

Curitiba
Pedro Brodbeckda redação Gazeta do Povo
A falta de confiança de varejistas e consumidores em relação à economia pode fazer deste Natal o pior nos últimos 10 anos. De acordo com a expectativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o crescimento da atividade para a data deve ser de apenas 3% em relação ao ano passado, o pior aumento de vendas de um ano para o outro desde 2004.
Segundo economistas, além da incerteza, o endividamento das famílias em alta, o crédito limitado e a lentidão do comércio desde o início do ano elevam o pessimismo para a data, que é o carro chefe do setor para o ano. O resultado: expectativa em baixa, encomendas de produtos discretas e perspectivas de poucas contratações de temporários.
Para o economista da CNC Fábio Bentes, os empresários do setor ainda estão apreensivos com o momento econômico. “O quadro não é bom. O comércio está muito cauteloso, adiando as encomendas e pedidos para as indústrias. Geralmente, nesta época do ano, o setor já estaria com um planejamento mais claro para o Natal”, afirma.
A expectativa de aumento de 3% nas vendas já é conservadora, mas ainda pode ser revisada para baixo. “Com eleições e com todos os fatores que fazem de 2014 um ano atípico, é possível que esta projeção seja otimista para o cenário”, completa.
Segundo dados do IBGE, os estoques do comércio se mantêm os mesmos, o que mostra a baixa movimentação do varejo e a escassez de pedidos para a indústria. “A queda nos produtos estocados é uma boa medida do pessimismo. Setembro e outubro seriam meses para as lojas começarem a receber seus produtos para o período do Natal”, explica o consultor em varejo Clóvis Aguiar. Entre os segmentos com piores resultados estão as lojas de informática e eletrodomésticos, vestuários e calçados. Segundo Aguiar, este é o exemplo de que muitas lojas sequer conseguiram se desfazer dos estoques acumulados durante os dois meses de baixa nas vendas por causa da Copa do Mundo.
Para tentar recuperar mercado até o Natal, as lojas devem apostar em liquidações. “A arma principal são as promoções mais intensas neste final de ano. Os empresários varejistas devem buscar junto às indústrias, junto a seus fornecedores, condições melhores para repassar e atrair o consumidor, já que ele está represado”, afirma o consultor.
