CIDADES Dor e Revolta
Tragédia Anunciada: Escorpião Faz Segunda Vítima em Cambará e escancara falhas no protocolo de saúde
Morte de Thaygo Henrique Bara Milani, de 12 anos, reacende debate sobre a ausência de soro antiescorpiônico no município. Promessa de mudança feita pelo prefeito ainda não saiu do papel
14/10/2025 00h09 Atualizada há 9 meses
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Da redação
Thaygo Henrique Bara Milani - Foto: Funerária São Benedito

 

Por Carlos Roberto Francisquini

 

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A cidade de Cambará, no norte Pioneiro do Paraná, voltou a viver uma tragédia marcada pela dor e pela revolta. Thaygo Henrique Bara Milani, um menino de apenas 12 anos, teve a morte confirmada às 19h30 desta segunda-feira, 13 de outubro, no Hospital Universitário de Londrina, após ser picado por um escorpião no domingo (12). Ele é a segunda criança a perder a vida na cidade por conta do mesmo tipo de acidente em menos de quatro meses.

Filho de Alan Cesar Bruno Milani e Mayara Caroline Bara, Thaygo tornou-se o mais recente símbolo da negligência e da lentidão do poder público em lidar com uma ameaça crescente: a infestação de escorpiões na cidade. A tragédia escancara as falhas de um sistema de saúde que, apesar das promessas, ainda não disponibiliza o soro antiescorpiônico no município.

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Promessa não cumprida

Poucos dias antes do ocorrido, o prefeito Walcir Joaquim havia anunciado publicamente que Cambará passaria a contar com doses do soro antiescorpiônico, medida que dependeria da aprovação da 19ª Regional de Saúde. Até o momento da morte do menino, no entanto, o protocolo antigo continuava em vigor: em casos graves, como aconteceu com o garoto, precisavam ser encaminhados para centros de referência, como Londrina, a cerca de 130 km de distância — tempo precioso perdido na corrida contra o veneno.

Em nota divulgada nas redes sociais, o prefeito lamentou a morte de Thaygo e afirmou que todas as medidas de atendimento foram tomadas. 

O anúncio da morte do menino causou comoção e levou à interrupção da sessão da Câmara Municipal. 

Mas para a população, as palavras soam vazias diante da repetição do pesadelo vivido há poucos meses com a morte do pequeno Bernardo, também vítima da picada de um escorpião. Na época, o caso gerou comoção estadual e mobilizou a sociedade local por mudanças urgentes.

Cidade sob ataque

Cambará vive, hoje, um cenário alarmante de infestação por escorpiões. Moradores relatam aparições frequentes do animal dentro de casas, igrejas e estabelecimentos públicos. O clima é de medo constante, especialmente entre famílias com crianças pequenas.

Apesar dos alertas da população e da recomendação de especialistas sobre a necessidade de descentralizar o atendimento com antídotos, a resposta das autoridades segue lenta. Especialistas apontam que o veneno do escorpião pode causar efeitos graves, como insuficiência respiratória e parada cardíaca, especialmente em crianças, cujo organismo é mais vulnerável.

 

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Enquanto isso, Cambará parece afundar em um ciclo de tragédias evitáveis, em que a ausência de políticas públicas efetivas e de respostas rápidas cobra seu preço mais cruel: a vida de inocentes.

 

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