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Polícia Penal e Ministério Público do Trabalho capacitam mulheres em gastronomia
Parceria entre a Polícia Penal do Paraná e o Ministério Público do Trabalho de Londrina, o projeto Capacitar para Libertar envolve Senai e Senac e...
05/12/2023 09h42
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Secom Paraná

O projeto Capacitar para Libertar, uma parceria entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Londrina, realizou nesta segunda-feira (4) a formatura da primeira turma de 18 mulheres privadas de liberdade no curso de qualificação em gastronomia. Ele iniciou em julho e encerrou no fim de novembro, com mais de 500 horas/aulas de gastronomia, panificação e confeitaria. Já a segunda turma, com 22 alunas, tem previsão de conclusão ainda no primeiro semestre de 2024.

O projeto tem como objetivo profissionalizar apenados do sistema prisional, principalmente aqueles que estão em final de pena, com orientação voltada ao microempreendedorismo. Entre os requisitos necessários para o ingresso ao programa estão a proximidade do fim da pena, bom histórico comportamental e escolaridade mínima.

A iniciativa começou em 2021, na Penitenciária Estadual de Londrina II – Unidade de Progressão, com a oferta de cursos de construção civil e eletricista aos custodiados. Em 2023 o Capacitar para Libertar chegou na Cadeia Pública Feminina de Londrina.

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O projeto une profissionalização e preparação para a reinserção social, juntando aulas específicas de cozinha, com apoio do Serviço Nacional da Indústria (Senai) e Serviço Nacional do Comércio (Senac), além da supervisão de uma psicóloga e assistente social. O trabalho dessas profissionais tem o intuito de ajudar as PPLs encontrar e definir um propósito de vida. Ele é realizado por meio de aulas de controle emocional, pilates e rodas de conversas, com técnicas de justiça restaurativa.

Com o objetivo de viabilizar um ambiente adequado, foi construída e inteiramente equipada uma cozinha escola dentro da unidade, oportunizando a mesma experiência de um curso ministrado nas melhores escolas de gastronomia do Estado.

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Além da formação, as apenadas receberam um kit básico de trabalho composto por uma batedeira, liquidificador, formas, dolmã (uniforme da área de gastronomia) e material gráfico para apresentação do trabalho quando retornarem ao convívio social. As mulheres com interesse em empreender ainda desenvolveram a logo da marca e receberam todo o material de papelaria para dar sequência na divulgação de seus trabalhos.

Ao fim do curso, as alunas terão o apoio do Sebrae na abertura de um CNPJ próprio para microempreendedor individual e também da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de Londrina, que irá auxiliar na indicação de vagas em estabelecimentos para aquelas que não quiserem abrir a própria empresa.

Segundo o Ministério do Trabalho de Londrina, foram investidos aproximadamente R$ 390 mil em todo o projeto. O procurador e idealizador do projeto Heiler Ivens de Souza Natali ressalta que a capacitação é de alto nível. “Elas dificilmente vão encontrar colegas de trabalho com a mesma qualificação lá fora. Todas sairão daqui empresárias, sem dever mais nada à sociedade. Aliás, pelo contrário, elas estarão contribuindo com a comunidade através do comércio e até da geração de empregos, por exemplo”, disse.

O desembargador Ruy Muggiati, supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Medidas Socioeducativas (GMF), participou da cerimônia e destacou que o projeto ultrapassou os limites daquilo que é almejável. “Quando desenvolvemos projetos, sempre falamos que não devemos economizar em sonho. Este é um momento muito especial, estive aqui para testemunhar e levar esse momento a todos os lugares possíveis. Com certeza teremos a multiplicação desse modelo”, afirmou.

Uma ação desse porte, tão inclusiva, é um ganho para a Polícia Penal do Paraná, segundo o diretor-geral da instituição, Reginaldo Peixoto. “Podemos fazer a diferença. Eu tenho esperança e certeza que esse modelo de projeto será replicado”, disse.