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Jefferson: discurso do governo é que mensalão é 'de outro mundo'

Por:
08/08/2012 às 16h38
Jefferson: discurso do governo é que mensalão é 'de outro mundo'

 

 

 

 

 

Brasília

Portal Terra


 

O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que denunciou o esquema do mensalão em 2005, afirmou nesta quarta-feira, em seu blog, que o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) trata o julgamento como se fosse coisa "de outro mundo". "O discurso é de que o maior julgamento do País acontece em outro mundo, enquanto a caravana - social, econômica e, principalmente, eleitoral - passa", criticou Jefferson.

"Quando o cansativo julgamento do mensalão começa a esfriar, já que os grandes advogados dos principais réus já foram, quase todos, ouvidos pelos ministros do Supremo, o governo aproveita para lembrar que o mensalão não tem nada a ver com ele. Dilma Rousseff escalou Gilberto Carvalho para avisar que 'aqueles que apostam nesse processo para um desgaste desse projeto político se decepcionarão'", completou Roberto Jefferson.

O pivô do escândalo criticou ainda a falta de constrangimento do governo Dilma: "De fato, nem a menção aos depoimentos de Lula e da própria Dilma em favor de José Dirceu foi suficiente para constranger o governo, que segue como se nada estivesse acontecendo consigo mesmo. Mas o pior ainda está por vir. Até a próxima semana os discursos serão todos positivos, absolutórios, ou assim se espera. O show, contudo, começará realmente com os votos do relator, Joaquim Barbosa, que deve chegar ao momento de falar com os olhos bem abertos e os dentes bem cerrados, e do revisor, Ricardo Lewandowski, a quem caberá, com um voto 400 páginas maior, fazer o contraponto ao relator."

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.


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