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Professores ficam feridos em briga com seguranças da Alep

Polêmico, o projeto de lei estende gestão dos profissionais eleitos para mais um ano

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05/11/2014 às 09h59
Professores ficam feridos em briga com seguranças da Alep

 

 

Sob protestos dos professores que compareceram à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), os deputados aprovaram, em primeiro e segundo turno, o projeto de lei que prorroga por um ano o atual mandato dos diretores das 2,1 mil escolas estaduais. Foram 32 votos a favor e 13 contra na segunda discussão do projeto, que, com o plenário transformado em Comissão Geral, já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes do início da sessão, nesta terça-feira (4). Esse procedimento para acelerar a votação é permitido pelo Regimento Interno e é conhecido como "tratoraço" por 'atropelar' a discussão normal do projeto de lei no Legislativo estadual.

 

 

Com a aprovação, o projeto segue para a sanção do governador Beto Richa (PSDB). O Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), porém, deve ir à Justiça contra a medida. “Eleição, golpe não”, bradou uma parte dos professores enquanto os deputados registravam o voto no painel eletrônico. Os pedidos, no entanto, não surtiram efeito. Como resultado, uma das galerias gritava “golpistas” e “vergonha”, e a outra cantava o hino nacional. Alguns manifestantes chegaram a ser retirados da Casa por ofender verbalmente os parlamentares ─ eles alegaram ter sido agredidos pelos seguranças do Legislativo. Quatro pessoas ficaram feridas (leia ao lado).

 

 

Durante o debate da proposta em plenário, mais de um discurso foi interrompido por aplausos e vaias vindos das galerias, que estavam lotadas de professores favoráveis e contrários à medida. Defensor do projeto, Luiz Claudio Romanelli(PMDB) subiu à tribuna para destacar os investimentos feitos pelo governo Richa na educação ao longo do atual mandato e ouviu gritos de “mentira”. “A culpa é sua, Romanelli”, atacou, em seguida, um dos professores.

 

 

Poucos dias antes do Executivo, o peemedebista apresentou uma proposta quase idêntica à do governo e que foi arquivada. “Eleição, golpe não”, bradou uma parte dos professores enquanto os deputados registravam o voto no painel eletrônico. Os pedidos, no entanto, não surtiram efeito e o projeto foi aprovado. Como resultado, uma das galerias gritava “golpistas” e “vergonha”, e a outra cantava o hino nacional. Alguns manifestantes chegaram a ser retirados da Casa por ofender verbalmente os parlamentares ─ eles alegaram ter sido agredidos pelos seguranças do Legislativo.

 

 

 

Após a votação, Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato, informou que a categoria vai se reunir na manhã dessa quarta-feira (5) para definir as medidas judiciais que serão tomadas contra a proposta do governo. “Há fortes indícios de inconstitucionalidade. O projeto foi enviado à Assembleia com o processo eleitoral já em andamento, nos prazos determinados pela legislação”, criticou. “Houve um golpe na democracia e isso é preocupante. Hoje, foi na educação. Amanhã, pode ser em outros direitos dos paranaenses.”

 

 

Farpas

 

“A APP deveria se chamar APT, é uma entidade de viés político. A maioria dos professores é a favor do projeto”, afirmou o líder do governo, Ademar Traiano (PSDB). “Nossa intenção é melhorar e qualificar o processo de escolha dos diretores.” Já o líder do PT, Tadeu Veneri, acompanhou o discurso de parte dos professores e afirmou que o projeto do Executivo tinha sinais de “casuísmo e golpe”. “O que leva o governador a tomar uma decisão como essa, com a eleição em andamento?”, questionou.

 

 

Eleições permanecem suspensas

Até que a proposta terminasse de tramitar na Assembleia, as eleições de diretores, marcadas para o dia 26 de novembro, permaneceram suspensas. A interrupção no processo do pleito foi determinada por uma resolução publicada no dia 29 de outubro.

 

 

Atualmente, a lei prevê duração de três anos para a gestão dos diretores e diretores auxiliares. Com o projeto aprovado, os atuais gestores, que deveriam ficar no cargo até o fim deste ano, permanecem até 2015.

 

 

A proposta é contestada pelo Sindicato dos Professores da rede estadual (APP-Sindicato), que diz não haver “justificativa cabível” para a prorrogação. “O mandato é de três anos e entendemos a importância das eleições como um dos momentos do processo democrático e da gestão democrática das escolas”, declarou o sindicato, em nota.

 

 

De autoria do Poder Executivo, o texto do projeto argumenta que o adiamento da eleição para daqui um ano vai permitir a abertura de um processo de debate de propostas que possam melhorar o atual modelo de escolha dos diretores.

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