

Trinta e seis pessoas investigadas pela Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato tiveram, ao todo, R$ 720 milhões em bens bloqueados nesta sexta-feira (14) pela Justiça Federal. A Polícia Federal (PF) investiga suspeitos e cumpre 85 mandados judiciais na sétima fase da operação no Paraná e em outros quatro estados, além do Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal informou via Twitter, os envolvidos presos nesta sexta-feira responderão por responderão por crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, não há nenhum político entre os suspeitos presos hoje.
A PF afirma que esta fase é "fruto da análise do material apreendido e dos depoimentos colhidos nas fases anteriores" e que as prisões ainda não têm relação com as delações premiadas feitas por Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa.
Entre os detidos está o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Ele tem ligações com o PT e foi indicado ao cargo pelo ex-ministro José Dirceu (PT). O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e dois executivos ligados à Toyo-Setal - empresa que tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a estatal-, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Camargo afirmaram em delação premiada que Duque era beneficiado pelo esquema de suborno.
Duque nega as acusações e entrou com uma ação contra Costa. A PF concentra as buscas de hoje em 11 grandes empreiteiras, suspeitas de pagarem propinas para conseguir contratos com a Petrobras, e cumpre 27 mandados de prisão contra executivos e outros investigados.
Um diretor da Camargo Corrêa, Othon Zanoide Filho, uma das maiores empreiteiras do país, também foi preso. O jornal O Estado de S. Pauloinforma que também foi preso o vice-presidente da empreiteira Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes.
Também foram presos o presidente da empreiteira Engevix, Cristiano Kok, e um de seus vice-presidentes, Gerson Almada. Um terceiro executivo da empresa que teve a prisão decretada está no exterior. Ao todo, 300 policiais participam da ação, que acontece em cinco estados e no Distrito Federal.
Os grupos investigados registraram, segundo dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), operações financeiras atípicas num montante que supera os R$ 10 bilhões. Durante a investigação, o doleiro Alberto Youssef - que está preso e colabora com a Justiça por meio da delação premiada - apontou que o esquema envolvia desvio de dinheiro Petrobras.
Dos 85 mandados, 21 são de prisão temporária, seis de prisão preventiva, nove de condução coercitiva (quando o intimado é obrigado a ir à polícia depor) e 49 de busca e apreensão. Segundo a PF, entre os mandados, onze são cumpridos em grandes empresas. No entanto, os nomes destas não foram revelados.
Os mandados são cumpridos no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco eDistrito Federal. No Paraná, são dois mandados de busca e um de prisão preventiva - todos em Curitiba. A maioria dos trabalhos são feitos pela PF na capital paulista.
Ainda de acordo com a PF, foi determinado bloqueio integral de valores pertencentes a três empresas ligadas a um dos operadores do esquema investigado na Operação Lava Jato.
Segundo a PF, os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro.
Sétima fase
Todos os trabalhos da sétima fase são fruto de uma análise de depoimentos e provas das outras fases da operação. Segundo a polícia, os envolvidos nessa fase responderão por organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei das Licitações e lavagem de dinheiro.
As investigações da Operação Lava Jato começaram no mês de março envolvem a prisão do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O esquema causou, segundo a Polícia Federal, prejuízo de R$ 10 bilhões.