Por Carlos Roberto Francisquini
Na última sexta-feira, 22 de agosto, Cambará parou e dançou. A cidade do norte pioneiro do Paraná foi tomada por uma explosão de cores, ritmos e tradições com a primeira edição do FOLC – Festival do Folclore de Cambará, que transformou a Avenida Brasil num palco a céu aberto da diversidade cultural brasileira (e além).
Sob a batuta da incansável Lea Fragate, diretora de Cultura do município, o evento reuniu um elenco eclético de talentos locais, regionais e até internacionais.
O clima? De festa popular com DNA de resistência e comemoração. O FOLC não só resgatou manifestações culturais do Brasil profundo, como abriu espaço para a pluralidade contemporânea das expressões folclóricas.
Com presença do prefeito Walcir Joaquim e do vice-prefeito Gil dos Anjos que prestigiaram juntos o acontecimento cultural acompanhados de suas esposas Karen e Mercya, respectivamente, a noite foi inaugurada com as escolas da cidade, municipais, estaduais e particulares, apresentando versões artísticas de danças tradicionais.
O público, embalado pelo calor do forró e pela leveza do balé, foi do arrepio ao aplauso, da nostalgia à descoberta.
Entre as performances, a Escola Japonesa roubou a cena com uma apresentação delicada e espiritualizada, transportando o público a uma estética poética raramente vista nos palcos folclóricos. A leveza dos movimentos se destacou em meio à efervescência dos ritmos nordestinos que dominaram a noite.
A Escola de Bailado de Ourinhos, por sua vez, entregou uma exibição impecável que arrancou suspiros da plateia. Foi técnica, foi emoção, foi arte pura.
Outros destaques vieram do Instituto Bourbon, da Academia LF, da aplaudida Patrícia Pinheiro, da sempre vibrante PROCUCA, e da APAE, que levou o Maculelê com a força e a beleza da inclusão.
A ordem das apresentações foi uma verdadeira viagem pelo mundo, sem sair da calçada.
Sob a batuta do elegante Eriel Barreiros, advogado, ator, roteirista, cantor, poeta, escritor, agricultor e muito mais, que comandou o evento com galhardia peculiar, foi elogiado pelo público em geral.
Dança Italiana, seguido por arrastapé, boi-bumbá, cavalo marinho, carimbó, samba, frevo, tango, dança russa e até dança do ventre. Um recorte poderoso do que significa viver a cultura em um país que é continente.
O público, fiel até o último número, vibrava a cada batida, a cada giro, a cada sorriso de quem estava no palco. A vibração era recíproca.
Além das apresentações locais, o FOLC trouxe nomes de fora que enriqueceram ainda mais o caldeirão cultural. A Cia de Teatro Os Ciclomáticos, do Rio de Janeiro, apresentou “A Farra do Boi Bumbá”, espetáculo cênico-musical que arrancou gargalhadas e reflexões.
Fechando a noite com o pé no terreiro, o Trio Malagueta fez todo mundo dançar ao som de forró, baião, xote, xaxado e arrasta-pé. Uma trilha sonora que parece ter sido feita sob medida para o evento.
Realizado pela Prefeitura de Cambará, com apoio das Secretarias de Educação, Cultura e Esporte e Lazer, o FOLC mostrou que é possível (e necessário) investir em cultura como ferramenta de identidade, união e transformação.
"Esse festival é o começo de um movimento que vai crescer. Queremos tornar o FOLC uma referência regional", disse Lea Fragate, visivelmente emocionada após o encerramento.
Cambará não só ouviu suas raízes — dançou com elas. O FOLC nasce gigante e com cheiro de tradição viva.
Que venha o próximo.