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Em relação a tomadas de decisões, o Brasil está no limbo, afirma assessor econômico da Faciap

“Mais uma vez, vende-se o presente para conquistar o futuro politicamente”, analisa Arthur Schuler da Igreja

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
13/07/2016 às 20h34
Em relação a tomadas de decisões, o Brasil está no limbo, afirma assessor econômico da Faciap

Curitiba 

Gabriela Brandalise


 

A situação provisória do governo Temer e a pausa na tomada de decisões têm mantido o Brasil em uma espécie de limbo. A análise é do assessor econômico da Faciap e também professor da FGV-RJ, Arthur Schuler da Igreja. “O presidente interino Michel Temer anunciou estratégias coerentes, porém tem mostrado um comportamento dúbio, em que o discurso é um e a prática, outra”, diz Arthur Igreja. “Temer argumenta que não pode tomar medidas duras porque, efetivamente, ainda não é presidente. Do ponto de vista político, ele tem razão porque, se fizer algo radical agora, Dilma Rousseff pode voltar. Por outro lado, é a desculpa perfeita para não fazer o que precisa ser feito”.


Ele também argumenta que várias medidas que prejudicam o controle orçamentário foram aprovadas recentemente. “Mais uma vez, vende-se o presente para conquistar o futuro politicamente”.


O fato de o poder estar concentrado no Senado, que ainda não votou o impeachment, também colabora para a fragilidade do governo. “O país está na mão de um pequeno grupo de senadores”, segundo Arthur Igreja.


Mas o assessor econômico da Faciap afirma que, mesmo com as decisões em suspenso, o cenário no Brasil já é melhor em comparação ao período com Dilma Rousseff. “Mesmo com pouca coisa acontecendo, já houve uma baixa substancial do dólar, o que ajuda a frear a inflação, atração de investimentos e a retomada da confiança dos empresários. O muito pouco já é substancialmente melhor do que o governo afastado”, diz Arthur.

 

Lava Jato

 

Para que o Brasil conclua a transformação pela qual está passando, Arthur Igreja acredita que, além da conclusão do impeachment, é preciso que os investigados na Operação Lava Jato sejam punidos. Isso porque a falta de transparência provou ser nociva para o país. E os prejuízos ultrapassam as perdas financeiras. “No caso da Petrobras, muito mais grave do que o roubo do dinheiro, foi a destruição de valor de mercado. A empresa já esteve entre as dez mais valiosas do mundo e hoje é a companhia de capital aberto mais endividada. É o que faz a corrupção aliada à incompetência. Ela destrói a ideia de valor”.


Arthur Igreja diz que a Lava Jato é o primeiro movimento histórico para reverter esse quadro negativo. “A Lava Jato é um grande pilar, atrelada ao impeachment, para o Brasil se transformar. A sua força é tão grande que levou à derrocada do governo Dilma. Não há como descrever sua importância social e econômica”.

 

Conclusão do impeachment

 

Para Arthur Igreja, o retorno de Dilma Rousseff ao governo seria um grande retrocesso. “Imagine o Brasil declarando para o mundo que Dilma está voltando para o governo. Será uma mancha para a imagem do país, já que é consenso que a estratégia estava equivocada e tudo deu errado”, afirma o assessor econômico da Faciap. “Fora a completa falta de clima político. Dilma não tinha capacidade de coordenação política, era ignorada pela Câmara e pelo Senado”.


O impeachment teve fundamentação técnica e jurídica, mas Arthur Igreja analisa que, antes de tudo, o processo foi político e econômico. “A insatisfação popular se somou a insatisfação política e o governo se tornou insustentável. Então, para que o Brasil mantenha sua imagem, o impeachment tem que ser efetivado”, diz ele. “Desta forma, o governo Temer poderá provar que colocará em prática as reformas propostas e ser avaliado integralmente pela população”.

 

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