
Cambará
C.Roberto Francisquini
O prefeito de Cambará, João Mattar Olivato (PSC), em fim, foi ouvido pela Comissão Processante que apura um suposto ato de improbidade administrativa envolvendo o alcaide e dois vereadores, Marcio Albertini (PR) e Renato Rodrigues (PTdoB), no caso que ficou conhecido como Ministério da Pesca.
Na oitiva, realizada na tarde desta quinta-feira (12), o prefeito respondeu aos questionamentos da Comissão Processante, composta pelos vereadores Rogério Frutuoso (PSL), Raffaello Frascati (PMDB) e Walcir Joaquim (PSDB), presidente, relator e membro, respectivamente.
O prefeito mostrou-se seguro na maior parte do depoimento, negou que tenha agido de má fé no imbróglio e pediu desculpas aos vereadores arrolados no caso.
Durante todo o interrogatório, o prefeito foi confrontado sobre a viagem e suas declarações. A Comissão não poupou os detalhes, como o churrasco na casa de amigos do prefeito em foz, por exemplo.
Na ocasião, João Mattar falou que cumpriu uma agenda pré-estabelecida pela sua equipe e afirmou que o motivo da viagem foi para tratar de assuntos referentes a liberação de recursos para investimentos na produção de peixes no município, porém afirmou que por motivo fora de sua alçada, o representante do ministério da Pesca não compareceu. O prefeito alegou que Claudio Pinho, secretário da pesca, na época, não esteve presente no evento e alegou que tenha perdido o voo por conta do mal tempo.
João Mattar explicou que a sua agende foi feita por um profissional de carreira do município e afirmou que não pode ser responsabilizado por aquele motivo, tendo em vista que a agenda fora mantida. “Se qualquer vereador desta casa for a Curitiba para um curso ou uma reunião pré-agendada, e que por alguma razão, chegando lá, o compromisso fora cancelado por qualquer motivo, podemos condená-lo por isto?” questionou, Mattar.
O prefeito salientou que além da reunião para tratar de assuntos relacionados ao Ministério da Pesca, aproveitou a viagem para reivindicar junto à Receita Federal, doações para APAE, Santa Casa e para o município.
Nas contas do prefeito, a viagem rendeu cerca de R$ 400 mil para Cambará, somando cerca de duzentos mil para Santa Casa e um caminhão avaliado em R$ 200 mil para o município (foto).
Mattar ainda enfatizou que jamais iria para uma viagem desgastante de cerca de mil e quatrocentos quilometro para passear. “Eu estava doente, tinha acabado de sair de uma cirurgia, vocês acham que isto seria possível?” questionou.
O prefeito ainda lembrou que para a viagem foram convidados os vereadores que compunha a base do governo na época. “Na época convidei os vereadores Walcir Joaquim, Professor Tinelli, Rogério Frutuoso e Vereador Tuta para a viagem, ninguém pode ir comigo, apenas o Marcio (Albertini) e o Renato (Rodrigues) se propuseram a me acompanhar” recordou.
Em dado momento, o prefeito elevou o tom, disse que em nenhum momento da história política cambaraense um administrador público passou pela situação em que ele se encontra no memento, afirmou ser o único prefeito que devolveu diárias para o município e que é o único prefeito que pagou multas do próprio bolso quando houve infrações injustificáveis nos veículos oficiais. “Eu fui a trabalho, em qualquer lugar que eu vá, estou pensando em trazer alguma benfeitoria para o município” cravou.
Por fim, João Mattar pediu desculpas para os vereadores envolvidos no caso, lamentou que a situação tenha causado danos à imagem política de ambos e diz acreditar na justiça.
Mais detalhes ao longo desta sexta-feira.