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Ouvir com os olhos, falar com as mãos
Setembro Azul: mês da visibilidade surda expõe conquistas e desafios de uma luta invisível
07/10/2025 22h18 Atualizada há 9 meses
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Da redação
Jéssica KEKA Rosso - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

Por Carlos Roberto Francisquini

 

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Em meio às inúmeras campanhas de conscientização que colorem os meses do ano, setembro também carrega uma causa que, embora silenciosa, ecoa em cada canto do país: a luta pelos direitos da comunidade surda. Conhecido como Setembro Azul, o mês é dedicado à visibilidade das pessoas com deficiência auditiva, resgatando sua história, suas conquistas e, sobretudo, apontando os obstáculos que ainda persistem — principalmente na esfera das políticas públicas.

Jéssica KEKA Rosso e Carlos Roberto Francisquini

 

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Durante entrevista concedida à Rádio Circulando FM, a professora e especialista em Linguagens de Sinais, Jéssica Keka Rosso, lançou luz sobre as dores e vitórias de quem convive diariamente com a surdez no Brasil. Com experiência em educação inclusiva e defesa dos direitos da comunidade surda, Jéssica fez um alerta: “Muito se avançou, mas ainda falta o essencial — vontade política para transformar direitos em realidade”.

 

Conquistas que merecem ser lembradas

 

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Jéssica KEKA Rosso - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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O mês de setembro é simbólico para a comunidade surda. Nele, comemora-se o Dia Nacional do Surdo (26/09), o Dia Internacional da Língua de Sinais (23/09) e, mais do que isso, reforça-se o orgulho de uma identidade linguística e cultural própria, que vai além da deficiência.

Segundo Jéssica, uma das maiores conquistas foi o reconhecimento da Libras (Língua Brasileira de Sinais) como meio legal de comunicação e expressão, por meio da Lei nº 10.436/2002, regulamentada pelo Decreto nº 5.626/2005.

“Esse foi um marco civilizatório. A Libras é a porta de entrada para a cidadania do surdo. Sem ela, não há acesso à educação, à saúde, à justiça”, explica.

 

Iniciativas locais ganham força

Jéssica KEKA Rosso - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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Em Cambará, no norte do Paraná, a Câmara Municipal analisa um projeto de lei da vereadora Tania Lima que pode tornar o Setembro Azul parte do calendário oficial do município. A proposta, segundo Keka Rosso, visa desenvolver atividades voltadas ao tema e conscientizar a população sobre a realidade das pessoas surdas.

“É uma iniciativa importante porque coloca a pauta da inclusão em evidência, especialmente no âmbito local, onde as transformações podem ser mais rápidas e concretas”, destaca a especialista.

Jéssica KEKA Rosso - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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Apesar dos avanços e das boas iniciativas locais, Jéssica denuncia que a inclusão ainda é, em muitos casos, apenas formal. “O que temos é uma política de fachada. A lei existe, mas não é cumprida como deveria. Faltam profissionais qualificados, intérpretes, material didático adaptado, acessibilidade nos serviços públicos”, afirma.

 

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A campanha Setembro Azul tem justamente o papel de dar visibilidade a essas questões e mobilizar a sociedade para além da empatia superficial. Para Jéssica, o mês precisa ser mais do que uma agenda simbólica: deve ser um ponto de partida para ações efetivas, tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

“Não se trata de caridade, mas de justiça social. O surdo não quer ser tratado como coitado, mas como cidadão pleno. Ele quer acesso, participação, respeito à sua língua e cultura”, defende.

Ouvir com os olhos, falar com as mãos

Jéssica KEKA Rosso - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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Setembro Azul, portanto, não é apenas um mês de celebração, mas de denúncia e resistência. É o momento de ouvir com atenção — e com os olhos — uma parcela significativa da população que, mesmo silenciada, não se cala.

Como sintetiza Jéssica Keka Rosso.

“A comunidade surda tem voz. Só precisa ser ouvida — ou melhor, compreendida. E isso começa por aprender a sua língua e respeitar o seu lugar no mundo”.

 

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Rádio CirculandoFM

 

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