

Especial Cambará 90 anos
Osmar dos Anjos
Em meados de 1964, trabalhando na Farmácia do Sr. Teixeira, fazia minhas refeições no bar e restaurante Ponto Chic de propriedade do Sr. Ayrton Balbino.
Certo dia almoçando com meu amigo Reynaldo Mafra (Pinguinha) fomos até o banheiro e deparamos com um pacote de sabonete Gessy, na época a Gessy Lever (fabricante do sabonete), estava com uma promoção de quem achasse uma chave de um VW Fusca dentro do sabonete, levaria o prêmio ou seja o Fusca.
Pois bem, surgiu a ideia de colocarmos uma chave dentro do sabonete do mineiro (Sr. Ayrton).
Conseguimos uma chave na agencia Volks do Laurindo Francisco, pegamos um alicate esquentamos a chave e introduzimos no sabonete.
Até ai, tudo bem.
As consequências é que foram graves.
Passados aproximadamente 60 dias, a doméstica do Sr. Ayrton tomando banho, achou a chave, ela dizia ser a dona do prêmio por ter achado a chave.
O mineiro ,por ser o dono do sabonete, dizia ser dele o prêmio.
Confusão armada, depois de muita conversa a doméstica aceitou uma proposta feita pelo mineiro, ou seja, como ela estava de casamento marcado, ele então propôs a ela, o vestido de noiva e a festa, prontamente aceita, pagou tudo.
O mineiro de tão feliz por ter ganho o carro, resolveu fazer uma festa, pois era exatamente no dia do aniversário de seu filho Ayrtinho.
Ele veio nos convidar pois mantínhamos uma amizade bastante próxima, sem dizer que o Pinguinha era padrinho do menino.
Durante a festa o mineiro resolveu tirar umas fotos com o sabonete, pediu para que viesse o Paulinho fotografo, tiramos algumas fotos abraçados sempre com o sabonete, fotos essas que até a presente data não vimos.
Pois bem na manhã seguinte (um domingo) estávamos, eu e o Pinguinha, no estádio Sant’Ana assistindo uma partida de futebol entre o São Paulo F. C. júnior, contra o União Bandeirantes, quando de,repente chega o mineiro com o sabonete, foi aquele alvoroço, todos queriam ver o tal sabonete.
Na época seu irmão Sr. Francisco Balbino (popular Chiquinho, que era o delegado de polícia da cidade), lhe disse, Ayrton, cuidado, isso pode ser uma brincadeira.
O mineiro não acreditou e disse a nós, meu irmão está com dor de cotovelo.
Ai a molecagem começou a ficar séria, pois a cidade toda estava sabendo.
Na segunda feira sem dizer nada a ninguém o mineiro fez uma ligação para São Paulo (Gessy Lever), quando ele estava ligando o Pinguinha chegou em seu bar, (Obs. O mineiro sempre com o 38 na cinta), ele falou na Gessy Lever e a atendente colocou dúvidas quanto ao prêmio sair em uma cidade do interior, pois sabiam que o mesmo era direcionado a um grande centro, mais mesmo assim pediu para que ele fosse para São Paulo com o sabonete e a chave encontrada.
O mineiro convidou o compadre Pinguinha para acompanhá-lo na viagem, para trazer o carro, e lhe disse que já havia comprado os fogos de artificio para quando voltasse fizessem a festa da chegado do veículo.
Foi quando eu fui “traído”, o Pinguinha deu uns passos para trás e disse: (o Pinguinha era meio gago), ficou vermelho e gaguejando, disse: Compadre, isso é uma brincadeira, o mineiro não acreditou, ai o Pinguinha jurando por tudo de mais sagrado, tornou a dizer, compadre, é brincadeira, o mineiro ficou em silêncio por alguns minutos, tirou o revolver da cinta e disse: compadre, o F. D. P. que fez isso, vai morrer.
Quero saber quem foi, e o Pinguinha no desespero disse, foi o Osmar.
Pois diga a ele que é um homem morto.
Fiquei 3 dias alongado, não dei chance dele me pegar.
Passado algum tempo, mudei-me para Andirá, ficando 9 anos na cidade vizinha, voltando para Cambará acabei comprando uma farmácia em frente ao bazar do mineiro, onde hoje é a Arieta Max, inimizade total.
Até que em uma madrugada, bateram nos fundos da farmácia, era Dna. Dita (esposa do mineiro), chamando por Osmar, socorro o Ayrton está com uma cólica de rim muito forte, foi quando fui até a casa, apliquei lhe uma buscopan na veia, sarou na hora.
No dia seguinte na parte da manhã me surpreendo com o Sr. Ayrton entrando na farmácia, me deu um abraço, agradeceu e fomos amigos novamente, por muitos anos, sem nunca tocar no assunto.