
Curitiba
Gabriel Azevedo
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| Fachada do hotel Full Jazz, da rede Slaviero: diferença de 131% na diárias de hoje para as da época da Copa |
A oito meses do Mundial da Fifa, as diárias para o período já estão definidas e vão pesar no bolso dos hóspedes. Levantamento da Gazeta do Povo na rede hoteleira de Curitiba mostra que as tarifas podem triplicar em relação ao que é cobrado hoje. A pesquisa avaliou a menor diária para duas pessoas, em quarto standard, em outubro de 2013 e junho de 2014. Nos nove hotéis pesquisados em Curitiba, as altas vão de 56% a 208%.
Entre os campeões dos aumentos estão hotéis independentes, como o Nikko Hotel, na Barão do Rio Branco, no Centro de Curitiba, que oferece uma suíte por R$ 606 (hoje, o mesmo quarto não custa mais de R$ 248), e redes grandes, como Bourbon e Slaviero.
As tarifas em Curitiba estarão mais caras que as cobrados por hotéis de luxo em Foz do Iguaçu, principal destino turístico do Paraná. Mesmo durante a Copa, quando a cidade no Oeste do estado espera receber um número maciço de turistas, o tarifário não dá sinais de que vai disparar. A mesma pesquisa foi realizada na rede hoteleira em Foz. No Hotel das Cataratas, um dos mais tradicionais da cidade, a tarifa estará 2% mais barata, inclusive.
Aumentos
A escalada de preços não é novidade. O Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) tem realizado várias pesquisas sobre as tarifas hoteleiras no país. Em agosto, encontrou uma diferença de até 583% entre as diárias praticadas naquele mês no Rio de Janeiro e aquelas previstas para o período da Copa do Mundo.
O estudo se baseou nos valores apresentados pelo próprio site da Fifa nas 12 cidades que vão sediar o evento, comparando-os com as tarifas cobradas pelos mesmos hotéis em seus sites de reserva ou sites de reservas de viagens on-line, para estadia entre julho e agosto deste ano.
Neste estudo, a tarifa média para Copa de 2014 em Curitiba foi de US$ 253 (R$ 560). O valor está bem acima do que foi cobrado em Berlim durante o mundial de 2006: US$ 186. “Esses aumentos abusivos vão dificultar a vinda de estrangeiros depois da Copa”, prevê Flávio Dino, presidente da Embratur. “Nossa preocupação não é o evento. Durante a Copa, os hotéis estarão lotados. O problema é depois”, afirma.
Para atenuar os avanços no valor das tarifas, o governo federal enviou um comunicado oficial para a Fifa e para representantes do setor hoteleiro de todo o Brasil, solicitando a renegociação dos preços das diárias de hotéis estabelecidos para a Copa do Mundo 2014. No comunicado, a Embratur diz que “o que se nota é a projeção de um estratosférico crescimento das tarifas hoteleiras”.