
Cambará
C.Roberto Francisquini
Foi por unanimidade. O Parlamento cambaraense decidiu, na noite desta segunda-feira (22), acatar a denúncia protocolada contra o prefeito João Mattar (PSB), e dos vereadores Renato Rodrigues (PSB) e Marcio Albertini (PR) [Presidente e Secretário da Câmara respectivamente] e vai investigar suposto ato de improbidade administrativa e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi protocolada por Paulo Roberto Alves Mira e pede esclarecimento sobre uma viagem realizada pelos políticos ao município de Foz do Iguaçu para um encontro com o Ministério da Pesca, reunião que a acusação diz não ter acontecido. O objeto da denúncia se baseia no documento do Ministério Público local que acusa os políticos em questão, por atos de infração política grave e também por terem, supostamente, dado falso testemunho no processo.
O assunto dominou a pauta da sessão ordinária desta segunda.
A acusação diz que tanto o prefeito como os vereadores agiram de forma negligente, violaram o princípio ético dos cargos que ocupam além de terem se beneficiado de bem público entre outras supostas infrações.
Pesa contra os réus a violação dos três pilares da administração pública: os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade.
Contra o Prefeito João Mattar pesa ainda, o uso de um advogado, servidor público lotado na prefeitura em cargo de confiança, que teria agido em sua defesa no processo, o que é considerado abuso do poder público, além de ter se beneficiado de diárias na referida viagem.
Todos os envolvidos negam que tenham agido na irregularidade.
Discursos:
| Renato Rodrigues Ferreira (PSB) |
| Marcio José Albertini (PR) |
Renato Rodrigues Ferreira (PSB) foi o primeiro a se manifestar. Com um discurso duro, atribuiu aos adversários a situação atual. Não poupou adjetivos para expor seu sentimento e, no seu velho estilo chamou, sem citar nomes, de corvos, porcos e abutres as pessoas que teriam arquitetado a ação. Ao mesmo tempo que pediu para que os vereadores votassem favorável à abertura da CP, Rodrigues tentou desqualificar o autor da denúncia [Paulo Mira] duvidando de sua capacidade de formular o documento.
Marcio Albertini por sua vez, optou por um discurso mais conservador, evocou a Deus por diversas vezes e discorreu sobre os valores da boa política, além de dizer estar decepcionado ao classificar o cenário atual como ‘política tendenciosa e maldosa’. Disse estar de consciência tranquila. “Estou de consciência tranquila, pois Deus tudo sabe. E é Nele que me fortaleço para as tempestades que aparecem no meu dia-dia. Vou enfrentar essa situação de cabeça erguida” afirmou.
Sete dos nove vereadores que puderam votar optaram pela abertura da Comissão Processante. O processo será investigado individualmente, ou seja, cada um dos envolvidos terá uma sentença exclusiva. A CP foi formada por sorteio e os vereadores Raffaello Frascati (PMDB), Rogério Frutuoso (PSL) e Walcir Joaquim (PSDB), compõem a comissão que irá investigar o caso. Tanto Renato Rodrigues, bem como Marcio Albertini, não participaram da votação.
Bastidores
| Marcos Roberto de Oliveira (Tetinha) |
Nos bastidores da reunião, o burburinho era visível, algumas pessoas classificaram de demagógico os discursos e acreditam em punição. As críticas mais vorazes eram direcionadas ao vereador Renato Rodrigues. Das pessoas ouvidas pela reportagem, todas foram unanimes ao dizer que o edil extrapolou na grosseria em sua defesa.
Das poucas pessoas que estavam na plateia, a figura do ex-vereador Marcos Roberto de Oliveira chamou atenção. Tetinha como é mais conhecido, não gravou entrevista, mas alfinetou Renato Rodrigues ao justificar sua estada na câmara legislativa. “O feitiço virou-se contra o feiticeiro” disse em tom jocoso, “vim aqui para olhar nos olhos dele [Renato] e ver o vexame que está se submetendo” frisou Marcos (Tetinha).
O ex-vereador foi alvo de inúmeras denúncias feitas pelo Vereador Renato Rodrigues na gestão 2009/2012. A Comissão Processante da época sugeriu a abertura de processo de cassação de mandato de Tetinha, mas a maioria optou por preservá-lo no cargo.
Ao final da sessão deste segunda (22) alguns vereadores consultados pela reportagem disseram lamentar a situação atual, porém foram unanimes ao afirmar que não irão poupar os envolvidos caso se confirme as denúncias.