CULTURA Paraná
Artista indígena Gustavo Caboco lança livros no MUPA e apresenta performance e curtas
Artista visual wapichana que trabalha com desenho-documento, pintura, texto, bordado, animação e performance propõe maneiras de refletir sobre des...
08/12/2022 14h35
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Secom Paraná

Na próxima quarta-feira (14), o artista visual Gustavo Caboco estará de volta ao Museu Paranaense (MUPA) para o lançamento de seus dois livros: “Baaraz Kau’Apan” e “Recado do Bendegó: conversas com a pedra”. O público poderá acompanhar, também, a exibição de dois curtas e uma fala-performance chamada "Coma Colonial", apresentada pelo próprio artista. O evento começa às 19h30 e terá entrada gratuita.

“Baaraz Kau’Apan” significa “campo em chamas”, em língua Wapichana. Caboco questiona, a partir dessa publicação, “que campos são esses que continuam em chamas, pensando a presença indígena, a nossa historiografia, as nossas produções de conhecimento e a nossa subjetividade?”.  Para ele, “as chamas-chamados nos convocam a pensar para além da ideia da tradição-museu e a busca com essas publicações é contribuir no processo de demarcação das subjetividades indígenas”.

“Recado do Bendegó: conversas com a pedra” é um registro ilustrado de conversas com o meteorito do Bendegó, que atualmente está no acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, mas que veio do sertão baiano, nas proximidades do Monte Santo.

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Os dois livros foram criados pelo artista durante o processo de um ateliê em deslocamento e fizeram parte da instalação “Kanau’Kyba”, apresentada por Caboco e pela família Wapichana (Lucilene Wapichana, Roseane Cadete, Wanderson Wapichana e Emanuel Wapichana) na 34ª Bienal de São Paulo, em 2021.

CURTAS E PERFORMANCE– Na mesma noite do lançamento dos livros, o artista apresentará ao público dois de seus filmes, em formato curta-metragem, que acompanham os processos de realização das publicações: o ensaio “Recado do Bendegó” e a animação “Kanau’Kyba”.

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Haverá ainda a apresentação da fala-performance "Coma Colonial". Trata-se de um diálogo com um sono profundo da história Wapichana, da história indígena brasileira, dos apagamentos. Que histórias sobre território, fronteiras e as diásporas dos povos indígenas em contexto de deslocamento atravessam o tempo presente?

SOBRE O ARTISTA– Gustavo Caboco é nascido em "Curitiba, Roraima (1989)", como ele se apresenta, já que a mãe nasceu no estado do Norte do Brasil e veio para a capital paranaense. Artista visual Wapichana, trabalha na rede Paraná-Roraima e nos caminhos de retorno à terra.

Sua produção com desenho-documento, pintura, texto, bordado, animação e performance propõe maneiras de refletir sobre os deslocamentos dos corpos indígenas e sobre a produção e as retomadas da memória. Dedica-se também à pesquisa autônoma em acervos museológicos para contribuir na luta dos povos indígenas.

Foi vencedor do Concurso FNLIJ Tamoios de Textos de Escritores Indígenas (2018) com o texto “Semente de Caboco”; participou da exposição “Vaivém” no CCBB (São Paulo, 2019) e da exposição “Véxoa - nós sabemos” na Pinacoteca (São Paulo, 2020). É vencedor do 3º Prêmio seLecT de Arte e Educação (2020).

Em 2021, integrou a 34º Bienal de São Paulo e a exposição “Moquém Surarï” no MAM (São Paulo). Junto com Denilson Baniwa e equipe do Museu Paranaense, coordenou o projeto Retomada da Imagem entre 2021 e 2022. Realizou a performance “encontro di-fuso” na Universidade de Manchester durante o “Festival of Latin American Anti-Racist and Decolonial Art” (2022). Foi convidado para o 32? programa de exposições do CCSP com “Coma Colonial” (2022) e fez sua primeira exposição individual, chamada “ouvir àterra”, na Millan. (São Paulo, 2022).

Serviço:

Data: quarta-feira, 14 de dezembro

Horas: 19h30

Entrada gratuita, sujeito à lotação. Lugares liberados por ordem de chegada.

Local: Museu Paranaense - Rua Kellers, 289, São Francisco - Curitiba