Por Carlos Roberto Francisquini
A recepção calorosa às atletas Brenda Heloá e Rafaelly Simões, na última quarta-feira (21), deveria ter sido marcada apenas por orgulho e celebração. Afinal, as jovens do Projeto Social Cacto colocaram Cambará no mapa internacional ao conquistarem títulos no Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, realizado na Itália. No entanto, um embate político nas redes sociais acabou ofuscando parte do brilho dessa conquista.
De um lado, o ex-vereador Geraldo Carvalho. Do outro, o atual Secretário de Esportes, Mauro Carvalho. A disputa pública entre os dois, alimentada por acusações e justificativas, expôs desnecessariamente as atletas e suas famílias, transformando o que era para ser uma homenagem ao mérito esportivo em uma arena de vaidades políticas.
Geraldo acusou o secretário de negligência, alegando que não foi dada a devida atenção às campeãs no retorno à cidade. Mauro rebateu, afirmando que bancou parte das despesas do próprio bolso. E enquanto os dois trocam farpas, quem paga o preço é a comunidade escolar, que reagiu com indignação à politização de um momento que deveria ser de união e orgulho coletivo.
Brenda e Rafaelly não mereciam isso. Nenhuma atleta merece ser usada como peça em uma disputa de bastidores. O feito delas fala por si. Com disciplina, esforço e apoio de suas famílias, do Instituto Bourbon, da Bourbon Hospitalidade e da Prefeitura Municipal de Cambará, elas atingiram o topo de uma competição continental. A carreata organizada pela gestão municipal foi, sim, um reconhecimento importante, mas que acabou eclipsado pelo ruído de uma briga que revela mais sobre o ego dos envolvidos do que sobre qualquer interesse público.
O que se questiona agora nas ruas da cidade é: haveria mesmo necessidade disso tudo? O episódio expõe como a política local, por vezes, se distancia do verdadeiro espírito público. Ao invés de valorizar o feito esportivo e trabalhar por sua continuidade, optou-se por um espetáculo lamentável nas redes sociais, palco, hoje, de disputas que em nada contribuem para o desenvolvimento da cidade.
Que esse episódio sirva de alerta, o esporte é sagrado. Ele transforma vidas, inspira gerações e representa o melhor da nossa juventude. Usá-lo como arma política é um desserviço. Brenda e Rafaelly merecem o respeito de todos, inclusive dos que dizem falar em nome do bem comum.