

Não nasci na cidade de Cambará, tampouco fui adotada por ela. Vivi nesta cidade por muito pouco tempo e a minha ida para lá se deu por circunstâncias trabalhistas de meu pai. Costumo dizer que a minha passagem por Cambará se deu unicamente para que eu pudesse conhecer aquele que seria o meu companheiro para toda a vida.
Assim, em lugar de ser adotada pela cidade, como acontece com todos aqueles que para lá se mudam, eu a adotei como minha cidade, pois meu esposo é cambaraense.
Para lá nos dirigimos em todas as datas comemorativas. Prova disso são as reservas que temos, há anos, no Hotel Central. Lá, o nosso apartamento é cativo. Não tenho mais, infelizmente, nenhum familiar em Cambará. Sou a única sobrevivente de uma família pouco numerosa. A despeito disso, adotei também a família de meu esposo, Antonio Carlos, como se minha fosse. Nas nossas idas a Cambará, gosto de reencontrar as minhas colegas da Escola Normal, da turma de 1970. Gosto de reencontrar meus professores, gosto de ir com meu esposo ao Restaurante do Guaita para almoçar no sábado (que saudades da Marlene! Mal chegávamos, sentava-se a nosso lado para longas conversas !!). Gosto também de ir ao cemitério visitar a minha família... Lá posso preencher um pouco do vazio que habita em mim, pela falta que me fazem.
Gosto de encontrar minhas alunas, que moram em Cambará, e que frequentam os programas de Mestrado e Doutorado na UEL, onde sou docente. Gosto de reencontrar as irmãs do Colégio Nossa Senhora das Graças (embora esteja em falta com elas, pelo que me penitencio). À noite, gosto de ir ao Varanda’s com meu esposo e os familiares dele, que adotei como meus. Sempre que chegamos a Cambará nossa filha, Angelita, já pede para passarmos na padaria, próxima ao hotel, para comprarmos “a esfiha da dona Graça” (tive a felicidade de conhecer essa doce senhora quando estudante na Escola Normal). Embora pessoalmente não tenha estabelecido um vínculo mais profundo com Cambará, tenho o privilégio de ter os nomes de minhas duas irmãs, Maria Angelita e Irmã Crucifixa, gravados na memória afetiva de muitos cambaraenses pelo papel que desempenharam na educação, nesta cidade. Também me sinto privilegiada por ter os nomes de minha cunhada Ignês Panichi Hamzé e de seu esposo Mohamad Ali Hamzé atrelados ao desenvolvimento do município. Como se pode perceber, uma não cambaraense e morando fora de Cambará, é partícipe efetiva da vida desta cidade que merece as mais efusivas congratulações pelos seus noventa anos.
Professora Doutora Edina Panichi – Especialista em Língua Portuguesa, Mestre em Letras, Doutora em Linguística e Phd em Teoria/Crítica Literária. Atua nas áreas de Crítica Genética e Estilística. Docente dos Programas de Mestrado e Doutorado em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina e Pesquisadora do CNPQ.