
| População lotou o auditório da Câmara Platinense e pressionou vereadores que foram obrigados a recuar. Foto Antônio de Picolli - Tribuna do do Vale |
Santo Antonio da Platina
Gladys Santoro/ Luiz Guilherme Bannwart/ das redações Tribuna do Vale/Tanosite/com reportagem local
A população lotou o plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Santo Antônio da Platina na tarde desta quarta-feira, 15, para a votação em segundo turno do aumento salarial dos parlamentares da próxima gestão, e conseguiu um fato inédito: ao invés de dobrar os vencimentos dos atuais R$ 3,7 mil para R$ 7, 5 mil, como previa o projeto original, o salário caiu para R$ 970. O projeto, com emenda, foi aprovado por 7 a 1. A terceira votação está marcada para sexta-feira, às 17 horas.
Somente o vereador Sebastião Vitral dos Santos Furtado, o Santinho Furtado, votou contra o salário de R$ 970. Ele disse que a emenda que reduz os vencimentos drasticamente é demagógica, e que em todos os anos que atuou na política, nunca viu uma situação parecida, onde os vereadores recuam da própria proposta de dobrar o salário e ainda o reduzem para o mínimo.
Pelo projeto original, ou seja, sem emenda, os salários dos vereadores subiriam de R$ 3,4 mil para R$ 7,5 mil. Do presidente da Câmara iria de R$ 4.09 mil para R$ 8.5 mil. Do prefeito subiria de R$ 14, 7 mil para R$ 22 mil, e do vice de R$ 8,5 mil para R$ 13,5 mil.
Com a emenda aprovada nesta quarta-feira, os salários ficaram assim: vereadores R$ 970, presidente R$ 970,00, vice-prefeito R$ 970, e prefeito R$ 12 mil.
Ainda na sessão desta quarta, o presidente da Câmara Valdir Domingos de Souza anunciou que o projeto que previa o aumento do número de vereadores de 9 para 13, e que seria votado na próxima semana, foi retirado definitivamente. “Vamos continuar com apenas nove vereadores. O projeto está retirado”, afirmou.
Apesar da grande e barulhenta manifestação pública, o presidente da Câmara conseguiu se impor e, educadamente, dar continuidade à sessão. Alguns vereadores tentaram justificar a pretensão de dobrar os salários, mas as vaias encobriam suas vozes. O vereador Claudio Domingues, o Cação, aproveitou para “lavar a roupa suja” e entregou o vereador Francisco Faustino Proença Junior, o Chiquinho, de bandeja à população.
“Foi o vereador Chiquinho quem sugeriu subir os salários para R$ 7,5 mil. Só que depois, ele ‘amarelou’ e não apareceu para votar”, disse.
Cação também partiu para cima do vereador Aguinaldo Roberto do Carmo, dizendo que ele só sabe criticar o prefeito. “Ele só fala mal do prefeito, talvez seja porque está de olho na cadeira dele nas próximas eleições”, disse.
O vereador Chiquinho procurou argumentar dizendo que a Câmara tem suas regras e que é preciso cumpri-las. Ele também esboçou um elogio à atitude popular, mas nem assim escapou das vaias do público presente.
O projeto que previa dobrar os salários chegou a ser aprovado em primeira votação, ocorrida em sessão extraordinária, na segunda-feira, 13. Mas a população não deixou barato e começou a se organizar através das redes sociais para impedir que o aumento fosse aprovado em segundo turno, que ocorreu no final da tarde desta quarta-feira.
Cambará
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| Vereadores cambaraenses. Foto: C.Roberto Francisquini - arquivo Circulandoaqui |
Em Cambará, cada vereador recebe algo em torno a R$ 4,7 mil bruto, (sem descontos) o valor real dos salários dos edis é superior R$ 4mil mensais. Pela legislação atual Cambará poderá, se quiser, aumentar de 9 para 11 cadeiras no legislativo, mas diante da repercussão negativa do caso de Santo Antonio da Platina, acredita-se que a ideia não vá prosperar.
A matéria sobre o aumento dos subsídios dos edis e o aumento do número de vagas ainda não entraram na pauta de discussão da Câmara e de acordo com Renato Rodrigues (PSB), que é vereador e Presidente do legislativo local, acredita que nem será discutida.
Renato participou, na manhã desta quinta-feira (16) do programa Circulando no Rádio, mantido pelo portal na 104,9FM e disse que é contrário ao aumento dos vencimentos dos vereadores, porém, afirmou não concordar com a redução, como aconteceu em Santo Antonio da Platina.
O Presidente explicou que a remuneração atual é compatível com as atribuições que o cargo exige e chamou de demagógica a ideia de reduzir o valor. Já o ex-vereador Antônio José Nucci (DEM) disse ser favorável à redução e chegou a dizer que vereadores de municípios com menos de 50mil habitantes nem deveriam ser remunerados.
O vereador Walcir Joaquim (PSDB) alegou, por telefone, que os vereadores platinenses “deram um tiro no pé”. O tucano argumentou que a tentativa de dobrar os próprios vencimentos, em tempos de crise, revoltou a população. Sobre a possibilidade de ter que votar pela redução dos salários dos vereadores de Cambará, W.Joaquim, foi reticente e alegou que o exemplo deveria vir de cima, referindo-se aos deputados que gozam de benefícios exorbitantes. “Um deputado recebe como verba de auxílio moradia, por exemplo, mais R$4mil por mês, fora o salário e verbas de gabinete” frisou. “Acho que o exemplo deveria partir deles” acrescentou.
Tuta discorda da redução dos salários e alega que além da responsabilidade que o vereador tem em legislar disse que tem ainda o fator pós legislatura, frisando que o seu nome estará nos altos por toda sua vida e que qualquer coisa que saia errado ele será responsabilizado. “A população tem que ver que o vereador que trabalha com seriedade traz recursos para o seu município além da soma de seu salário” disse Tuta. Quanto ao número de cadeiras no legislativo, Tuta foi enfático: “Acho que nove vereadores, já está de bom tamanho” explicou.
O vereador João Antonio Tinelli alegou que não sabe como funciona a Câmara de Santo Antonio Platina, disse que cada casa de lei tem suas particularidades e vê a iniciativa dos vereadores platinenses não passa de demagogia.
“Vereador que não trabalha, além de não ter que receber salário, não deveria nem estar lá” resumiu.
A reportagem tentou falar com os outros vereadores. Os vereadores do (PMDB) Raffaello Frascatti e Aparecido dos Santos (Cidinho Enfermeiro) não atenderam nossas ligações. Rogério de Lima (Polaco) atendeu a ligação, disse que retornaria mais tarde e depois seu telefone permaneceu desligado. Rogerinho do Karatê (PSL) desconversou, disse que daria suas declarações pessoalmente na redação do jornal, o que não aconteceu. Marcio Albertini (PR) também disse que falaria pessoalmente, mas até o fechamento desta edição não deu retorno.
A vitória da comunidade de Santo Antonio da Platina sobre a decisão dos vereadores abre a discussão sobre o tema.
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