixem.

 

Circulando: Em que ano do curso que você está?

Lucas: Estou no quarto ano, meu ultimo ano, tanto é que meu TCC é sobre cadeira de rodas, ela não é elétrica, é manual, para ser mais acessível, estou usando um mecanismo de propulsão nas cadeiras manuais, pois elas são muito atrasadas, há mais de 200 anos são produzidos esses mesmos tipos de cadeiras e as lesões que elas causam aos usuários são extremamente graves.

 

Circulando: Quais são seus projetos para o futuro, pós, intercambio, casamento?

Lucas: Estamos encaminhando para o casamento, aproveitando o espaço, gostaria muito de agradecer a Jessica Trautwein, minha namorada, pelo apoio, atenção e paciência tida comigo durante esse percurso da minha vida. Primeiro vou terminar esse curso na universidade, conseguir uma estabilidade, um trabalho, tenho planos de fazer mestrado em Tranportation Design no exterior, se tudo der certo. Meu objetivo desde criança foi entrar em uma industria automotiva, que é um setor muito fechado aqui no Brasil, esse setor ainda engatinha em nosso país, e as vagas que existem são muito restritas, é claro que com ótimos profissionais. Atualmente eu



Lucas Vieira com a namora Jéssica Trautwein no dia da entrega do prêmio em São Paulo. 


estagio em um conceituado escritório de Design em Curitiba, a TEC Design, e nós desenvolvemos produtor para todos os tipos de indústrias, desenvolvemos desde um pregador de roupas, um alfinete até uma carenagem de helicópteros. Isso também ajuda bastante no meu Currículo e venho ganhando bastante experiência. Espero me formar agora e entrar em uma empresa automotiva, de carros ou de ônibus e a partir daí, ir para as sedes destas empresas, que na sua grande maioria, é no exterior.

 

Circulando: Onde você nasceu?

Ourinhos, mas sempre criado aqui em Cambará.

 

Circulando: quem são seus pais?

Lucas: Janete Armstrong e Valmor Vieira, produtores de peixe há mais de 25 anos.

Circulando: Seus irmãos....

Lucas: Tenho meu irmão mais velho, o Robson que está terminando Engenharia Elétrica em Curitiba, e tenho minha irmã mais nova a Vitória de 13 anos, e pelo que me parece, vai seguir os meus passos, ela adora desenhar, rsrs

 

Circulando: Como foi para a família a noticia do premio?

Lucas: Nossa, foi maravilhoso, eles ficaram empolgadíssimos, mas não puderam ir no evento por ser em plena quinta-feira e em São Paulo ainda, ficou inviável para eles.

 

Circulando: Quando você descobriu essa paixão pelos desenhos?

Lucas: Toda criança sabe desenhar, mas aos 10, 12 anos a criança vai perdendo o interesse, e comigo foi o contrário, eu gostava muito de carro e eu me pegava desenhando carros em tudo, papéis, paredes, carteiras. Até hoje nas aulas, as vezes me pego fazendo desenhos de carros, acho que isso se tornou um vício bom, não é? Eu também gostava muito de Biologia, tanto é que tenho meu Orquidário, gosto de animais exóticos, eu tenho uma iguana que gosto muito. Mas o que realmente me trouxe para o Design foi a chance de eu poder criar um produto e depois vê-los na prateleira de um comércio sendo usado pelo grande publico, contribuir para um mundo melhor, mais sustentável, isso é muito gratificante.

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