
Cambará
C.Roberto Francisquini
Estudantes dos Colégios Estaduais Dr. Generoso Marques e Dona Carolina Lupion promovem protesto contra as medidas do governo federal que prevê o congelamento dos investimentos em educação a partir de 2017.
A PEC 241 propõe que, do ano que vem, as despesas primárias da União fiquem limitadas ao que foi gasto no ano anterior corrigido pela inflação. Ou seja, em 2017, a despesa em termos reais (isto é, descontada a inflação ocorrida em 2016) ficará igual à realizada em 2016. Por sua vez, em 2018, o limite anual será o teto de 2017 acrescido da inflação, em 2017. E assim por diante, enquanto a PEC estiver em vigor.
O objetivo é conter a expansão da despesa pública primária que, no período 2008-2015, cresceu, anualmente, em média, 6% acima da inflação. O controle da expansão da despesa primária é fundamental para reduzir a despesa financeira, pois permite ao governo financiar sua dívida com uma taxa de juro menor. De fato, ao buscar adequar suas despesas às receitas auferidas, o governo sinaliza para os detentores de títulos públicos que os valores contratualmente estipulados nesses títulos serão honrados, possibilitando menores taxas na negociação de novos títulos públicos.
Os estudantes não concordam com a medida e sinalizam que vão resistir até que o governo mude de ideia.
A reportagem do Circulando conversou com um dos organizadores do protesto na tarde desta quarta-feira (19). Carlos Campos informou que o protesto visa interromper todas as atividades dentro do colégio, com exceção de assuntos de extrema necessidade.
Ele explicou que o espaço físico do colégio está tomado, mas não há atos de vandalismo e afirmou que durante o tempo que o protesto persistir haverá diversas oficinas e palestras sobre o assunto.
Os estudantes divulgaram uma nota na página oficial do colégio no facebook em respostas as críticas que o movimento vem recebendo da comunidade.
Em nota, os alunos disseram que vão resistir. “Pra quem diz que nós alunos não estamos por dentro do assunto da PEC 241 e MP 746/2016. Bom, acho que quem precisa se informar são as pessoas que estão dizendo isso! Pois nós estamos muito bem informados, tivemos hoje uma palestra feita por dois bons Advogados, que tiraram todas as nossas dúvidas.. Não somos fantoches de nossos professores. A princípio nós não queríamos perder aulas, mas percebemos como essas leis vão nos prejudicar nos próximos anos. Deixando bem claro: Isso foi uma iniciativa nossa! Pra quem está dizendo que somos vândalos, bomm.. Só tenho a dizer que não estamos destruindo nada, muito pelo contrário, apenas estamos lutando por nossos direitos; estamos zelando por nossa escola limpando-a.. pois não estamos lá para brincar! Vândalo é quem passou por lá e sem mostrar o rosto rasgou dois cartazes. Podem rasgar, não vamos desistir!” diz a nota veiculada na internet.

Durante a visita da reportagem do Circulando havia poucos alunos no local e Carlos informou que a comunidade escolar está divida.
Na cidade, as pessoas ouvidas pela reportagem, tem pouca ou nenhuma noção do assunto e vê com reticencia e preocupação o fato dos alunos passarem a noite na escola sem a presença de um adulto responsável.

Os organizadores criaram algumas regras para manter a ordem no local, entre elas reza que é expressamente proibido que meninos e meninas dividam o mesmo leito na hora de dormir.
O conselho tutelar esteve no local para analisar a situação.
No Colégio Carolina Lupion o panorama é o mesmo.
O movimento não tem ligação com a greve dos professores da rede estadual de ensino do Paraná.
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