
Da redação
C.Roberto Francisquini
Cresce a cada dia na cidade rumores que apontam a possibilidade do empresário e vice-prefeito Luís Dias (PSDB) em assumir a condição oficial de pré-candidato a prefeito de Cambará.
O assunto é recorrente nas principais rodas de bate-papo na cidade e disparou após entrevista publicada pelo Circulandoaqui, na edição impressa deste mês.
Na entrevista, Luís fala com segurança que sua decisão só sairá do concenso, ou seja, da uniformidade de opinião do colegiado e demonstra interesse em participar do pleito. Dias falou, também, da falta de seriedade na política brasileira e assegura que o modelo ideal de gestão pública ainda é o da política efetivamente participativa. “Se temos um objetivo a ser alcançado, precisamos chegar lá, juntos" salientou.
A repercussão positiva da entrevista coloca Luís numa posição favorável, especialmente quando explica as razões de seu rompimento com o grupo que governa o município. Na entrevista o vice-prefeito não fala claramente sobre sua pré-candidatura, porém dá dicas de que sua intenção em se lançar candidato a prefeito nas eleições deste ano se fortalece. "A minha decisão (ser candidato ou não), não depende só de mim, mas das pessoas que compõem a coalisão partidária que está se formando e se fortalecendo e se alinhando na mesma direção” frisou.
Acompanhe os principais trechos da entrevista
Circulando: O senhor é pré-candidato a Prefeito de Cambará?
Luís Dias: Tenho dito que temos um grupo de lideranças partidárias que precisam ser ouvidas antes que responda esta pergunta.
Circulando: E o que o senhor quer dizer com isto?
Luís Dias: Que, se temos um objetivo a alcançar, temos que chegar lá juntos. A minha decisão pouco importa se não tivermos todos unidos na mesma direção. Quando falo isso, quero dizer que não somos ninguém sozinhos. Temos que unir forças, trocar ideias e traçar metas para se chegar aos objetivos sonhados.
Circulando: Quais são estes objetivos?
Luís Dias: Ter uma cidade onde as oportunidades sejam iguais para todos. Penso que precisamos amparar os mais necessitados, para que eles possam ter orgulho de serem produtivos, de criarem suas famílias, de sonharem com um futuro bom. Como penso, também, que temos que incentivar a classe produtiva, para que ela se desenvolva mais, para gerar mais frente de trabalho e promover o equilíbrio social em nossa cidade.
Circulando: Mas este não era o plano de governo da última campanha?
Luís Dias: Este tem sido meu pensamento assim que ingressei na vida pública, e nisso já se passaram vinte anos. Em todos os governos que atuamos, a maioria deles nos bastidores, temos buscado implantar este modelo. Quando assumi a condição de vice, pensei que seria mais fácil. Mas não foi.
Circulando: Porque a parceria João e Luís não prosperou?
Luís Dias: Não se chega aos objetivos sonhados com decisão unilateral. Quando se tem um plano, que foi traçado e compartilhado por um grupo, penso que se deve seguir o programado. Porém não foi isto que aconteceu.
Penso que tudo que começa errado dificilmente dará certo e logo no início ficou claro que não iríamos conseguir gerir o munícipio da forma como as coisas foram acontecendo, com polêmicas e discussões generalizadas. Não foi para isto que dediquei tempo e dinheiro na campanha. O resultado está aí, não preciso dizer muita coisa. Nossa proposta era um modelo singular de gestão, planejada, equilibrada, enxuta, séria, voltada para atendimento das necessidades básicas da população, com respeito aos funcionários e ao cidadão de maneira geral... Nossa cidade não vive bom momento político, o que resulta num impacto negativo na nossa economia.
Algumas pessoas ainda me questionam: “O senhor se afastou da administração? O senhor não é mais o vice?” Na verdade, eu me afastei do governo local, do grupo que decidiu tornar os caminhos mais difíceis. Em momento algum me afastei das atribuições do cargo.
Circulando: Mas não seria melhor ter renunciado ao cargo logo no início, para evitar os desgastes de sua imagem pública?
Luís Dias: Pensei nisto também. Mas era uma decisão difícil, com várias interpretações. Renunciar ao cargo seria mais cômodo para mim, evitaria desgastes políticos, mas seria, também, renegar o apoio que recebi em cada casa que visitei, seria uma frustração para aquelas pessoas. Não poderia fazer aquilo. Pensando nisso, decidi sofrer com os ataques dos adversários e me manter firme, sem tirar proveito da situação. Então, reunimos o grupo e decidimos tentar ajudar de alguma maneira, sem interferir nas decisões do Executivo. Fomos na sede do governo do Estado, usamos de nossa influência e proximidade com o governo nas mais diversas secretarias, conversamos com nossos deputados, expusemos a situação e seguimos adiante.
Circulando: E porque não resolveu tornar público isto no começo?
Luís Dias: Porque não seria honesto... Eu até dei algumas declarações à imprensa na época, mas sem dar muitos detalhes. Na verdade, fiz um alerta sobre o que poderia estar por vir, mas não quis ser incisivo.
Circulando: Porquê?
Luís Dias: Não seria honesto. Era preciso que eles tivessem a oportunidade de mostrar trabalho também. Nós poderíamos estar errados, mas não é o que se confirmou, e com isto eu estou convencido que o projeto que idealizamos é o melhor para a cidade.
Circulando: Algumas polêmicas pontuaram a gestão atual. Qual sua avaliação sobre o assunto?
Luís Dias: Não posso tecer comentários de algo que não faço parte. Como também não considero ser correto o que estão fazendo.
Só lamento que a conta esteja sendo paga pelo povo.
Circulandoaqui: Em vinte anos de vida pública, o que senhor pode destacar da política?
Luís Dias: Iniciei minha vida pública com apoio do ex-Deputado Anibal Cury, que era presidente da Assembleia Legislativa, na época. Estávamos no segundo mandato do ex-prefeito Mamede e desde a formação deste grupo passamos a participar ativamente das discussões da política cambaraense. Sempre fieis aos nossos princípios. Passamos pelos dois mandatos seguintes, antes de chegar a condição de vice-prefeito. Meu objetivo sempre foi o de participar, opinar e, se for o caso, discordar de algumas coisas relacionadas a administração pública, afinal, antes de ser empresário e político, sou cidadão e, como tal, quero que os gestores públicos respeitem a população da qual eu faço parte. Não quero fazer juízo de valor, mas sempre tive em mente uma política diferente da que foi apresentada até agora.
Circulando: Que tipo de política o senhor se refere?
Luís Dias: Da política efetivamente participativa.
Circulando: Isto justifica o fato de o senhor sempre afirmar que a decisão da nomeação do candidato deve sair das lideranças que compõe o grupo?
Luís Dias: Sim. É bem isto...
Circulando: Mas o senhor não acha que o eleitor precisa de uma opinião forte, decisiva?
Luís Dias: Penso que o cidadão esteja interessado em gente séria, que faz política com seriedade. Que assuma compromissos e os cumpra.
É disso que estou falando.
Circulando: Como seria a cidade ideal para se viver?
Luís Dias: Uma cidade é feita de gente e se quisermos alcançar os objetivos esperados para todos devemos dedicar nossos esforços para melhorar a qualidade de vida de nossa gente hoje, para que possamos sonhar com um futuro melhor. Uma cidade boa para se viver, por exemplo, é aquela onde o volume de recursos que são disponibilizados para movê-la seja revertido em crescimento nos índices de desenvolvimento humano, de Desenvolvimento da Educação Básica, números que se traduzem em melhor atendimento ao sistema de saúde, entre outros. É estabelecer metas e cumpri-las.
Circulando: O que falta?
Luís Dias: Falta compromisso e dedicação dos gestores públicos, falo isto em todas as esferas. Falta seriedade.