

Da redação
Enquanto o dólar comercial fechou o mês de outubro de 2014 a R$2,40, ele está, um ano depois, na casa dos R$3,90, tendo chegado a atingir R$4,14 no fechamento do dia 23 de setembro. Muitos pensam que a alta do dólar (ou desvalorização do real, como queiram) é um problema com que apenas pessoas que viajam ao exterior precisam se preocupar. Mas, infelizmente, isso afeta a todos, pois até o trigo, matéria prima do pãozinho francês, tem seu preço majorado com a alta da moeda estadunidense, pelo alto volume de importações, necessário para abastecer o mercado brasileiro.
Se nem o pãozinho está livre, imagine o vinho. Os vinhos importados, naturalmente, são os mais afetados. Embora já seja possível verificar uma alta nos preços dos vinhos importados, muitas importadoras ainda não repassaram toda essa variação cambial aos seus produtos. Isso se dá, fundamentalmente, por dois motivos. O primeiro deles reside no fato de que, em muitos casos, essas importadoras ainda não compraram vinho com a nova cotação. Portanto, é uma questão de tempo. O segundo motivo diz respeito ao atual cenário de crise econômica pelo qual atravessa o país. Um importador me confidenciou que, mesmo sabendo que não conseguirá repor os vinhos com o valor que recebe agora, não vê viabilidade em aumentar seus preços proporcionalmente à variação cambial, sob pena de ver suas vendas despencarem. Segundo ele, suas vendas já caíram em função da crise e um aumento brusco só agravaria a situação. É absolutamente natural que, em momentos de turbulência econômica, gastos supérfluos sejam os primeiros a ser suprimidos. E o vinho tende a sofrer muito com isso.
Sem querer pintar um quadro cataclísmico, ainda há um outro problema se avizinhando: um aumento de impostos. A partir de dezembro de 2015, a alíquota do IPI - Imposto Sobre Produtos Industrializados - subirá drasticamente. E pior: tanto para os vinhos nacionais como para os importados. Atualmente, há um teto de R$ 0,73 por litro para os nacionais. Passará para 10% de valor dos produtos. Quanto aos importados, que tem esse teto de R$ 0,73 por litro para os vinhos até 70 dólares, passará a pagar 10% sobre o valor do vinho.
Diante desse cenário, está na hora de estocar vinho? Não há uma resposta definitiva, pois não é possível prever, com segurança, como o câmbio vai se comportar. Em todo caso, se você encontrar um vinho de sua predileção por um bom preço ou, ainda melhor, numa promoção, não deixe passar a oportunidade! Melhor se precaver!
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