

Cambará
C.Roberto Francisquini
O vereador Republicano concedeu entrevista ao Circulandoaqui e discorreu sobre assuntos recorrentes a política local. Marcio é vereador de primeiro mandato e integra a base governista. Jovem na vereança mostra-se maduro ao falar de assuntos espinhosos como as polêmicas geradas na atual gestão e a crise de descrédito vivenciada pelos políticos brasileiros. “A política realmente não funciona da forma que deveria. Digo isto, de uma maneira geral. No país inteiro sentimos as mesmas dificuldades que presenciamos no nosso município”, destaca. “Em minha opinião, as polêmicas são causadas por quem não tem intenção de que as coisas aconteçam que prestam mais atenção nos erros dos outros, do que nas próprias falhas” argumenta. Sobre sua atuação na política, o vereador apresenta um discurso moderado e convincente. “Tenho consciência do quanto ainda tenho por fazer, me cobro muito por isso” frisou, “a vitória não está no início de um trabalho, mas sim ao final dele, onde colheremos seus frutos” acrescenta. Sobre uma futura candidatura a prefeito da cidade, Marcio não se esquivou. "Nunca sonhei com a política, nunca me imaginei estar onde estou... Acredito que Deus tem um propósito para cada um de nós e se ele um dia colocar em meu coração que eu estou preparado para contribuir mais e melhor, assim eu o farei" salientou.
Confira os principais trechos da entrevista.
Circulando: Marcio, o senhor é vereador de primeiro mandato, faz parte da base governista e tem acompanhado as dificuldades que o atual prefeito vem enfrentando para impor ritmo de governo. Como o senhor avalia a conjuntura política atual?
Marcio: Desde quando decidi que iria entrar pra carreira política, nunca imaginei que seria fácil a tarefa de fazer parte da administração do município. Dificuldades e problemas acontecem até mais frequentemente do que se imagina. Principalmente quando não se tem a experiência e o conhecimento que a função requer. Com isso, infelizmente existem coisas que acabam não caminhando como idealizamos.
O mais importante é que a vontade fale mais alto. Que o desejo de fazer com que as coisas realmente aconteçam prevaleça ao interesse próprio ou a politicagem. Não vejo falta de vontade na atual administração. Muito pelo contrário, acompanho a preocupação de todos e sei da urgência em resolver os problemas do município, mas hoje a administração está sujeita a uma fiscalização pesada e realizar as coisas de maneira mais rápida e sem burocracias, como acontecia anteriormente, já não é mais possível. Esse entre outros motivos fizeram com que a administração tivesse uma dificuldade grande no início da gestão. Hoje estou mais otimista de que as coisas caminhem de maneira mais célere e eficaz, vejo o empenho do prefeito em captar recursos para o município não é de agora, mas continuo convicto que o planejamento junto a cada equipe de trabalho seja fundamental para o bom andamento do setor.
Circulando: E a administração João Mattar. O que o senhor pode destacar como pontos positivos e negativos desta gestão?
Marcio: Acredito que tenha mais pontos positivos, que negativos. A política realmente não funciona da forma que deveria. Digo isto, de uma maneira geral. No país inteiro sentimos as mesmas dificuldades que presenciamos no nosso município. Mas se colocarmos no papel, já podemos ver avanços nesta administração. Na saúde, ainda tem muito a se fazer e melhorar, mas o SAMU foi um grande avanço. A aquisição de novos veículos para frota do município, tanto na saúde, quanto na educação, a concretização do plano de carreira dos servidores públicos, o vale alimentação, são provas de que há o reconhecimento pelos serviços prestados por estes profissionais e que a administração não ficou inerte neste período inicial.
Estamos passando da metade do caminho,ainda tenho muita reivindicação e indicação a fazer... E vou continuar cobrando pra que as coisas que ainda não aconteceram, se tornem realidade o quanto antes. Um exemplo? A melhoria das vias públicas, o problema da limpeza e organização dos terrenos urbanos, obedecendo o código de postura de nosso município, a organização da sinalização de trânsito e outros mais.
Circulando: A atual política cambaraense está sendo marcada por polêmicas. O senhor concorda?
Marcio: Roberto, em minha opinião, as polêmicas são causadas por quem não tem intenção de que as coisas aconteçam, que prestam mais atenção nos erros dos outros, do que nas próprias falhas. Isso existe em todos os lugares, principalmente hoje, com a informação tão perto e acessível a todos. Particularmente repudio essa atitude. O que é certo devemos incentivar e o que é errado tem que ser fiscalizado e colocado um fim, mas não concordo com a proporção que dão a certos assuntos, que no fundo não levarão a nada.
Tenho uma frase que não tiro da mente: aquilo que não edifica, não merece cimento, o que quer dizer, que se certo assunto não vai acrescentar nada de bom, não merece uma discussão ou um sensacionalismo desproporcional. Nunca precisei passar por cima de ninguém pra atingir um objetivo, nunca desrespeitei um companheiro, ofendi pessoas ou famílias. Minha política prefiro fazer com ideias e atitudes, e se minha carreira depender de ofensas ou acusações sem fundamento, eu a abandono na mesma hora. Jamais irei contra meus valores e princípios.
Circulando: As 199 casas, por exemplo, está emperrada a mais de dois anos e ao que tudo indica, levará algum tempo para serem entregues. Tem alguma explicação?
Marcio: Esse é um assunto que também muito me interessa, tenho muita preocupação e cobro frequentemente a atual administração. Sei da urgência dessas famílias e isso também me preocupa.
Porém existe toda uma burocracia que envolve e atrasa a concretização desse projeto. Sei que o que ficou a cargo do município já foi realizado, agora só estão faltando detalhes que competem a construtora responsável pela obra. Buscar culpados, creio que não é o melhor caminho, muito pelo contrário, só vai fazer com que as coisas atrasem ainda mais. O certo agora é unir forças, dobrar o empenho e fazer acontecer.
Circulando: O governo local tem acertado em algumas áreas, mas ainda há muitas reclamações. O senhor acha que a chiadeira da população é exagerada?
Marcio: Não acho que a população exagera, de forma alguma. Acho que o que ocorre é que a população está mais crítica e mais atenta a tudo o que acontece. As informações chegam mais rápido e assim elas ficam mais bem informadas com tudo o que está acontecendo.
Tem bastante coisa pra se mudar mesmo, entretanto, tenho uma observação a este respeito: de 60 a 70% das reclamações, são muito mais fáceis de se resolver do que se imagina. Por exemplo: entulhos jogados em áreas públicas sem qualquer cuidado ou comunicação com o setor competente, podas irregulares de árvores, terrenos particulares tomados pelo mato... São coisas que com bom senso da população e uma fiscalização por parte da administração diminuiria consideravelmente a insatisfação.
Para Cambará se desenvolver, precisamos primeiro organizar aquilo que temos a nosso alcance, lutarmos em conjunto para concluirmos as obras que estão paradas, as reformas das escolas que tanto necessitam, a recuperação de bens públicos abandonados, a capacitação do nosso servidor, enfim, é assim que eu penso: primeiro se organiza o que se tem, depois se planeja o que se quer.
Circulando: O senhor foi citado por um vereador que acusa o presidente da Câmara, Renato Rodrigues (PSB) de ter feito uma manobra política num encontro com o Ministério da Pesca, evento que aconteceu em Foz do Iguaçu, no ano passado. O que há de verdade neste episódio?
Marcio: Roberto, já falei sobre esse assunto em sessão na câmara, mas não me importo de mencioná-lo novamente. Acompanhei o prefeito (coisa que todos os vereadores já fizeram) e o presidente da câmara em uma viajem a Foz do Iguaçú, para tratar detalhes de um assunto que julgo ser de grande valia ao nosso município. Nós reunimos com um representante do ministério da pesca, o deputado federal Nelson Padovani, para trazer pra cambará um projeto que atenderá cerca de 100 agricultores, com recurso de quase r$1.000.000,00. Não houve nada além disso. Não houve manobra política nenhuma. O que ocorre, é que ás vezes, as intrigas pessoais acabam tomando proporções desmedidas, e a intenção de denegrir a imagem, do outro, acaba atrapalhando todo um trabalho sério de uma câmara municipal.
Circulando: Há uma desconfiança generalizada da população para com a classe política, seja no âmbito federal, estadual e principalmente no plano municipal. Como o senhor vê esta situação e dá para acreditar que haverá como contornar esta crise de descrédito?
Marcio: A classe política há tempos tem sido desacreditada e vista de uma forma mais crítica e desconfiada. Eu mesmo me incomodo e muito ao ver tanta corrupção e coisas erradas acontecendo. Infelizmente a população acaba pagando por representantes despreparados e mal intencionados. No âmbito municipal, acredito que a situação é mais tranquila, os representantes eleitos estão bem mais próximo da população, possibilitando que se conheça mais sobre cada um, suas intenções, sua atuação na adminstração e até como são como pessoas, caráter, valores...
Pode parecer utopia, mas eu acredito sim que conseguimos reverter a situação. Embora tenha conhecido um lado da política que particularmente não me agradou, tenho fé que todos que estão aí hoje, têm uma boa intenção. Que assim como eu, acredita em uma política limpa, mais acessível e honesta.
Circulando: Como que o senhor avalia seus dois primeiros anos de mandato?
Marcio: Posso dizer que foram dois anos de muito trabalho. Tenho consciência do quanto ainda tenho por fazer, me cobro muito por isso. Agora avaliar os resultados, prefiro fazer isso ao final desse mandato. Pois assim como disse em meu discurso de posse, a vitória não está no início de um trabalho, mas sim ao final dele, onde colheremos seus frutos. Aí sim poderei dizer se fiz um bom trabalho ou não.
Circulando: De seus projetos políticos o que o senhor pode destacar como medidas importantes que atenderam aos anseios da população?
Marcio: Procuro fazer meu trabalho da melhor forma possível. Nós vereadores temos certa dificuldade em propor grandes projetos, pois não podemos criar nada que venha gerar ônus ao município. Dentre as coisas que venho buscando e acredito estar auxiliando nossa população, é a organização dos trevos e rotatórias perigosas, já conseguimos implantar embaixo do pontilhão e no bairro Bergamaschi. Ainda temos o Ignês Panichi, São José e Jardim Santo Antônio. Os redutores de velocidade nas entradas do município também, estive presente desde o início dos projeto. Estou presente em todos os projetos e iniciativas da área da saúde, auxiliando em tudo que precisam, criei o projeto operação cidade limpa, onde reúne as equipes da infra-estrutura, durante um período de tempo em um só bairro e ali, fazem um “pente fino” , tapando buracos, coletando entulhos, podando árvores, pintando as guias, arrumando os postes de iluminação, enfim, deixando tudo organizado, e só aí partir para o próximo local. Esse projeto já foi testado, funciona, mas minha vontade é que ele seja constante e sem falhas Tenho mais de 80 indicações e requerimentos importantes, que vem ao encontro às necessidades da população. Estou brigando por eles.
Circulando: O que ainda falta concluir?
Marcio: Nossa... ainda tem muita coisa pra fazer. Como eu te disse, tenho mais de 80 indicações e requerimentos para serem atendidos pela administração. A reforma do cemitério municipal, as melhorias da casa de velório, a melhoria das vias urbanas, a regulamentação da operação cidade limpa, a regulariazação dos terrenos urbanos de acordo com o código de postura do município. A reativação de prédios públicos abandonados, como a piscina do Ignês Panichi, além de projetos com parceria de empresas privadas, como a recuperação de nossa estação ferroviária, e a implantação de um museu de nossa história em suas dependências, as praças em torno da rede ferroviária que corta nossa cidade. Espero que consigamos concluir! Estamos trabalhando pra isso.
Circulando: Como andam as obras no Estádio da Vila Santana?
Marcio: Ah Roberto, esse é um sonho antigo! Como eu quero que este espaço seja recuperado e possamos reviver os grandes momentos que ele nos proporcionou. Como você sabe, existe um projeto desenvolvido pra esse lugar, foi montada uma nova diretoria, que se reúne periodicamente para acompanhar os avanços e decidir os próximos passos. Muito já se fez, embora possa parecer o contrário, mas tenho tudo documentado e registrado, que tivemos que recuperar desde o gramado, fechar os espaços arrombados, até acertar toda documentação, regularizar os impostos, o que não foi fácil. Se nosso espaço estivesse pronto, em condições de uso, ele seria o único estádio do município com condições de atender uma partida oficial, nas questões de documentação.
Para que consigamos concretizar esse sonho, no entanto, estamos aguardando a venda de um outro prédio que essa mesma diretoria administra, para que com essa renda façamos toda a reforma necessária. Se Deus quiser isso não deve demorar.
Circulando: Há pouca mais de um ano das eleições municipais, o senhor já decidiu se irá concorrer a reeleição?
Marcio: Bem Roberto, como eu sempre digo: o futuro só a Deus pertence, mas tudo está caminhando para que eu dê continuidade ao meu trabalho e tente um novo mandato.
Circulando: O senhor ainda é relativamente jovem na política. Ser prefeito da cidade está em seus planos?
Marcio: Olha, sempre sou questionado sobre esse assunto. e costumo responder que só o tempo dirá e apontará as oportunidades. Tenho muito que aprender, e a trabalhar ainda... Não sou hipócrita em dizer que não almejo crescer politicamente, mas assim como tudo até agora em minha vida, entrego nas mãos de Deus! Nunca sonhei com a política, nunca me imaginei estar onde estou... Acredito que Deus tem um propósito para cada um de nós e se ele um dia colocar em meu coração que eu estou preparado para contribuir mais e melhor, assim eu o farei.
Circulando: Para finalizar, qual a cidade ideal para se viver?
Marcio: Mais do que qualquer sonho, onde saúde, segurança, educação, funcionem de forma eficaz e satisfatória pra toda população, pra mim, a cidade ideal seria quando a classe política fosse realmente unida visando somente o bem comum, onde todos os setores e repartições trabalhassem em conjunto, seguindo um mesmo pensamento e que a população pudesse enxergar esse esforço e pudesse também fazer parte dele, pois não há progresso onde não há o espírito de equipe e dedicação de todos. Espero de coração que um dia essa possa ser nossa realidade.