

Cambará 90 anos
Gilberto Boza*
A história de Cambará tem muito a ver com a imigração de italianos, que para cá vieram a partir da década de 1920, vindos do interior do Estado de São Paulo. Posteriormente, os mineiros e outras imigrações ocorreram em busca de vida melhor. Porém, esbarraram nas grandes fazendas existentes, muitas delas de propriedade de pessoas domiciliadas na capital paulista e sem qualquer vínculo afetivo com a nossa cidade. Tivessem os grandes fazendeiros loteado suas terras, a imigração teria sido muito maior e o progresso teria ocorrido com maior intensidade, haja vista a fronteira com o território paulista. Muitos imigrantes tiveram que ir mais longe ao longo do interior paranaense, em busca de terras para o cultivo. O comércio poderia ter sido mais pujante não fosse a grande concentração de terras nas mãos de poucos. Nossos dirigentes, muito embora abnegados, não eram urbanistas e sim ruralistas, o que dificultou a industrialização. Pelo mesmo motivo, Cambará abdicou de ser uma cidade universitária ao recusar a instalação de uma Faculdade de Odontologia, devidamente autorizada pelo poder público no início da década de 1960.
Porém, ao optar pela agricultura, Cambará veio a tornar-se um importante celeiro agrícola, o agronegócio aqui proliferou e, nos dias de hoje, notamos que algumas empresas derivadas desta atividade aqui se instalaram, aproveitando a matéria-prima abundante, a mão de obra composta de trabalhadores incansáveis e a excelente malha rodoviária. Também o comércio, antes apreensivo, voltou a dar sinais de recuperação, com rede de lojas instalando filiais em nossa cidade. Os comerciantes voltaram a acreditar e melhoraram o visual de nossas ruas, em especial a Rua Dr. Genaro Resende, antes Interventor Manoel Ribas e carinhosamente apelidada de “Rua do Comércio”.
Cambará caminha, devagar mas sempre, para tornar-se uma cidade de porte médio sem sofrer as consequências dos problemas que a alta densidade demográfica impõe às grandes cidades.
*GILBERTO BOZA
Venerável Mestre da Loja Maçônica “Jacques de Molay”.