
Cambará
C.Roberto Francisquini
O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Ricardo Lewandowski, requisitou o juiz Bráulio Gabriel Gusmão, do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (9ª Região), para exercer as atribuições de juiz auxiliar da presidência do CNJ.
Gusmão é titular da 4ª Vara do Trabalho de Curitiba e ex-presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região (2008-2010). Em 2013, foi o segundo candidato mais votado entre os juízes de primeiro grau na consulta promovida pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) para formação das listas tríplices que indicariam os representantes da Justiça do Trabalho no CNJ.
Gusmão foi coordenador do programa de implantação do processo judicial eletrônico no TRT do Paraná.
Obteve,este ano, o título de Mestrado em Direito na UNIBRASIL – Faculdades Integradas do Brasil com o tema “A concretização dos direitos fundamentais e o processo judicial em meio eletrônico: uma abordagem crítica”.
O juiz é Cambaraense, graduado em Direito pela Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro e especialista em Direito do Trabalho pela UNIBRASIL.
A convocação foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (22/8).
O presidente da Amatra 9, Dr. José Aparecido dos Santos, destacou a indicação do Cambaraense. “Parabenizamos o colega Bráulio com a certeza de que ele realizará um profícuo trabalho à frente desse importante cargo no CNJ, considerando sua competência administrativa, bem como a ampla experiência na Magistratura e atuação no movimento associativo. Esperamos que as reivindicações da Justiça do Trabalho, inclusive as relacionadas ao processo eletrônico, agora recebam maior atenção”, ressalta o presidente da Amatra 9, José Aparecido dos Santos.
Para o presidente da Anamatra, Paulo Luiz Schmidt, a indicação do magistrado é extremamente positiva. “Trata-se de um magistrado que reúne todos os atributos necessários para o desempenho do cargo. Ganha o processo eletrônico, a Justiça do Trabalho e, principalmente, o próprio Conselho”, observa.
Bráulio Gusmão presidiu a Amatra 9 no biênio 2008/2010 e, atualmente, integra o Conselho de Representantes da entidade. É mestre em Direito pela Unibrasil e especialista em Direito do Trabalho pela mesma instituição. No ano passado, o magistrado foi o segundo candidato mais votado entre os juízes de primeiro grau na consulta promovida pela Anamatra para formação das listas tríplices que indicariam os representantes da Justiça do Trabalho no CNJ.

Dr. Bráulio tem 49 anos e é casado com Maria Beatriz e tem duas filhas Mariana (22) e Maria Gabriela (18 anos).
O juiz concedeu entrevista por e-mail ao Circulandoaqui e relatou parte de suas experiências de vida. “Na verdade, não nasci em Cambará. Cheguei aqui com minha família quando tinha 11 anos. Adotei a cidade como minha e sou cambaraense de coração. Prestei o serviço militar no Tiro de Guerra (este ano fizemos uma linda festa dos 30 anos de formatura). Trabalhei no Cartório de Registro de Imóveis, com Lauro Ferreira Leite e seu filho Cláudio, o meu primeiro emprego. Em Cambará fiz grandes amigos e amigas. Sinto orgulho desta cidade” comentou.
Ele foi aluno do Colégio Professor Sílvio Tavares e é formado em Direito pela Fundação Faculdade de Direito de Jacarezinho.
Acompanhe os principais trechos da entrevista.
Carlos Roberto Francisquini
01 ) Dr. Bráulio, O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Ricardo Lewandowski, requisitou sua presença para atuar na equipe do CNJ. A notícia é motivo de orgulho para os Cambaraenses. O que este momento representa para sua carreira e também na vida pessoal?
A convocação para atuar como Juiz Auxiliar da Presidência do CNJ, necessariamente não faz parte da carreira de um juiz. Eu não serei melhor ou pior juiz por causa disso. Do ponto de vista pessoal ela mudará completamente minha rotina do dia a dia do Fórum e precisarei morar em Brasília durante pelo menos dois anos.
02) Como o senhor avalia esta indicação?
Fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo, preocupado, porque representa enorme responsabilidade.
03) Quais serão os desafios no CNJ?
Todos nós queremos que a Justiça funcione, em todos os seus níveis. O Conselho Nacional de Justiça é uma instituição pública que tem a missão de aperfeiçoar o sistema judiciário brasileiro. Assim, o principal desafio é contribuir para que isso aconteça.
04) Pode, por gentileza descrever como o senhor recebeu a notícia e qual foi a reação dos amigos e familiares?
Recebi com tranquilidade, porque me sinto preparado para essa missão.
Quanto às reações, elas foram diversas. Em casa, alguma preocupação com a mudança na rotina familiar, nós somos muito próximos e companheiros. De modo geral, está todo mundo contente, estão orgulhosos.
Desde que a notícia saiu, tenho recebido mensagens de cumprimentos, telefonemas e visitas pessoais. Seja de amigos, colegas juízes, advogados, peritos judiciais e funcionários. Por um lado, pode representar reconhecimento pelo trabalho que já fiz ou mesmo um gesto de solidariedade, mas por outro lado, a responsabilidade aumenta ainda mais.
05) Conte-nos sobre a carreira na magistratura?
No último mês de julho completei 20 anos na magistratura. Tomei posse em 1994, cinco anos depois de concluir o curso de Direito. Atuei durante sete anos como Juiz Substituto e estou há 13 anos como Juiz Titular de Vara do Trabalho. Quando fui promovido, passei alguns meses em Cascavel, alguns anos em São José dos Pinhais e desde 2009 estou em Curitiba.
Eu adoro meu trabalho e me sinto realizado profissionalmente. Durante todos esses anos, nunca senti desânimo ou vontade de fazer algo diferente.
06) O Sr. é titular da 4ª Vara do Trabalho de Curitiba e ex-presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região entre 2008-2010. Em 2013, foi o segundo candidato mais votado entre os juízes de primeiro grau na consulta promovida pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) para formação das listas tríplices que indiciariam os representantes da Justiça do Trabalho no CNJ. O que o senhor pode destacar deste período?
Quando morei em Cambará sempre participei de atividades comunitárias. Fui, por exemplo, ativo no grupo de jovens da Paróquia Nossa Senhora das Graças. Aprendi que ninguém faz nada sozinho, que o trabalho coletivo e a solidariedade são essenciais.
Eu levei isso comigo para a magistratura. Sempre participei da política associativa e em 2008 fui eleito presidente da Amatra 9, que é o nome da nossa associação de juízes. Aquele foi um momento de grande orgulho, pois fui escolhido por meus colegas representante dos Juízes do Trabalho do Paraná.
07) A imprensa destacou a sua participação como coordenador do programa de implantação do processo judicial eletrônico no TRT do Paraná. Fale a respeito.
Eu sempre gostei de informática, de computadores. Entre 2009 e 2011 fui chamado pela administração do meu Tribunal para construir um modelo de processo judicial eletrônico. O objetivo era eliminar o uso do papel nas nossas atividades e permitir o acesso via internet. Como consequência, teríamos um processo mais rápido e acessível para todos.
O projeto foi um enorme sucesso e sinto muito orgulho disso.
08) Dr. Bráulio, o senhor foi acadêmico pela Fundação Faculdade de Direito do Norte Pioneiro, em Jacarezinho. A instituição tem revelado grandes nomes para a Magistratura brasileira. O que o senhor pode destacar desta instituição, especialmente no período em que esteve lá?
Estudei em Jacarezinho entre 1984 e 1988. O que posso dizer é que tive professores comprometidos e dedicados. Foi um tempo muito agradável e de boas lembranças.
09) O que o senhor considera como fator fundamental para o sucesso na carreira profissional, especialmente para os jovens que sonham com a carreira jurídica?
Só existe um caminho: estudar. Ter um plano de estudos, uma meta estabelecida e seguir em frente.
10) Como foram os passos para chegar até aqui?
Quando formado, fui trabalhar como advogado. Inicialmente em Curitiba, por alguns meses e depois em Foz do Iguaçu, até ser aprovado em concurso público para a magistratura.
11) O Senhor é Cambaraense, filho do saudoso Bráulio Gusmão e de Dona Maria de Lourdes Gusmão. O que o senhor disse a sua mãe quando soube da notícia?
Ela ficou sabendo antes de eu falar com ela (rs. rs.). Meu irmão deu a notícia.
12) E o que o senhor ouviu dela?
Recebi os parabéns. Ela está orgulhosa.
13) Seu pai, infelizmente, não está entre nós para compartilhar deste momento. Dá para imaginar o que ele lhe diria a respeito?
Ele não caberia em si. Meu pai sempre foi um grande fã dos seus filhos.
14) Para finalizar, alguém em especial para agradecer?
Minha esposa, Maria Beatriz. Eu ainda advogava quando nos casamos e só foi possível chegar até aqui porque estivemos sempre juntos.