
Por Carlos Roberto Francisquini
Após oficializar sua saída da Secretaria Municipal de Saúde de Cambará, a ex-secretária Rita Nespoli conversou com nossa reportagem para comentar os motivos de sua exoneração e fazer um balanço dos quatro meses em que esteve à frente da pasta. Indicada pelo vereador Walmir Joaquim (PSD), irmão do prefeito Walcir Joaquim (PSD), Rita enfrentou resistência desde sua nomeação e precisou lidar com críticas internas, dificuldades administrativas e conflitos de relacionamento.
Na entrevista a seguir, ela fala sobre os desafios enfrentados, os projetos que ficaram pelo caminho, como a proposta de atendimento especializado a crianças com transtorno do espectro autista (TEA), e faz uma avaliação da atual situação da saúde pública no município. Ela Também deixa uma mensagem de despedida aos servidores e à população de Cambará.
A entrevista foi realizada por aplicativo de mensagens.
Jornal Circulando: A senhora pediu exoneração alegando dificuldades de relacionamento. Poderia explicar melhor o que isso significa no contexto da gestão pública? Essas dificuldades foram com a equipe interna, com a administração municipal ou com outros setores?
Rita Nespole - Sim, posso explicar melhor. As dificuldades de relacionamento que mencionei referem-se a desafios de comunicação e colaboração que enfrentei durante meu mandato como Secretária de Saúde.
JC - A senhora sentiu falta de apoio político ou institucional durante a sua gestão?
RN - Sim, em alguns momentos, senti falta de apoio político e institucional para implementar certas iniciativas e políticas de saúde que considerava importantes para o município.
JC - Como era o clima dentro da Secretaria de Saúde? Havia espaço para diálogo e tomadas de decisão em conjunto?
RN - Procurávamos manter um ambiente aberto ao diálogo, onde as opiniões e sugestões dos funcionários eram valorizadas. No entanto, em alguns momentos, as decisões mais estratégicas eram tomadas de forma mais centralizadas
JC - Quais foram os maiores desafios enfrentados durante sua gestão, especialmente considerando o contexto da epidemia de dengue?
RN - Fazer junto com as equipes que quando precisamos de mudanças e melhorias, podem trazer desconforto. Precisamos olhar para frente, sempre procurando o melhor de nós, mesmo quando exige o máximo de atenção e dedicação possível.
JC - Há alguma iniciativa que a senhora gostaria de ter concluído, mas que acabou ficando pelo caminho com sua saída?
RN - A iniciativa que eu gostaria de ter concluído, como a implementação de um programa de saúde para as crianças com TEA , a Emulti, só aguardava o processo seletivo para dar andamento na Emulti , e o convênio com a Clínica Anjo Azul . Num futuro próximo faríamos nosso próprio Centro de atendimento no Município para atendimento as crianças com TEA. (transtorno do espectro autista).
JC - Como a senhora avalia a situação da saúde pública em Cambará hoje? Há pontos que merecem atenção urgente? Quais os desafios para o seu sucessor?
RN - Alguns pontos que merecem atenção urgente incluem a necessidade de melhorar a infraestrutura dos postos de saúde, aumentar a oferta de serviços especializados e fortalecer a prevenção e promoção da saúde.
JC - Como a senhora se sente após deixar o cargo? Há alívio, frustração, ou ambos?
RN - A sensação de fazer mais, fica sim mas no entanto, estou grata pelas lições aprendidas e pelas oportunidades que tive de servir à comunidade. Levar toda experiência adquirida e fortalecida para novos desafios.
JC - Que mensagem a senhora gostaria de deixar para os servidores da saúde e para a população de Cambará?
RN - Amigos e parceiros de trabalho, neste momento, venho me despedir, na sexta-feira foi meu último dia como secretária de Saúde do Município de Cambará, quero expressar minha mais profunda gratidão a cada um de vocês. Foi um privilégio fazer parte deste grupo e compartilhar experiências, conhecimentos e momentos especiais. Agradeço pelo carinho e apoio que recebi de todos vocês. Isso fez toda a diferença em minha jornada. Desejo que todos tenham sucesso e paz