

Curitiba
Catarina Scortecci da Redação Gazeta do Povo
Alunos das 2.149 escolas estaduais do Paraná voltaram ontem para as salas de aula após um mês de greve de professores. À margem da recente pauta de reivindicação dos docentes, os problemas estruturais nas escolas permanecem neste início de ano letivo. “As escolas são muito antigas. Então temos problemas principalmente na rede hidráulica e elétrica. Laboratórios de informática, por exemplo, às vezes não funcionam direito”, conta Walkíria Olegário Mazeto, da Secretaria Educacional da APP-Sindicato, que representa os servidores da Educação.
Walkíria lembra que as parcelas do Fundo Rotativo são destinadas à manutenção das escolas. A verba, transferida pelo governo estadual, serve para pequenas despesas, como um corte de grama ou uma pintura simples. Para as grandes reformas, são necessárias outras fontes de receita. “O estado diz que não tem dinheiro. Hoje as escolas buscam dinheiro em programa federal, mas disputam com escolas do país inteiro”, afirma ela. Estimativa do sindicato aponta que, para fazer todas as reformas necessárias hoje nas escolas estaduais do Paraná, o custo seria de aproximadamente R$ 2 bilhões.
Segundo ela, as escolas que têm dualidade na gestão, ou seja, que têm a administração dividida entre o estado e o município, têm mais dificuldades em solucionar os problemas. Ontem, no primeiro dia de aula no Colégio Emiliano Perneta, no bairro Pilarzinho, em Curitiba, cerca de 300 estudantes voltaram a conviver com os buracos no piso.
Segundo a diretora do colégio, Sandra Phillips, o problema já foi relatado à Secretaria de Estado da Educação (Seed) no início do ano passado, mas a gestão compartilhada com a prefeitura de Curitiba teria complicado a solução do problema: “Fica um jogando para o outro. Estou aguardando”, conta ela. Na escola, todas as 12 salas de aula e um salão estão com o piso estragado.
No Colégio Ernani Vidal, no bairro São Lourenço, em Curitiba, problemas na estrutura física da escola também marcaram o retorno às aulas. Com água da chuva em duas salas de aulas, uma turma teve de ser transferida para o refeitório; outra ficou na sala de arte. Mãe de um aluno do oitavo ano e integrante da Associação dos Pais e Mestres do colégio, Márcia Balland afirma que o governo estadual não repassa verbas à escola desde outubro de 2014.
“O que mais nos deixa indignados é que o argumento deles é de que temos problemas com a documentação. E não é verdade. Nossa documentação está toda correta. É uma escola com bons professores, bons alunos, mas está abandonada”, critica.
No fim da tarde dessa quinta-feira, a reportagem não conseguiu contato com a Seed para obter respostas sobre as situações específicas das escolas no Pilarzinho e em São Lourenço. Na Agência Estadual de Notícias, a Seed informou que “a maioria das escolas estaduais ficou praticamente 30 dias fechada, o que impediu vistorias e a realização de obras”.