
Da Gazeta do Povo
A greve nacional dos professores das universidades federais completará amanhã 108 dias e, no domingo, se tornará a mais longa da história do país. Mesmo com a expectativa de que o principal sindicato nacional da categoria, o Andes, recomende o fim da paralisação, as assembleias locais das instituições de ensino superior terão autonomia para votar a sugestão. Se aprovarem o retorno às atividades, as aulas nas instituições devem recomeçar apenas a partir de 10 de setembro.
Para tomar uma posição oficial em relação à greve, o Andes informou que analisará o resultado das assembleias das 56 instituições federais de ensino superior que ainda estão em greve. Algumas dessas sessões ocorreram ontem e outras serão realizadas hoje. “Como se trata de uma greve nacional, é natural que todos continuem ou encerrem a greve ao mesmo tempo”, afirmou o vice-presidente do sindicato, Luiz Henrique Schuch.
No Paraná, os professores se reuniram ontem em assembleias na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Nas reuniões, professores insatisfeitos com a greve quiseram incluir na pauta o debate sobre a continuidade ou não da mobilização, mas foram vencidos. Na UTFPR, de 125 professores, 50 votaram por não colocar a interrupção da greve em pauta, contra 44 que eram favoráveis. Os outros se abstiveram de votar. Já na UFPR, a maioria dos cerca de 350 docentes levantou os braços indicando que a decisão sobre a interrupção da paralisação deveria esperar. Hoje será a vez da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) debater o assunto.
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Reposição
Se as aulas voltarem em setembro, o calendário acadêmico de 2012 nas três instituições vai terminar apenas no fim de março de 2013. Segundo o calendário elaborado na UFPR para repor os conteúdos perdidas, os alunos terão aulas aos sábados e haverá apenas um recesso pequeno, de duas semanas, no fim do ano. Nesse cenário, o reitor garante que a carga horária será cumprida integralmente. “É um compromisso que temos com a formação dos nossos alunos”, insistiu Zaki Akel Sobrinho.
Caso a Andes decida pela prorrogação da greve, o objetivo principal da entidade será pressionar o governo a retomar as negociações interrompidas no dia 1.º de agosto. No dia 24 de julho, o governo apresentou à categoria uma proposta de reajuste salarial de 25% a 40%, em três parcelas, até 2015. A oferta foi rejeitada por dois dos sindicatos, Andes e Sinasefe, que representam a maior parte dos professores.
De acordo com os sindicatos, o aumento não garante que serão repostas as perdas salariais com a inflação nos próximos três anos. Além disso, como não existe data-base para os servidores federais, caso a inflação do período seja maior, o sindicato teme não poder negociar até 2016. A categoria também quer que o governo reformule o plano de carreira – tornando mais fácil a progressão – e garanta melhores condições de trabalho.