
Cambará
C.Roberto Francisquini
O primeiro dia de oitivas na Câmara de vereadores de Cambará que apura possível crime de improbidade administrativa envolvendo o Prefeito João Mattar (PSB) o presidente da Câmara Renato Rodrigues (PSB) e o Secretário do legislativo local Marcio Albertino (PR), terminou, aparentemente bem, para os acusados.
A sessão teve início por volta das 13h30min desta terça-feira (21) e foram ouvidos três depoimentos, Paulo Roberto Alves Mira – denunciante, Juliano Ribeiro Michelato e Claudia Frediani Arioso – ex-chefe de gabinete do prefeito. Benedito da Silva Ramos, o Bene como é mais conhecido, fecharia o ciclo de depoimentos, porém ele não compareceu e ninguém soube explicar o motiva de sua ausência. O presidente da Comissão Processante, o vereador Rogério Frutuoso, disse que vai esperar a justificativa e marcará uma nova data para ouvi-lo.
Ao contrário do que se esperava, poucas pessoas acompanharam a sessão no plenário da Câmara.
Paulo Roberto Mira foi o primeiro a ser ouvido. Partiu dele a denúncia que culminou na abertura do processo que investiga o caso na Câmara. O Ministério Público já havia oferecido a denúncia contra os envolvidos e a matéria corre, também, na esfera jurídica da comarca.
| Paulo Roberto Mira |
| Juliano Ribeiro Michelato |
| Claudia Frediani Arioso |
O depoimento de Mira foi o mais conturbado. Em diversos momentos o presidente da CP teve que intervir para colocar ordem nos trabalhos.
Mira se recusou a responder a algumas das perguntas do Vereador Renato Rodrigues e chegou a se irritar em alguns momentos.
Textos publicados no facebook pontuaram as perguntas feitas pelo advogado de defesa do Prefeito João Mattar.
Dra. Leila Mattar, mãe do Prefeito, também advogada, acompanhou, da tribuna, a sessão, mas não se manifestou publicamente. “Deus é maior” resumiu ao final dos trabalhos.
Os depoimentos de Juliano Ribeiro Michelato e Claudia Frediani Arioso, contundentes por sinal, dá ligeira margem de vantagens para os acusados. Os depoentes responderam aos questionamentos de forma clara e firme.
Claudia Frediani foi confrontada com perguntas pertinentes ao objetivo da viagem do prefeito a Foz do Iguaçú. Ela afirmou que além do encontro de prefeitos com secretário do Ministério da Pesca, o Prefeito João Mattar também cumpriu agenda na Receita Federal, onde teria pleiteado doações de produtos confiscados pelo órgão federal que seriam revertidos para a APAE e a Santa Casa de Misericórdia local, além de requerer veículos para o município, como já ficou evidente em seu primeiro ano de gestão.
Houve princípio de bate-boca entre o presidente da CP, Rogério Frutuoso e o vereador Renato Rodrigues. Inclusive Rodrigues acusou Frutuoso de prevaricação – (crime cometido por funcionário público quando, indevidamente, este retarda ou deixa de praticar ato de ofício, ou pratica-o contra disposição legal expressa, visando satisfazer interesse pessoal).
Renato sustenta que Rogério Frutuoso sabia dos acordos entre o prefeito e os vereadores da base, que na época, era composta por [João Antonio Tinelli (PSDB), Marcio Albertini (PR), Walcir Joaquim (PSDB), Claudinei Tuta Tironi (PT), Renato Rodrigues (PSB) e Rogério Frutuoso (PSL)]. De acordo com Rodrigues, Rogério sabia desde o início que haviam um acordo de viagens do chefe do executivo e que intercaladamente cada vereador da base teria sua oportunidade de participar dos encontros políticos.
Claudia Frediani tocou no assunto durante a sessão e informou que o prefeito havia feito o convite para que os demais vereadores da base o acompanhasse nesta viagem. Walcir Joaquim disse que o acordo era somente para viagens à Brasília, mas que por conta dos altos custos com passagens e hospedagem, o projeto foi abortado.
Rogério Frutuoso nega que tenha praticado crime de prevaricação. “Assim que soube da irregularidade comuniquei o Ministério Público” diz.
| Membros da Comissão Processante. A partir da esquerda: Raffaello Frascati (PMDB), Rogério Frutuoso (PSL) e Walcir Joaquim (PSDB) |
Ao final da sessão, Claudia Frediani Arioso falou com a reportagem do Circulandoaqui, disse que foi um tanto quanto constrangedor participar da oitiva e alegou não ter passado por situação semelhante. “Eu falei tudo que sabia, fui sincera, não omiti nada. A única coisa que me entristece nisso tudo, é que se a gente acreditasse que isto tudo seria para o benefício da população ficaria muito feliz, mas a gente sabe que isto é briga por poder, pela politicagem que existe na cidade. Cambará não cresce por conta da politicagem. Então eu gostaria que os Nobres vereadores que estão fazendo parte desta comissão, que eles tivessem o mesmo empenho que estão tendo para tentar derrubar o prefeito, que manifestem em apresentar projetos que beneficie a população que está precisando tanto. Então eu acho que estão se apegando a detalhes que não tragam benefícios para a população” explicou.
Procurado pela reportagem, o prefeito João Mattar não quis dar declarações, disse apenas que “a verdade sempre prevalece” frisou.