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| Parte do grupo de ex-funcionários da Casquel estiveram na redação do Jornal Circulandoaqui na manhã desta quarta feira (10) |
Cambará
Gladys Santoro/ Tribuna do Vale
Um grupo de ex-funcionários da antiga Usina Casquel de Cambará procurou a imprensa na manhã de ontem, 10, para reclamar do não cumprimento de um acordo trabalhista feito pelo grupo Despal Paulista Agronegócio, quando adquiriu a indústria há quase dois anos.
Segundo o motorista Luiz Tadeu da Silva, 47, quando ocorreu a venda, uma parte dos trabalhadores entrou na justiça para receber os pagamentos que já estavam atrasados mesmo antes do fechamento da empresa, em 2010. “Alguns funcionários entraram com ação através do departamento jurídico do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Açúcar e Álcool de Jacarezinho e região. Outros contrataram advogados particulares e outros ainda esperaram para ver o que a justiça trabalhista determinaria a todos os demitidos. Agora, estamos sabendo que o grupo apoiado pelo Sindicato já está recebendo seus diretos trabalhistas. Queremos saber qual o critério de pagamento, porque todos que foram prejudicados com o fechamento da usina têm direito a receber”, argumentou.
Quando a indústria fechou, ela mantinha cerca de mil funcionários entre a área administrativa e rural.
Silva disse que trabalhou na Casquel no período de 1984 a 2010, quando a indústria decretou falência. “Foram 26 anos dedicados a essa empresa. Agora, não tenho sequer informações sobre o processo trabalhista. Não sei porque uma parte está recebendo e a outra não. Assim como eu, muitos estão na mesma situação. Sem informações e sem receber”, lamentou.
A reportagem da Tribuna do Vale procurou informações no Sindicato Rural de Cambará. O presidente Aristeu Sakamoto disse que não tem novidades sobre o assunto porque de 2010 para cá, a situação da usina como um todo, está na Justiça. “Três leilões para a venda da indústria foram suspensos, depois foram leiloados equipamentos, depois uma empresa paulista adquiriu a empresa, mas até agora, não a colocou para funcionar. Tudo isso envolve questões judiciais que não passam pelo sindicato”, avisou.
Já o sindicato da categoria, com sede em Jacarezinho, informou que algumas ações trabalhistas haviam sido movidas pelo advogado da entidade na época, Emerson Buzetti, mas que ele já não trabalhava mais para o Sindicato.
Em contato por telefone Buzetti, ele disse que continua atuando em favor dos trabalhadores da usina, mas preferiu deixar para dar mais detalhes sobre as ações trabalhistas e sobre a situação atual da empresa que adquiriu a indústria, na semana que vem. Segundo ele, os funcionários que defende estão sendo informados semanalmente sobre o andamento das ações. “Reúno-me toda sexta-feira com eles e os mantenho bem informados. Acredito que defendo 80% dos trabalhadores da Casquel que quiseram entrar com ação trabalhista”, concluiu.
O advogado que defende os fornecedores da Casquel, Pedro Vinha também foi procurado pela reportagem, mas ele estava em audiência e não pode fazer contato até o final do dia.
Falência
Em 2010, a Usina de Açúcar e Álcool Casquel suspendeu totalmente a produção de álcool e por conta do acúmulo de dívidas abandonou sua estrutura, instalada no quilômetro 25 da BR-369, no bairro dos Coqueiros em Cambará. Durante anos máquinas, veículos e barracões sofreram com a ação do tempo. A indústria já chegou a empregar mais de 600 trabalhadores só no corte da cana de açúcar e a processar mais de 21 milhões de litros de álcool e 4,5 toneladas de açúcar cristal.
Somente com os empregados, a Casquel acumulou uma dívida calculada em R$ 26 milhões, e R$ 15 milhões com os fornecedores,
As duas categorias entraram na justiça para receber o que lhes era devido, porém, os antigos proprietários simularam três vezes a venda da empresa e em um ano conseguiram suspender três leilões.
Há quase dois anos foi anunciada a venda para a Despal Agroindústria, mas apesar da área estar limpa e os barracões com pinturas recentes, não há sinal de atividade na empresa.