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Racha entre Lula e Dilma embaralha sucessão presidencial de 2018

O jogo de bastidores sobre o próximo candidato do PT já está em andamento, revelou a senadora Marta Suplicy em entrevista polêmica

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14/01/2015 às 09h07 Atualizada em 14/01/2015 às 09h10
Racha entre Lula e Dilma embaralha sucessão presidencial de 2018

Curitiba

André Gonçalves, Correspondente Gazeta do Povo


 

 

As declarações da senadora Marta Suplicy (PT-SP) sobre o racha entre Lula e Dilma Rousseff jogaram luz sobre o que deve se transformar na maior batalha interna dos petistas desde que o partido chegou ao Palácio do Planalto – a definição do próximo candidato a presidente da República. Ao dizer que Lula está “totalmente fora” das decisões da atual administração e que o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, “mente” quando fala que não deseja concorrer em 2018, Marta também sinaliza que o jogo de bastidores em torno da sucessão já está em andamento.

 

 

Marta Suplicy fez duras críticas a Dilma e ao PT

 

Bola da vez

Pelo menos cinco nomes circulam entre os prováveis candidatos do PT em 2018. Confira:

Lula

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sergio Moraes /Reuters

 

Eterno presidenciável do partido, conta com apoio da base, mas se distanciou de Dilma. Já deu várias declarações de que toparia mais uma disputa. “Se me encherem o saco, eu volto”, disse, em 2013.

Aloizio Mercadante

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Roosewelt Pinheiro /Agência Senado

 

No racha entre Lula e Dilma, é o principal nome “dilmista”. Ganhou mais poderes de Dilma e tornou-se articulador político. Foi definido como “inimigo” de Lula por Marta Suplicy.

Jaques Wagner

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agência Brasil

 

Ex-governador da Bahia, assumiu o Ministério da Defesa. Era cotado para ser o principal negociador político do governo com o Congresso, mas teria sido “escanteado” por Mercadante.

José Eduardo Cardozo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antônio Cruz/Agência Brasil

 

O ministro da Justiça é um dos “queridinhos” de Dilma. Tem bom trânsito com governadores. Não tem experiência eleitoral, mas é visto como o melhor “poste” à disposição no governo.

Fernando Haddad

 

 

 

 

 

 

 

 

Fernando Pereira / Secom/ Divulgação

 

A possível candidatura depende de uma vitória convincente na disputa pela reeleição em São Paulo. Apadrinhado de Lula, seria uma opção para apaziguar ambos os lados.

 

 

As afirmações feitas em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, domingo passado, sequestraram o noticiário político de Brasília logo na segunda semana da nova gestão. A estratégia da cúpula petista foi, até agora, se esquivar do confronto para que as colocações soassem como uma mágoa de Marta por ter sido preterida nas últimas disputas eleitorais em São Paulo.

 

Na prática, porém, o partido demonstra que ainda não encontrou uma fórmula para se posicionar em relação à escolha do próximo candidato – ao contrário do que ocorreu na transição Lula-Dilma. Bem avaliado, o então presidente começou a pavimentar a candidatura da aliada em 2007, primeiro ano do segundo mandato.

 

“Lula era tão popular que sabia que podia se arriscar com um ‘poste’. A situação de Dilma é completamente diferente”, diz o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da Fundação Getulio Vargas.

 

Os petistas concordam com os riscos de tentar forjar um candidato prematuramente, sem conquistar apoio popular. “Qualquer eleição é resultado da avaliação do que foi feito pelo governo. E qualquer nome que não espelhe resultados positivos terá dificuldades”, diz a senadora Gleisi Hoffmann (PT).

 

Para ela, Lula é o “nome natural” para 2018. Oficialmente, o posicionamento é o mesmo do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e do próprio Mercadante. Marta, no entanto, colocou em xeque o comportamento da dupla ao dizer que ambos atuaram contra a candidatura de Lula no lugar de Dilma em 2014.

 

Segundo Marta, Lula deixou claro que gostaria de ter disputado a Presidência, mas acabou preterido. Atualmente, a ala “dilmista” estaria preparando Mercadante com o argumento de que o próprio Lula pode decidir que não tem condições de enfrentar mais uma eleição. Em 2018, o ex-presidente terá 73 anos.

 

Outros nomes também estariam correndo por fora, como o ministro da Defesa, Jaques Wagner, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. A prova de fogo de Haddad está marcada para 2016, quando pode enfrentar Marta, que deve deixar o PT, na tentativa de se reeleger.

 

Na base da sigla, porém, o apelo do “lulismo” permanece enorme. “Que me perdoe o Mercadante, por quem tenho o maior respeito e admiração, mas não dá para querer comparar ele com o Lula”, diz o presidente do PT paranaense, Ênio Verri.


 

 

PMDB e outras siglas entram na briga por Marta

A provável saída da senadora Marta Suplicy do PT despertou interesse do PMDB. Ela teria sido sondada por senadores do partido, liderados por Renan Calheiros, no final do ano passado. A estratégia é lançar Marta como candidata à prefeitura de São Paulo, em 2016, numa tentativa de enfraquecer o poder de negociação do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

Outros partidos que se aproximaram de Marta foram Solidariedade, PDT e Rede Sustentabilidade (sigla em criação liderada pela ex-senadora Marina Silva). Marta chegou a dizer que teria convite de quase todas as legendas, menos as oposicionistas DEM e PSDB.

 

 

Prefeitura

A entrada de Marta na disputa de São Paulo deve mexer no quadro e prejudicar principalmente a reeleição do petista Fernando Haddad. “Ela vai tirar votos de Haddad, sem dúvida”, declarou o terceiro colocado no pleito de 2012, Celso Russomanno (PRB), que novamente é pré-candidato.

Para tentar minimizar o ímpeto dos senadores do PMDB, Haddad confirmou nesta semana a escolha de Gabriel Chalita, peemedebista que também disputou a última eleição à prefeitura, para a Secretaria de Educação. (AG, com agências)


 

 

PSDB também sofre com conflitos

O fato de ter sido o presidenciável tucano com melhor desempenho nos últimos anos não é garantia de que Aécio Neves será novamente o candidato do PSDB em 2018. Os movimentos do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deixam claro que a disputa no maior partido de oposição também está aberta. Na avaliação do cientista político da FGV-SP Cláudio Gonçalves Couto, há dois argumentos pós-eleição de 2014 que sustentam as pretensões dos dois lados. “Aécio pode mesmo bater no peito e dizer que foi o melhor candidato do PSDB. Mas o Alckmin também pode mostrar que ele só conseguiu isso graças aos votos que ele ajudou a puxar em São Paulo”, diz Couto.

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