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Usinas reajustam etanol em 12,3%, maior alta em cinco anos

Aumento ocorreu após o reajuste da gasolina e recompõe margens do setor

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06/10/2015 às 13h46 Atualizada em 06/10/2015 às 14h02
Usinas reajustam etanol em 12,3%, maior alta em cinco anos

 

Agência O Globo/ via Gazeta do Povo

 


 

 

Aproveitando o aumento da gasolina, que foi reajustada em 6% na refinaria desde o dia 1 deste mês, as usinas elevaram o preço do etanol hidratado em 12,3% na semana passada, a maior alta semanal em cinco anos e meio, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O anidro, que é misturado na gasolina, subiu 10,2% entre 28 de setembro e 2 de outubro. O aumento se refere ao reajuste nas usinas e deve chegar ao consumidor, embora o percentual não seja, necessariamente, o mesmo.


Segundo o Cepea, além do aumento da gasolina, dois outros fatores foram determinantes para o reajuste: as chuvas que atingiram São Paulo na semana passada, interrompendo a colheita de cana-de-açúcar, e a corrida das distribuidoras para comprar etanol antes que ele se valorizasse mais. O volume de negócios de álcool hidratado no mercado à vista foi o quarto maior já registrado em uma semana desde 2002. São Paulo responde por 60% da produção nacional de etanol.


Defasagem


Para Amaryllis Romano, economista da consultoria Tendências, os preços do setor estão defasados desde 2009, quando a crise atingiu em cheio os produtores. A isso somou-se a política da Petrobras de segurar reajustes da gasolina para tentar controlar as pressões sobre a inflação. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o consumo de álcool hidratado nas bombas cresceu 41,4% este ano.


“A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) sobre o etanol em estados como Minas Gerais já vinha tornando a relação com a gasolina mais favorável. A queda da renda das famílias impulsionou o consumo”, diz Amaryllis.


Ao mesmo tempo, lembra Amaryllis, o diesel, que também foi ajustado, em 4%, é um insumo importante na produção e colheita da cana, e no transporte do etanol, tendo peso importante na cadeia de custos. Com o reajuste, tornou-se um item a mais a pressionar as margens dos produtores. Mesmo com a alta da semana passada, o etanol hidratado acumula queda real de preço de 6,1% na média da safra atual.


E o aumento da demanda, acrescenta a economista da Tendência, não se restringiu à semana passada, mas vem desde o início do ano. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), mostram que o consumo de etanol hidratado nas bombas cresceu 41,4% este ano, contra uma queda de 5,9% na demanda de gasolina comum.


“A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) sobre o etanol em alguns estados, como Minas Gerais, já vinha tornando a relação com a gasolina mais favorável. Isso em um ambiente de queda da renda das famílias impulsionou o consumo”, observa a economista.


São Paulo responde por 60% da produção nacional de etanol, e o movimento de alta nos preços se reflete em outras regiões produtoras. Segundo o Cepea, em Goiás o preço do etanol hidratado subiu 10,6% na semana passada, enquanto o para comercialização para fora do estado, 11,4%. Em Mato Grosso, na semana o litro do etanol hidratado teve alta de 2,4%.

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