
Por Carlos Roberto Francisquini
Com informações dos principais portais de notícias do país
Neste domingo (6/4), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de uma grande manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à defesa da anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O evento contou com a participação de milhares de apoiadores, além de governadores, deputados e senadores que se uniram ao movimento em apoio à causa.
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, fez um discurso inflamado que gerou fortes reações. Em sua fala, a presidente do PL Mulher criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF), mencionando a “maldade e crueldade de alguns de seus integrantes”. Michelle apontou em particular as decisões que envolvem a pena de Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira acusada de pichar a estátua “A Justiça”, em frente ao Supremo Tribunal Federal, com a frase “Perdeu, mané”. A mulher, cuja condenação por pichação foi estabelecida com uma pena de 14 anos de prisão, foi defendida por Michelle, que questionou a severidade da punição.
“Luiz Fux, eu sei que o senhor é um juiz de carreira e o senhor não vai jogar o seu nome na lama. Não deixe a Adalgiza morrer, Luiz Fux", apelou Michelle, referindo-se à Adalgiza, uma idosa envolvida no caso dos réus do 8 de janeiro.
A ex-primeira-dama também mencionou a morte de Cleriston Pereira da Cunha, um dos detidos pelos atos de depredação, que faleceu enquanto aguardava julgamento. Michelle argumentou que a pena de Débora Rodrigues é desproporcional, em comparação com a leveza das punições previstas pela legislação para crimes como pichação.
“Só para vocês enxergarem a discrepância, e a maldade e a crueldade de alguns do STF", disse, reforçando sua crítica à decisão judicial, que aplicou uma multa de R$ 30 milhões à ré e determinou que ela pagasse um milhão de reais por cada ano de pena. Michelle também se referiu à Lei nº 9.605/98, que estabelece a pena para pichação entre três meses e um ano de prisão, e destacou o valor excessivo da multa imposta.
Jair Bolsonaro Critica TSE e Fala em Esperança de Ajuda Internacional
O ex-presidente Jair Bolsonaro também subiu ao palco e, em seu discurso, retomou as críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bolsonaro questionou a imparcialidade da Corte nas eleições de 2022 e acusou o Judiciário de favorecimento ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele afirmou que tem esperanças de uma mudança no perfil do TSE para as eleições de 2026, quando o ministro André Mendonça, nomeado por Bolsonaro para o STF, assumirá a presidência da Corte eleitoral.
“O ano que vem o TSE terá um perfil completamente de isenção e poderemos confiar nas eleições do ano que vem”, afirmou, sugerindo que, com a nova composição da Corte, seria possível reverter sua inelegibilidade e disputar novamente a presidência.
Bolsonaro também fez uma declaração sobre sua expectativa de receber apoio internacional para seu projeto político. “Tenho esperança também que de fora venha algo para cá”, disse, mencionando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem mantém uma relação de aliança. Bolsonaro também se referiu à ausência de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no evento, que, segundo o ex-presidente, estava nos Estados Unidos, onde se licenciou do cargo devido à perseguição do Judiciário brasileiro.
Além de Bolsonaro, seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), estiveram presentes no evento.
A manifestação contou com forte presença de apoiadores de Bolsonaro nas principais capitais do Brasil, além de adesão de figuras políticas de diversos níveis, como governadores e parlamentares. O ato teve como foco a defesa da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a crítica às decisões judiciais e à atuação do STF, que, para os organizadores, representam um obstáculo à justiça e à liberdade de expressão dos manifestantes.
O clima no evento foi de apoio fervoroso a direita nacional e de críticas contundentes às instituições que têm sido vistas como adversárias de Bolsonaro e seus aliados. No entanto, o movimento gerou reações controversas, sendo alvo de discussões sobre os limites da liberdade de manifestação e as responsabilidades políticas e jurídicas dos envolvidos nos atos de janeiro do ano passado.
O apoio a Jair Bolsonaro segue sendo um fator decisivo na política brasileira, com manifestações de apoio como esta ganhando visibilidade, enquanto as instituições democráticas e suas decisões continuam sendo desafiadas por aqueles que consideram as ações contra os bolsonaristas injustas.
Se compararada com as manifestações organizadas pelos partididos de esquerda realizadas no domingo passado, em que atraiu baixo número de apoiadores, o ex-presidente Jair Bolsonaro sai vitorioso.
Rádio CirculandoFM