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Curitiba será sede da 9º edição da Expocoop

“Queremos colocar o cooperativismo em contacto com o mercado privado” diz Luiz Branco, Presidente da Expcoop

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
01/04/2014 às 12h20 Atualizada em 02/04/2014 às 12h24
Curitiba será sede da 9º edição da Expocoop

 

 

 

 

Curitiba

Josiel Bastos


 

Mais uma vez, várias cooperativas de todo o mundo juntam-se numa feira, que tem por objetivo não só dar a conhecer o modelo de negócio do cooperativismo, mas também potenciar parcerias e abrir as portas de cooperativas brasileiras ao mundo.

A EXPOCOOP é uma feira voltada a divulgação de produtos e serviços do universo cooperativo. Vai ser realizada de 15 a 17 de Maio no Expo Unimed Curitiba. Esta será a 9º edição da feira mundial do cooperativismo.

A feira teve seu início no começo dos anos 2000 em São Paulo, mas logo chamou a atenção da ICA - International Alliance Co-operative, entidade maior do cooperativismo ligada a ONU, que fez o convite para a feira ir para a Europa e se tornar um evento internacional.

De 2008 a 2012 a feira passou por Portugal, Índia e Inglaterra e agora em 2014 retorna ao Brasil com mais de 100 expositores nacionais e internacionais, e visa um público na média de 6.000 visitantes, entre pessoas de negócios  e público em geral oriundos de todo Brasil e outros países.

Para o público geral, além de conhecer o universo cooperativo eles também poderão provar alimentos e bebidas de todo Brasil e de países. 

Além do Brasil, a Feira conta com a presença de cooperativas da Argentina, Paraguai, México, EUA, China Turquia, Nigeria, Namibia, África del Sud, Jamaica, Canadá, Sri Lanka, Portugal, Indonesia, India, Costa Rica, Espanha, França, Itália e Irã.

Luiz Branco, presidente da Expocoop, fala quais as suas expectativas em relação ao evento.


Esta é a nona edição da feira do cooperativismo. Porque sentiram a necessidade de fazer este evento no Brasil?

Luíz Branco (L.B.): A feira nasceu no Brasil, mas na época o foco primário era o mercado regional,  havia algumas particiapações internacionais que com o passar do tempo foram tomando dimensões maiores. Atualmente mais de 30 países participam com frequência e eles querem conhecer de perto o mercado brasileiro.

O projeto de apoio foi apresentado a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) que apostou na oportunidade de ampliação da internacionalização das cooperativas brasileiras e novos negócios, pois a cooperativa é uma empresa, está dentro do mercado, tem concorrência mundial e não há no Brasil uma feira nestes moldes para o setor .

 

Quais os principais objectivos da feira?

L.B.: Queremos colocar o cooperativismo em contacto com o mercado privado nacional e internacional, integrar e mostrar os diferenciais das empresas cooperativas e, claro, promover negócios.


Como é que o cooperativismo pode se “integrar”?

L.B.: O cooperativismo tem por hábito apenas trabalhar eventos dentro do próprio cooperativismo. O intercâmbio com cooperativas, empresas e pessoas de outros países favorece a mostra de produtos e os diferenciais. Divulgar que são produtos com responsabilidade social, comércio justo, sem intermediários, directo do produtor para o supermercado ou importador, é importante.


Porque Curitiba - Paraná?

L.B.: O Paraná destaca-se no cenário cooperativo brasileiro e está estratégicamente entre o Sudeste, Centro-Oeste e Cone Sul que e facilita o acesso dos polos econômicos brasileiros e dos países do Mercosul. Durante visitas técnicas, a cidade de Curitiba apresentou toda a infraestrutura que um evento internacional exige. O apoio da OCEPAR também foi importante.



Quantos expositores vão ter na feira?

L.B.: De expositores devem chegar por volta de 140, dentro de aproximadamente 20 países presentes na feira.


Esta feira foi bem recebida pelas cooperativas?

L.B.: Sim. Desde sua primeira edição as coperativas viram na feira uma oportunidade de ampliar suas relações comerciais e costrar os diferenciais dos produtos e serviços.


Em geral, quais são as maiores representações mundiais na feira?

L.B.: 43% Américas, 27% África, 16% Ásia e 14% Europa .


Acha que a realização desta feira pode ser benéfico para o cooperativismo brasileiro?

L.B.: Tenho a certeza . Fica compravado pela alto índice de satisfação de outros países que sediaram a Feira como: Portugal, Índia e Inglaterra.


Quem vão ser os expositores?

L.B.: Os expositores são essencialmente cooperativas. Entidades cooperativas de todos os ramos da economia.


Empresas a título privado podem participar como expositor?

L.B.: Somente se tiverem alguma ligação com o setor cooperativista, como por exempro um fornecedor.

 

Como é possível internacionalizar as cooperativas brasileiras?

L.B.: Apresentando-as para o mundo, preparando-as tanto a nível de produção, como exportar, definir quais países que o seu produto pode atingir. A Expocoop serve como ferramenta para alcançar este objetivo.


Quais são as vantagens que a feira pode trazer?

L.B.: Para além dos negócios, que é o principal foco, é possível fazer um pouco mais de marketing das cooperativas, na linha do conhecimento é possível interagir com outros países, outras tecnologias, conhecer experiências doutros países dentro do cooperativismo, ver como está a concorrência, relacionamento, formar alianças estratégicas.

 

Quais os sectores mais representados na feira?

L.B.: Embora tenha forte presença de cooperativas de crédito, saúde e produção o sector mais participativo é o agrícola.


Como por exemplo…

L.B.: Do Iraque vêm cooperativas que vendem tapetes, da África artesanato, da Índia tecnologia e fertilizantes, mas o forte da feira são alimentos e bebidas.


Como é disputar a guerra com as grandes feiras de Alimentos e Bebidas então?

L.B.: O público visitante é o mesmo: atacadistas, bares, restaurantes, hoteis, distribuidores, varejo em geral. A diferença da nossa feira é o expositor e seus produtos e serviços com alto valor social agregado.

Mas repito, a Expocoop é uma feira multi-setorial, apesar de ter 80% na área de alimentos e bebidas, a China vai trazer chá mas também tecidos. Então, um visitante de um hotel numa feira de alimentação apenas compra alimentos, mas aqui também pode comprar artigos de decoração, tecidos, outras coisas com o foco de ser cooperativa, de ter comércio justo, responsabilidade social.


Acha que o consumidor vê isso como uma mais-valia?

L.B.: É uma mais-valia para o varejo, porque o consumidor de hoje está mais exigente, escolhe os produtos consoante estes fatores. Inclusivamente é mais barato, porque elimina-se o distribuidor, não pode confundir responsabilidade social no marketing e na essência, como é o cooperativismo, isto é uma forma de trabalho.


Quanto custa ter um stand na feira?

L.B.: De forma básica, a área custa R$ 450,00/m², o stand básico R$ 150,00/m².


Qual é a área de exposição?

L.B.: Vamos estar no Expo Unimed Curitiba, que tem uma área total de 7.500m², os stands vão ocupar toda essa área, e mais uma outra que vai ser de congressos, para palestras e workshops.


Quais são as grandes diferenças entre um produto comercializado por uma empresa privada e uma cooperativa?

L.B.: No produto não há nenhuma diferença, é mais um modelo econômico, porque é possível ter produtos mais baratos e com qualidade. O produtor é o dono do produto, até ao final, normalmente o produtor agarra no que produz, vende e não pensa mais nisso. O produtor recebe pelo produto, tem uma parte do lucro, ele recebe mais, como comércio justo, tem mais vantagens com isso.

Existem vários produtos, que o próprio consumidor não sabe que vêm de cooperativas. Aqui no Brasil podemos citar a Aurora, Batavo e Paulista. Na Polonia, por exemplo, 90% da economia é baseada em cooperativas, 50% das exportações do Brasil, na área agrícola, são de cooperativas.

E as cooperativas de consumo?

A situação delas é interessante. Praticamente estarão na feira na forma de supermercados, não para expor, mas visitantdo para conhecer e comprar produtos. A isso chamamos de intercooperativismo, cooperativa fazendo negócios com cooperativas.


Qual a vantagem desse ciclo?

L.B.: Diminuir custos de compra, para o consumidor depois ter um produto mais barato. O próprio consumidor quando compra, tem que ser cooperado, sócio da cooperativa, e no final do ano recebe um dividendo da cooperativa, o lucro da cooperativa é dividido pelos sócios. É um sistema econômico organizado mundialmente pela International Alliance Co-operative (ICA), cuja sede fica na Bélgica, que divide o mundo por quatro continentes, por sua vez, os países de cada continente tem a sua macro e micro organização.

Quais são os grandes desafios do cooperativismo?

L.B.: O desafio é mostrar o seu trabalho e este ser compreendido, muitas pessoas pensam que as cooperativas existem porque fechou uma empresa e os funcionários tomaram conta dela. Mas o cooperativismo é uma economia muito forte, que propõe pegar no melhor do capitalismo e do socialismo e juntá-los, mas são empresas, têm concorrência e são competentes.

 

Quantos visitantes esperam?

L.B.: Aproximadamente  6 mil em três dias de evento, que será de 15 a 17 de maio das 13h as21h no Expo Unimed Curitiba.

 

É aberta ao grande público ou restrita a profissionais

L.B.: 2 dias serão exlcusivos a profissionais e 1 dia ao público geral.


Faz parte dos planos fixar-se no Brasil?

L.B.: Não. A feira é bienal e itinerante para poder servir à cooperativas de todo mundo, mas nada impede de haver outras edições no Brasil.


Então, se tudo correr bem, podemos esperar uma outra edição da feira do cooperativismo em Curitiba?

L.B.: Em Curitiba ou qualquer outra cidade do Brasil que possa e queira recebê-la.


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