
Por Carlos Roberto Francisquini
O município de Cambará, no Norte Pioneiro do Paraná, obteve nesta terça-feira, 2 de setembro, um avanço considerado decisivo em sua política de saúde pública: o soro antiescorpiônico, até então restrito à 19ª Regional de Saúde em Jacarezinho, passará a ser disponibilizado diretamente na cidade.
O anúncio, feito em Curitiba pelo prefeito Walcir Joaquim ao lado do secretário estadual da Saúde, Beto Preto, carrega um simbolismo particular. A conquista é recebida como forma de honrar a memória de Bernardo, menino cambaraense que perdeu a vida após ser picado por um escorpião, episódio que marcou profundamente a comunidade local e intensificou o clamor por mudanças no protocolo de atendimento.
“Apesar das dificuldades, minha missão é atender às expectativas da comunidade”, declarou Joaquim, atribuindo a conquista à articulação entre Executivo municipal, vereadores da base aliada e governo estadual.
Até agora, famílias cambaraenses precisavam percorrer cerca de 30 quilômetros até Jacarezinho para ter acesso ao antídoto. Em casos graves, cada minuto perdido poderia significar a diferença entre a vida e a morte. A descentralização do atendimento representa, portanto, não apenas um ganho logístico, mas também um gesto de reparação diante da dor coletiva.
O prefeito, contudo, fez questão de sublinhar que a chegada do soro não altera os protocolos médicos vigentes.
“Nem todos os casos de picada de escorpião exigem a aplicação do soro, e nem todas as pessoas podem recebê-lo. A avaliação médica continua sendo fundamental”, afirmou o Walcir Joaquim, em referência às diretrizes do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).
Além da disponibilização do antídoto, a prefeitura promete reforçar campanhas de prevenção contra a proliferação do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie predominante na região. O alerta coincide com a entrada do período de maior incidência desses animais, quando a falta de manejo adequado em quintais e terrenos baldios favorece sua multiplicação.
“Cada cidadão precisa colaborar, cuidando do quintal e eliminando possíveis criadouros”, advertiu Joaquim.
Se, de um lado, a medida é celebrada como conquista administrativa e política, de outro, traz consigo um peso emocional incontornável. O caso de Bernardo permanece como ferida aberta, lembrança dolorosa do que a ausência do soro em Cambará pode significar.
Para Walcir Joaquim, a conquista deve servir de marco.
“Quando o poder público se une e trabalha com seriedade, os resultados chegam. Vamos continuar trabalhando para levar ainda mais segurança para nossa população”, disse o prefeito.
Resta à população a esperança de que, no futuro, nenhuma vida seja perdida pelas mesmas razões que levaram Bernardo.