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Paraná avança na implantação do Caminho Iniciático de Santiago de Compostela, no Centro-Oeste
Plano diretor da rota foi apresentado nesta quinta-feira ao vice-governador Darci Piana. Com um trajeto de 100 quilômetros que percorre quatro mun...
06/07/2023 17h30
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Secom Paraná

O Paraná deu mais um passo para a implantação do Caminho Iniciático de Santiago de Compostela, que fará parte do roteiro do turismo religioso da região Centro-Oeste. Nesta quinta-feira (6), o chanceler da Ordem de Santiago de Compostela e presidente da Associação Internacional de Cooperação Turística (Asicotur), Alejandro Carballo, apresentou ao vice-governador Darci Piana o plano diretor da rota. Ela é a primeira fora da Espanha dentro de um formato que busca oferecer uma espécie de iniciação aos peregrinos que têm interesse em percorrer o caminho original.

O convênio para implantação do Caminho Iniciático de Santiago de Compostela foi assinado em dezembro do ano passado , durante o evento Governo 5.0. O trajeto de cerca de 100 quilômetros vai ligar Campo Mourão a Fênix, passando também pelos municípios de Corumbataí do Sul e Barbosa Ferraz, com a maior parte do roteiro percorrendo áreas rurais.

O caminho paranaense é contíguo à Rota da Fé, percurso implantado pela Diocese de Campo Mourão e que já conta com 60 itinerários. Ele se estende por uma região que abrigou um povoado jesuíta e indígena no século XV. No local onde a rota deve terminar, em Fênix, ainda se encontram ruínas de construções jesuíticas, e a ideia agora é construir uma réplica da antiga cidade jesuíta de Vila Rica do Espírito Santo como parte do roteiro.

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Darci Piana ressaltou que haverá um esforço conjunto do Governo do Estado, municípios, Diocese e a iniciativa privada para que o caminho seja implementado. “O Caminho de Compostela, na Europa, é conhecido no mundo inteiro e tem uma peregrinação muito grande, fomentando o turismo religioso, que é um dos principais segmentos turísticos”, afirmou.

“Por isso, queremos efetivar esse caminho também no Paraná, o primeiro do mundo fora da Espanha, para promover o turismo religioso no Paraná. O Governo do Estado vai ajudar com a estrutura básica, mas a iniciativa privada também vai participar com a qualificação da mão de obra e com estrutura de hotelaria, gastronomia e de outros serviços turísticos”, ressaltou o vice-governador.

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ESTRUTURA– No plano diretor apresentado nesta quinta-feira, a Rota da Fé foi aprovada como Caminho Iniciático, mas precisa passar por algumas adaptações. A principal delas é com relação à sinalização, que deve seguir o mesmo padrão do caminho espanhol. Foram identificados 271 pontos de sinalização em todo o trajeto.

Outra necessidade é a melhoria da infraestrutura para receber os peregrinos, para oferecer a eles todas as condições de segurança e serviços básicos de hospedagem, além de outros produtos e serviços turísticos. No âmbito da governança, também será necessário criar uma entidade gestora da rota, um manual de boas práticas e o gerenciamento dos destinos. A recuperação das ruínas de Vila Rica também consta no plano.

Segundo Carballo, o prazo para consolidar a rota é de três anos, mas com essas adaptações, em seis meses o Caminho Iniciático pode começar a receber os peregrinos. “O plano diretor definiu quatro linhas estratégicas e 60 ações que devem ser postas em práticas pelos municípios para que esse caminho seja uma réplica do Caminho de Santiago europeu. Ele detalha tudo o que é preciso fazer para a sua implantação”, explicou.

“Com algumas adaptações a curto prazo, principalmente com relação às estruturas de alimentação e hospedagem, já será possível que os fiéis iniciem a caminhada de peregrinação”, destacou. “O horizonte para que o caminho esteja completo é de três anos, para que todas as exigências que constam no plano diretor sejam implementadas”.

“Implantar esse roteiro no Paraná representa um potencial enorme para o Estado porque, além de dar visibilidade internacional, ele possibilita a criação de vários produtos, fazendo movimentar a economia nessas cidades. Cada trecho do roteiro, cada igreja que fará parte do trajeto, poderá criar uma réplica para ser comercializada aos romeiros, sem contar os serviços de hospedagem e alimentação que serão fomentados”, destacou o secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviços, Ricardo Barros.

Pároco da Igreja de São Pedro, em Corumbataí do Sul, o padre Gianny Gracioso Bento, ressaltou que há um esforço de toda a Diocese de Campo Mourão para bem receber os romeiros da Rota da Fé e, no futuro, do Caminho Iniciático. “Estamos caminhando há algum tempo com as comunidades locais, autoridades civis e eclesiásticas para que consigamos colocar em prática esse roteiro, que vai promover a questão cultural, religiosa e econômica turismo religioso gera”, destacou.

PIONEIRO– A criação de novos produtos turísticos oriundos do Caminho de Santiago é uma iniciativa da Asicotur, entidade presente em 34 países, com o objetivo de criar o hábito de peregrinos ao redor do mundo, para incentivá-los a fazer a rota original. O projeto pioneiro no Paraná vai ajudar na implantação de trajetos parecidos em outros países.

O novo trajeto do turismo religioso se encontra com outra rota que tem grande potencial turístico no Paraná, o Caminho do Peabiru. A trilha histórica, que era utilizada por indígenas que se deslocavam entre o Oceano Atlântico e a Cordilheira dos Andes, está sendo retomada em um projeto que tem a participação do Governo do Estado.

Com diferentes rotas que atravessam a Espanha até chegar à cidade de Santiago de Compostela, na região da Galícia – onde ficam as relíquias do apóstolo Santiago Maior –, o Caminho de Santiago é percorrido desde a Idade Média, quando foi descoberto o suposto local de sepultamento de Santiago. Segundo Carballo, cerca de 1 milhão de peregrinos fazem o percurso anualmente, o que corresponde a um quinto dos turistas que o estado da Galícia recebe por ano.

Alguns romeiros chegam a percorrer quase 800 quilômetros para chegar à cidade, vindos de Portugal ou da França, por exemplo, e andando uma média de 20 quilômetros por dia. Ao fazer um percurso de 100 quilômetros a pé ou 200 quilômetros de bicicleta, o peregrino já pode receber a Compostela, a certificação de que fez o Caminho de Santiago.

É a mesma extensão do Caminho Iniciático do Paraná. Por isso, quem percorrer o trajeto no Estado deve receber uma Credencial de Iniciação e poderá descontar uma parte do percurso para receber a Compostela quando fizer o caminho espanhol. “Estamos trabalhando para que esse roteiro compute como o caminho completo, mas ainda é preciso resolver algumas questões jurídicas nesse sentido”, complementou Carballo.

PRESENÇAS– Participaram do encontro os secretários estaduais do Planejamento, Guto Silva; e do Desenvolvimento Sustentável, Valdemar Bernardo Jorge; a ex-governadora Cida Borghetti; o deputado estadual Anibelli Neto; a diretora-geral da Secretaria de Turismo, Camila Aragão; e outras autoridades.