

Cambará
Gladys Santoro/Tribuna do Vale
A Secretária de Saúde de Cambará Marisa Pinheiro Nascimento declarou ontem, 25, durante coletiva de imprensa, que a menina Maria Julia Godoy de Stefane, de 12 anos, não morreu de dengue hemorrágica. Ela apresentou laudos da unidade do Instituto Adolfo Lutz de Marília (SP), e também da unidade de São Paulo (capital), e ambos deram negativo para dengue. Porém, com esse resultado em mãos, a secretária não sabe dizer qual a verdadeira causa da morte da menina, ocorrida no dia 14 de maio, na Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos.
No dia anterior à sua morte, foi realizado um teste rápido em um laboratório particular de Ourinhos, que deu positivo para dengue. No atestado de óbito da criança também consta Dengue Hemorrágica como causa da morte.
A secretária recebeu os laudos na terça-feira, 22, mas até agora não conseguiu localizar os pais de Maria Júlia para informá-los e saber deles qual a atitude que podem ser tomadas para descobrir a verdadeira causa da morte da criança. A reportagem da Tribuna do Vale também não conseguiu localizar Fábio de Sfefane e sua esposa Josiane Godoy de Stefane, pais de Maria Júlia.
Teste
A secretária de Saúde Marisa Pinheiro Nascimento explicou que o teste rápido não é aceito nas redes públicas de saúde de vários estados brasileiros como conclusivo porque ele não é 100% confiável. “Ele pode dar falso positivo ou falso negativo. A saúde pública só aceita os laudos de institutos conveniados com o governo. Aqui no Paraná é o Laboratório Central (Lacen) e em São Paulo é o Adolfo Lutz”, disse.
Marisa se queixou do tratamento dado pela imprensa na época da morte da garota, que classificou como “agressivo”. Ela também salientou que o momento era de dor e comoção, que atingiu não apenas a família, mas também todas as pessoas ligadas à administração pública. “O prefeito ficou chocado e nós, da secretaria, ficamos aniquilados. Foi difícil reagir, mas hoje, esse laudo mostra que o município não teve responsabilidade”, disse. A secretária ainda completou dizendo que a morte de Maria Júlia não foi em vão. “Não é porque o resultado foi negativo que vamos baixar a guarda. Pelo contrário. Estamos empenhados em zerar o índice da dengue em Cambará”, afirmou.
Na época que Maria Júlia morreu Cambará contava com 10 casos confirmados de dengue. Hoje, o índice de infestação é de 0,25%, abaixo do nível de tolerância do Ministério da Saúde, é de 1%. De janeiro a junho, Cambará somou 20 casos de dengue. Hoje há quatro casos aguardando resultado de exames, 159 suspeitos, e 135 já foram descartados. Os bairros mais atingidos são o Vila Rubin, Centro, Estação, Ignês Panichi e Bergamaschi. O bairro São José, onde morava Maria Júlia e sua família não apresentou focos do mosquito Aedes Aegypti.
Na coletiva de imprensa também participaram o diretor de saúde Cilso Rosa de Oliveira, a diretora de Vigilância em Saúde, Maria Angélica Miranda Fonseca, o chefe da vigilância Epidemiológica Leiva Amadei, a auxiliar administrativa Marluce Mendes e coordenador de Endemias, Gabriel Vieira.
Confira ainda hoje o áudio da íntegra da coletiva de imprensa