
Cambará
C.Roberto Francisquini
“A história é a mesma e é contada há mais de dois mil anos da mesma forma, mas a gente não consegue ficar indiferente e não se emocionar todos as vezes que revemos os últimos passos de Jesus na terra” contou Maria da Conceição, 73 anos, que garante ter assistidos todas as encenações realizadas em Cambará. “Eu não perco, todos os anos estou aqui” contou.
Foi desta forma que por mais um ano, os integrantes de grupos de jovens e pastorais da comunidade Católica de Cambará emocionaram o grande público que compareceu para acompanhar a encenação da Paixão e Morte de Cristo, realizada tradicionalmente no pátio da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na última sexta-feira (25).
Em cada rosto era possível ver uma expressão diferente, especialmente nas crianças que custavam a entender o que se passava. “Porque estão fazendo aquilo com aquele homem, mamãe? questionou uma garotinha. A mãe, pacientemente tentou explicar o que estava acontecendo. “Tadinho” rebateu, a menina.
A emoção toca até mesmo os atores tarimbados que participam anualmente das cenas. “Fazemos uma viagem no tempo todas as vezes que entramos em cena” disse um rapaz conhecido por Mandioca, que interpreta Judas, na peça.
A peça teatral de Cambará esteve pela primeira vez sob o comando de Pe. Silvio Pawak, que organizou todos os detalhes. Foi também a primeira encenação depois que se instalou as grades ao entorno da Paróquia. Para a maioria das pessoas consultadas pela reportagem do Circulandoaqui, a grade não atrapalhou em nada, mas há quem reclamasse das cercas. “Lamento, mas a grade tirou parte da beleza da igreja e como se previa, também diminuiu a encenação” contou um fiel, descontente.
No mais, foi tudo muito bem ensaiado e organizado. Após a representação cristã, os fiéis católicos saíram em procissão pelas ruas da cidade. A multidão, com vela em punho, iluminou o percurso acompanhado de cantos e orações.
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