Por Carlos Roberto Francisquini
A cidade de Cambará, no norte Pioneiro do Paraná, voltou a viver uma tragédia marcada pela dor e pela revolta. Thaygo Henrique Bara Milani, um menino de apenas 12 anos, teve a morte confirmada às 19h30 desta segunda-feira, 13 de outubro, no Hospital Universitário de Londrina, após ser picado por um escorpião no domingo (12). Ele é a segunda criança a perder a vida na cidade por conta do mesmo tipo de acidente em menos de quatro meses.
Filho de Alan Cesar Bruno Milani e Mayara Caroline Bara, Thaygo tornou-se o mais recente símbolo da negligência e da lentidão do poder público em lidar com uma ameaça crescente: a infestação de escorpiões na cidade. A tragédia escancara as falhas de um sistema de saúde que, apesar das promessas, ainda não disponibiliza o soro antiescorpiônico no município.
Poucos dias antes do ocorrido, o prefeito Walcir Joaquim havia anunciado publicamente que Cambará passaria a contar com doses do soro antiescorpiônico, medida que dependeria da aprovação da 19ª Regional de Saúde. Até o momento da morte do menino, no entanto, o protocolo antigo continuava em vigor: em casos graves, como aconteceu com o garoto, precisavam ser encaminhados para centros de referência, como Londrina, a cerca de 130 km de distância — tempo precioso perdido na corrida contra o veneno.
Em nota divulgada nas redes sociais, o prefeito lamentou a morte de Thaygo e afirmou que todas as medidas de atendimento foram tomadas.
O anúncio da morte do menino causou comoção e levou à interrupção da sessão da Câmara Municipal.
Mas para a população, as palavras soam vazias diante da repetição do pesadelo vivido há poucos meses com a morte do pequeno Bernardo, também vítima da picada de um escorpião. Na época, o caso gerou comoção estadual e mobilizou a sociedade local por mudanças urgentes.
Cambará vive, hoje, um cenário alarmante de infestação por escorpiões. Moradores relatam aparições frequentes do animal dentro de casas, igrejas e estabelecimentos públicos. O clima é de medo constante, especialmente entre famílias com crianças pequenas.
Apesar dos alertas da população e da recomendação de especialistas sobre a necessidade de descentralizar o atendimento com antídotos, a resposta das autoridades segue lenta. Especialistas apontam que o veneno do escorpião pode causar efeitos graves, como insuficiência respiratória e parada cardíaca, especialmente em crianças, cujo organismo é mais vulnerável.
Enquanto isso, Cambará parece afundar em um ciclo de tragédias evitáveis, em que a ausência de políticas públicas efetivas e de respostas rápidas cobra seu preço mais cruel: a vida de inocentes.
Rádio CirculandoFM