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Governo investiga conta mantida por Pizzolato em banco da Suíça

Movimentação bancária ocorrida após fuga mostraria que ex-diretor do Banco do Brasil está mesmo foragido na Europa

Por:
18/01/2014 às 10h36
Governo investiga conta mantida por Pizzolato em banco da Suíça

Agência Estado


 

Autoridades brasileiras e da Suíça investigam uma conta secreta operada pelo paranaense Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil que fugiu do país após ter a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela condenação no julgamento do mensalão. Suspeita-se que a conta aberta num banco suíço teria saldo de quase R$ 2 milhões. Ela foi movimentada após a fuga de Pizzolato, há cerca de dois meses, segundo investigadores brasileiros e suíços. O saldo, contudo, não está zerado, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo em sua edição de ontem.

De acordo com informações apuradas pela reportagem, para o governo brasileiro a conta no exterior mostra que a fuga de Pizzolato foi “muito bem planejada”. A Polícia Federal já tem certeza de que o ex-diretor do BB foi mesmo para a Itália, mas não tem recebido cooperação da polícia do país europeu, única que poderia aprofundar as investigações sobre o seu paradeiro. Pizzolato possui dupla cidadania, o que garante a ele o direito de permanecer na Itália. Um tratado entre Brasil e a nação europeia não permite extradição de quem tem dupla cidadania.

Até o fim do ano passado, a PF ainda trabalhava com a hipótese de Pizzolato estar até mesmo no Brasil. Ele teria solicitado em algum país que faz fronteira com o Brasil uma autorização de retorno para a Itália e não um novo passaporte. Ele viajou acompanhado da mulher, Andrea Haas.

A investigação sobre Pizzolato é tocada pela recém-criada coordenação de rastreamento e captura da Polícia Federal, ainda não formalizada, mas já responsável por cuidar da situação do ex-diretor do Banco do Brasil. Uma equipe de seis policiais trabalha no caso. A PF também conta com a ajuda da Interpol, organização internacional que reúne polícias de vários países. A Procuradoria-Geral da República e a PF mantêm o assunto sob sigilo.

Na Suíça, fontes da polícia e da Justiça local confirmaram o trabalho conjunto com as autoridades brasileiras. O foco é traçar o caminho exato do dinheiro de Pizzolato. Diplomatas do Brasil disseram que, nas últimas semanas, uma “intensa troca” de cartas e comunicações entre Brasília e Berna, na Suiça, foi registrada sobre esse assunto.

Resistência

Apesar de Brasil e Suíça manterem um acordo de cooperação judicial, o pedido de ajuda de Brasília aos suíços enfrentou uma certa resistência inicial para ser atendido. Isso porque o suposto crime não teria ocorrido na Suíça e não existiriam provas na Justiça local de que o dinheiro movimentado fosse fruto de corrupção.

O que permitiu a cooperação foi o fato de o nome de Pizzolato ter entrado na lista da Interpol. Com isso, as autoridades da Suíça também foram levadas a colaborar com um caso de alguém que já havia sido julgado e condenado em última instância.

O pedido de ajuda do Brasil foi tratado pelo Escri­­tório Federal da Polícia, conhecido como Fedpol. Uma vez recebido, o departamento lançou uma busca nos can­­tões suíços, obrigou ban­­­­cos a buscar o nome de Pizzolato e conseguiu identificar a movimentação na área que seria de responsabilidade legal de Genebra.

Jacinto Lamas é autorizado a trabalhar

Folhapress

O ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas deve começar a trabalhar como assistente administrativo em uma empresa de engenharia de Brasília na próxima semana. Ele obteve autorização da Justiça na última segunda-feira e foi transferido para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) no fim da tarde de ontem. O local é destinado aos presos que podem trabalhar ou que têm o benefício da saída temporária.

De acordo com seu advogado, Décio Lins e Silva, Lamas já está instalado em uma ala especial do CPP por questões de segurança. “Vamos resolver a burocracia hoje [ontem] e acredito que ele já possa trabalhar a partir de segunda ou terça-feira da semana que vem”, disse. Silva esteve no CPP ontem pela manhã e conversou rapidamente com Lamas. “Ele está ansioso para voltar ao trabalho”, disse. O advogado contou que Lamas tem a companhia de outros 20 detentos que dividem com ele a ala especial.

Diferentemente da Pa­puda, não há visita para os presos do CPP. No entanto, a cada 15 dias eles podem passar o fim de semana em casa, no endereço informado à Justiça. Os condenados são proibidos de passear pela cidade e de sair do Distrito Federal. Apesar de poder sair para trabalhar, a rotina de Lamas dentro do presídio não será tão diferente da que ele tinha na Papuda.

No CPP também são servidas três refeições diárias e todos devem usar roupas brancas. O ex-tesoureiro dormirá em um treliche de ferro com um colchão normal. No banheiro, há apenas um cano que serve de chuveiro e não há vaso sanitário, apenas um buraco no chão, conhecido como “bacia turca”.

De acordo com a defesa, a empresa pagará a Lamas o salário de R$ 1,2 mil para desempenhar tarefas como receber correspondências, atender telefonemas e esclarecer dúvidas sobre a parte financeira, coordenar compras e manter organizado arquivos e cadastros da empresa. Além do salário, Lamas receberá vale transporte e R$ 11 por dia de vale alimentação. Lamas cumpre cinco anos de prisão em regime semiaberto.


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