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Alunos da rede pública de Mangueirinha transformam horta em laboratório de cosméticos
Em fevereiro de 2024, a horta da escola se tornou laboratório vivo: lavanda, hortelã, alecrim, babosa, beterraba — tudo passou a ser cultivado com...
12/05/2025 14h46
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Secom Paraná

Aromas, cores e texturas que carregam mais do que beleza, unem ciência, sustentabilidade e empoderamento. Proposto pelos alunos do Colégio Estadual Professora Hercília França do Nascimento, em Mangueirinha, no Sudoeste do Estado, o projeto “Produção de Cosméticos Naturais: Trabalhando a Sustentabilidade e o Empoderamento Feminino na Escola” propõe uma abordagem multidisciplinar que vem transformando a dinâmica das aulas para além das quatro paredes da sala.

A partir do desenvolvimento de cosméticos totalmente naturais, produzidos com elementos da horta da própria escola, os estudantes têm vivenciado na prática o aprendizado de componentes curriculares como ciências da natureza, química e empreendedorismo.

Tudo começou em 2023 na horta da escola. Um dos trabalhos propostos aos alunos do Ensino Médio como parte integrante do componente curricular de Ciências da Natureza era a criação de inseticidas naturais a partir de elementos plantados pelos próprios estudantes, no canteiro de hortaliças do colégio.

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Foi por meio do trabalho que os alunos descobriram então que plantas como citronela, alecrim e manjericão podiam ser usadas como agentes para o controle de insetos. Logo, a atividade ganhou corpo, novas ideias e mais adeptos interessados, desta vez em explorar o universo dos cosméticos. Em fevereiro de 2024, a horta da escola se tornou laboratório vivo: lavanda, hortelã, alecrim, babosa, beterraba — tudo passou a ser cultivado com um novo propósito. Era o começo de uma linha de produção que uniria natureza, ciência e criatividade.

“A proposta surgiu da escuta ativa com os alunos. Eles demonstravam curiosidade e afinidade com temas de autocuidado, sustentabilidade e bem-estar. Unimos isso ao conteúdo abordado em sala e criamos uma experiência prática, na qual eles realmente veem sentido no que estão aprendendo”, explica Flávia de Mello, professora idealizadora do projeto.

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No laboratório de ciências, os estudantes então mergulharam em artigos científicos, testaram fórmulas, erraram e recomeçaram. Cera de carnaúba, manteiga de karité, óleo de coco e pigmentos naturais extraídos de plantas como urucum, jaboticaba, amora e até da casca do pinhão (inovação local, já que Mangueirinha é considerada a capital mundial da araucária) compõem os produtos desenvolvidos.

“Eles foram testando os produtos, adaptando as fórmulas e abandonando metodologias que não funcionavam. O pigmento do pinhão, por exemplo, foi descoberto através de fervura e moagem”, relata Flávia.

Em sete meses, os cerca de 40 estudantes envolvidos no projeto criaram mais de 100 unidades entre batons, hidratantes labiais, xampus sólidos, sabonetes aromáticos e cremes hidratantes.

EXPANSÃO– Em paralelo ao campo das ciências, nasceu a marca HF Cosméticos, fruto da eletiva de Empreendedorismo, também integrante da grade curricular do Ensino Médio. “Por serem totalmente naturais, atóxicos e veganos, os cosméticos podem ser utilizados com segurança. Isso nos deu tranquilidade para disponibilizá-los à comunidade escolar e ouvir os feedbacks”, afirma a professora Flávia. A intenção agora é submetê-los à aprovação de órgãos oficiais, viabilizando a continuidade e expansão da iniciativa.

Outro desdobramento do projeto são as joias botânicas, confeccionadas com resina epóxi e fragmentos da natureza coletados e prensados manualmente pelos alunos. Brincos, colares e pulseiras em formatos variados homenageiam o feminino e reforçam o vínculo entre estética e consciência ambiental.

Para a diretora Franciele Jaqueline Noll Della Veschia, os efeitos do projeto são visíveis na postura dos estudantes. “Como gestora e professora formada em Física, sei o quanto disciplinas como Química e Biologia geram resistência. Mas, nesse projeto, os alunos se apropriaram do conhecimento com entusiasmo. A eletiva se tornou o componente mais disputado da escola, e é gratificante ver como eles colocam a teoria na prática com liberdade e protagonismo”, afirma.

Em novembro de 2024, o projeto foi vencedor do concurso “Projeto TransformAção”, promovido pela empresa de energia renovável Engie. O reconhecimento marcou o segundo ano consecutivo de premiação da escola - a primeira premiação foi pelo trabalho com inseticidas naturais.
Com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), que destinou cerca de R$ 60 mil ao projeto, a ação segue viva e em expansão.

Cada fórmula, cada acessório, cada planta cultivada revela o poder de transformação de uma escola onde o conhecimento se enraíza e floresce - com cor, aroma e protagonismo estudantil.