
Cacmbará
Benedito Francisquini/Redação Tribuna do Vale
Desde o ano de 2013 a comunidade de Cambará convive com um personagem que se esconde atrás do falso nome de “João Verídico”, que através de duas páginas no Facebook, faz ataques a pessoas e instituições ligadas à atual administração liderada pelo prefeito João Mattar Olivato (PSB), que resolveu reagir ao perceber que as baixarias não tem limite e não poupam nem sua família e outras pessoas que de alguma forma tenha relacionamento com ele ou a administração.
João Mattar resolveu tomar medidas para responsabilizar criminal e civilmente quem esteja por trás desses crimes eletrônicos e está contratando um advogado, especialista em Direito Digital para cuidar do caso. “Antes eu via com naturalidade as críticas que faziam contra minha pessoa e meu papel como prefeito, entendendo que isso faz parte da democracia, mas nos últimos meses a situação está ganhando uma dimensão insustentável. Não poupam minha família, agridem minha honra, atacam a moral de minha mãe, de minha esposa, além de outras pessoas que têm ligação politica e de amizade comigo”, desabafou o prefeito.
A reportagem acessou as duas páginas mantidas pelo tal de “João Verídico” no Facebook. Em alguns trechos dos textos postados, o baixo nível chega ao ponto de se transformar em ação criminosa pura e simples. Fica claro que as publicações estão a serviço do ex-prefeito José Salim Haggi Neto (PMDB), ou simplesmente Neto, como é mais conhecido. O texto mais recente se refere a ele como “ex e futuro prefeito Neto”. Em quase todas as publicações o ex-prefeito de Cambará é exaltando. “O Neto pode até não ser o responsável direto pelas publicações, mas ao ter seu nome ligado a alguém que não respeita nem as famílias de adversários e inocentes, fica difícil ganhar a confiança e o respeito da comunidade, pois todo mundo tem mãe e não ficaria feliz ao ver nome dela enxovalhado”, assinala Mattar.
Desrespeito
O falso “João Verídico” distribui agressões contra tudo e todos, menos o ex-prefeito Neto. O presidente da Câmara, vereador Renato Rodrigues e outros da base do prefeito sofrem todo tipo de agressões, inclusive na esfera pessoal, colocando em dúvida a sexualidade, acusando de pedofilia, entre outros crimes.
Jornalistas que mantenham algum tipo de relacionamento com a administração não são poupados, recebendo apelidos jocosos, sempre com a intenção de constrangê-los perante a comunidade. Imprensa, Polícia, Ministério Público, são acusados de omissão. Empresários que mantém negócios com o município são igualmente classificados de “corruptos”, numa sanha sem limites.
![]() |
| Imagem ilustrativa/reprodução de internet |
Punição
Para o advogado Leonardo Góes de Almeida, especialista em Direito Digital e professor nesta área na Faculdade de Direito da Fanorpi (Santo Antônio da Platina)inexiste anonimato na internet. Toda pessoa que postar qualquer arquivo em página de facebook, sites de compartilhamento ou troca de mensagem, deixa atrás de si um rastro que leva à identificação do código (IP) do computador ou conta de onde partiu a mensagem. Neste caso específico da Cambará, em algumas horas, com autorização judicial, é possivel desmascarar o autor ou autores dos crimes que estão sendo praticados, avalia.
Para o jurista, a ocorrência deste tipo de ação vem aumentando assustadoramente nos últimos tempos, mas a maioria das pessoas que pratica esses crimes se julga livres de punição pelo anonimato, mas a história não é bem assim. “Engana-se quem pensa assim. A cada dia a tecnologia vem mostrando o contrário e as ferramentas jurídicas sendo atualizadas de forma a punir os criminosos cibernéticos”, assevera o jurista.
Silêncio
A reportagem falou, por celular, com o advogado Marco Aurélio de Lima, presidente do PMDB de Cambará, partido ao qual pertence o ex-prefeito Neto, mas ele preferiu não se manifestar, alegando tratar-se de um assunto que não diz respeito ao seu partido. “Não temos nada a ver com isso, não conheço o suposto autor dessas postagens, portanto não há o que falar sobre o assunto”, assinalou, informando que falaria com Neto para verificar se ele pretendia se manifestar. Minutos depois retornou a ligação, assinalando que o ex-prefeito prefere manter silêncio sobre um problema que não é da sua alçada.