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Reeleita, Dilma pede união e diz que irá liderar reforma política

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
27/10/2014 às 15h49 Atualizada em 27/10/2014 às 16h28
Reeleita, Dilma pede união e diz que irá liderar reforma política

André Gonçalves

Da redação Gazeta do Povo


 

No primeiro discurso como presidente reeleita do Brasil, Dilma Rousseff (PT) pediu união aos brasileiros depois do resultado apertado que a conduziu ao segundo mandato. Ao lado do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Dilma disse que irá liderar a reforma política com a convocação de um plebiscito para consultar a população sobre o tema, cuja votação deverá ocorrer no Congresso Nacional.

 

Dilma Rousseff (PT) foi reeleita neste domingo (26) para comandar o país por mais quatro anos, com mandato de 2015 a 2018. De acordo com a divulgação da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela teve 51,64% dos votos válidos contra 48,36% do candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB). Segundo o TSE, 100% das urnas já tiveram os votos contabilizados. Dilma foi reeleita com 54,5 milhões votos contra 51 milhões do tucano.

 

Os três pontos percentuais de vantagem que elegeram a presidente Dilma Rousseff são a menor diferença entre os dois candidatos mais votados em uma eleição presidencial no Brasil desde o fim da ditadura em 1985.

“Nós vamos encontrar a força e a legitimidade para levar à frente a reforma política. Tenho convicção de que haverá interesse dos setores do Congresso, da sociedade, de todas as forças ativas da nossa sociedade para abrir discussão para implementar medidas concretas”, disse a presidente reeleita.

 

O discurso foi feito para cerca de 500 militantes petistas reunidos no luxuoso hotel Royal Tulip, emBrasília (DF). O encontro - que marcou a comemoração da vitória eleitoral - foi organizado com um forte esquema de segurança. A chuva, que caiu na capital federal ao longo do dia, atrapalhou a mobilização do Partido dos Trabalhadores.

 

Dilma subiu no palanque ao lado do vice-presidente Michel Temer (PMDB). Ela iniciou o discurso – em um púlpito decorado com a bandeira do Brasil – saudando o ex-presidente Lula. Depois, agradeceu aos partidos da coligação, os militantes petistas e, por fim, os brasileiros. Com o semblante sério na maioria do tempo, a presidente Dilma sorriu pouco e, eventualmente, deixou transparecer um sentimento de alívio. Pediu três vezes para a plateia maneirasse nas manifestações para poupar a voz e fez apenas uma brincadeira, após o microfone ser trocado. Por diversas vezes, o público presente interrompeu o discurso dela para gritar “Olé, olé, olá. Dilma, Dilma”, “Um, dois, três, é Dilma outra vez”, “Coração valente” e o tradicional “Olé, olé, olá. Lula, Lula.”

 

Boa parte do discurso da presidente fez referência à necessidade de união e diálogo: “Não acredito, sinceramente, que essas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo, sim, que elas mobilizaram ideias e emoções, às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum: a busca de um futuro melhor para o país.” “Em lugar de ampliar divergência, de criar um fosso, tenho forte esperança de que a energia mobilizadora tenha me perpetrado um bom terreno para construção de pontes”, completou.

 

“Algumas vezes na História, resultados apertados produziram mudanças mais fortes e mais rápidas do que vitórias muito amplas. Essa é minha esperança, ou melhor, minha certeza do que vai ocorrer a partir de agora no Brasil. Minhas primeiras palavras são um chamamento para a união. Essa presidenta aqui está disponível ao diálogo e esse é o primeiro compromisso do segundo mandato”, reafirmou.

 

Economia

 

Outro tema relevante na fala de Dilma Rousseff foi a economia do país. Ela prometeu manter a política de incentivo ao salário mínimo, disse que irá se empenhar para manter a geração de empregos e que também irá ajudar no desenvolvimento econômico, em especial da indústria nacional. “Promoverei também com urgência ações localizadas, em especial, na economia para retomar nosso ritmo de crescimento para continuar os níveis altos de emprego e asseguramos a valorização dos salários. Vamos dar mais impulso a atividade econômica em todos os setores, em especial no industrial.”

 

A presidente afirmou ainda que vai seguir no combate à inflação, "avançando no terreno da Responsabilidade Fiscal". Dilma afirmou que vai procurar estabelecer "parceria e diálogo" com as forças produtivas do país, empenhando-se nesta tarefa "antes mesmo" do inicio de seu próximo mandato.

 

Apelo ao orgulho de ser brasileiro

 

Na parte final de seu discurso, a presidente apelou para o "orgulho de ser brasileiro". "Quero ampliar o nosso sentimento de fé nessa nação incrível, a que nós temos o privilégio de pertencer e a responsabilidade de fazer cada vez mais próspera e mais justa".

Em mais um gesto de reconciliação do país, após uma disputa eleitoral acirrada, ela afirmou que o país "saiu maior dessa disputa". Dilma disse ainda "sabe a responsabilidade que pesa sobre [os] ombros", apelando para a construção de um Brasil "da solidariedade e das oportunidades".

 

"Um Brasil que valoriza o trabalho e a energia empreendedora. Um Brasil que cuida das pessoas com um olhar especial para as mulheres, os negros e os jovens. Um Brasil cada vez mais voltado para a educação, a cultura, a ciência e a inovação. Vamos nos dar as mãos e ajudar nessa caminhada que vai nos ajudar a construir um presente e um futuro", afirmou. Ela agradeceu ainda os eleitores e militantes. "O carinho, o afeto, o amor e o apoio que recebi nessa campanha me dão a energia para prosseguir com muito mais determinação". "Brasil, mais uma vez, essa filha tua não fugirá À luta. Viva o Brasil e viva o povo brasileiro", concluiu a presidente, que ainda cantou o hino nacional brasileiro para encerrar o evento que celebrou a vitória na disputa deste domingo.

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